Vista aerea de Belazaima do Chão
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Aveiro · CULTURA

Belazaima do Chão: cruzeiros manuelinos no vale do Cértima

Freguesia de Águeda onde a pedra classificada e as romarias moldam o calendário rural desde 1516

472 hab.
218 m alt.

O que ver e fazer em Belazaima do Chão

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Águeda

Maio
Romaria “Milagre de Urgueira” Lenda de Nossa Senhora da Enxara – Campo Maior romaria
Romaria das Almas Santas da Areosa Data variável romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Belazaima do Chão: cruzeiros manuelinos no vale do Cértima

Freguesia de Águeda onde a pedra classificada e as romarias moldam o calendário rural desde 1516

Ocultar artigo Ler artigo completo

A luz da manhã atravessa o adro como quem abre janela em casa de avó: devagar, para não assustar ninguém. A sombra dos dois cruzeiros manuelinos estende-se pela calçada irregular como lençol mal esticado. Um deles, o da entrada, tem a pedra tão lisa que parece que a aldeia toda passou por ali a apanhar boleia para o campo. Ao fundo, o Ribeiro de Albergaria canta sempre a mesma cantiga — aquela que as crianças aprendem antes de sabem ler e que os velhos ainda ouvem quando os dentes já não servem para morder.

Pedra, procissão e barro vermelho

Belazaima do Chão é tipo aquela mesa de café que só cabem quatro pessoas: 472 almas, conta o recenseamento, mas basta uma boda para faltar lugar. Tem mais cruzeiros classificados por quilómetro quadrado que o Sporting de títulos nas últimas décadas — e isso em Aveiro é dizer muito. O nome vem de quando os mouros andavam por cá e "Balasaima" soava a terra que não era de ninguém. Depois juntaram-lhe "do Chão" para não confundir com a outra, a de Cima, que hoje é Oliveira do Bairro e anda com ar de quem se esqueceu da prima pequena.

A igreja matriz, reconstruída no século XVIII, guarda azulejos que só se vê de sábado de manhã — é subir a torre e esperar que o sacristão abra a porta com a mesma chave que serve para a cervejeira do clube. Do alto, o olhar engole soutos de castanheiro que descem até ao Cértima como cachecol de lã largo.

Nos lugares mais afastados — Póvoa, Areosa, Urgueira — as capelas são como as tascas: pequenas, mal iluminadas, mas com história para encher o ano. A Romaria das Almas Santas da Areosa leva andores carregados só por mulheres, como se os homens já não bastassem para aquilo. No domingo de Pentecostes, distribuem pão-de-Deus e vinho novo — e ninguém leva garrafa de casa, porque se bebe ali mesmo, de copo de plástico, ao sol.

Chanfana, enguias e vinho da Bairrada

A chanfana de Belazaima faz-se na panela de barro que a avó guarda no armário de cima, a mesma desde 1978. Cabrito ou bode, vinho tinto da Bairrada, colorau, alho, louro e piri-piri — é deixar ferver como desabafo de vizinha: devagar, mas até ao fim. O "O Moinho" serve às sextas e sábados, acompanhado de Baga que faz mossa na língua mas cura o coração.

As enguias vêm do ribeiro, são fritas e depois estufadas com cebola, tomate e pão de milho torrado — tipo rabo de saia, mas que se come. No inverno, as papas de milho com couve e feijão branco são o que as sopas da avó queriam ser quando crescessem. A Carne Marinhoa aparece em bitoque ou espetada, mas é o queijo de ovelha curado, com 60 dias de idade e sabor que lembra o primo que só vai à aldeia no Natal, que fecha a porta a fingir que não tem fome.

O trilho, o moinho e a rola

O Trilho do Ribeiro de Albergaria são 6 km que se fazem em meia tarde — se levar mochila, se calhar leva sandes. Parte da igreja, passa pelo moinho do século XIX que agora é museu privado (abre quando o dono está), e sobe até ao Chão da Rola, onde a pedra granítica serve de sofá a quem quer ver o mundo de cima.

As lagoas temporárias são como as visitas da cunhada: aparecem sem avisar, trazem libélulas e rãs, e vão-se embora sem deixar número. Em setembro, abrem-se as portas para a vindima — há lagarada, mosto e sempre um tio que promete "só um copinho" e acaba a cantar fados de Oliveira do Bairro.

Ao segundo domingo de cada mês, o mercado na Praça da República é como feira da ladra, mas sem ladrões: queijo, mel de urze, pão de milho e cestos de vime que a mãe diz que são para o pão, mas depois servem para guardar meias. Na olaria, o galo de barro nasce outra vez — o mesmo que perdeu a cabeça no cruzeiro da entrada e agora é mascote da cidade, tipo herói local que ninguém conhece mas todos fotografam.

O barro vermelho endurece, o vinho aquece, mas o som da água no ribeiro é o que fica — como o nome do primeiro amor, que ninguém diz, mas toda a gente sabe.

Dados de interesse

Distrito
Aveiro
Concelho
Águeda
DICOFRE
010132
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 11 km
SaúdeHospital no concelho
Educação45 escolas no concelho
Habitação~1000 €/m² compra · 5.09 €/m² rendaAcessível
Clima15.7°C média anual · 1146 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

55
Romance
35
Familia
30
Fotogenia
55
Gastronomia
45
Natureza
20
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Águeda, no distrito de Aveiro.

Ver Águeda

Perguntas frequentes sobre Belazaima do Chão

Onde fica Belazaima do Chão?

Belazaima do Chão é uma freguesia do concelho de Águeda, distrito de Aveiro, Portugal. Coordenadas: 40.5237°N, -8.3386°W.

Quantos habitantes tem Belazaima do Chão?

Belazaima do Chão tem 472 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Belazaima do Chão?

Belazaima do Chão situa-se a uma altitude média de 218 metros acima do nível do mar, no distrito de Aveiro.

36 km de Coimbra

Descubra mais freguesias perto de Coimbra

Escapadas de fim de semana, natureza e patrimonio a menos de 50 km.

Ver todas
Ver concelho Ler artigo