Vista aerea de Loureiro
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Aveiro · CULTURA

Loureiro: fumeiro, rio Ul e pedra barroca em Aveiro

Freguesia de Oliveira de Azeméis onde o fumeiro resiste, o rio Ul serpenteia e a pedra conta séculos

3638 hab.
108.8 m alt.

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Festas e romarias em Oliveira de Azeméis

Fevereiro
Festa de São Brás Dias 2 e 3 festa popular
Agosto
Festas de La Salette Dias 23 e 24 festa popular
ARTIGO

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Freguesia de Oliveira de Azeméis onde o fumeiro resiste, o rio Ul serpenteia e a pedra conta séculos

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O fumo sobe preguiçoso pela chaminé, tão espesso que se agarra à garganta. Nas casas mais antigas, ainda se penduram os chouriços na lareira onde a aventa deixou marcar o teto — o fumeiro não é posto para os turistas, é porque o porco ainda se mata em Janeiro e a carne tem de durar o ano todo. Quando o vento está virado, o cheiro a alheira percorre a Rua do Meio e lembra-me sempre as tardes de Domingo em que o meu pai descascava alhos ao sol.

O rio que mais parece ribeira

O Ul não é rio para barcos — é um fio de água que se perde entre caniços e pedras, onde as crianças ainda vão apanhar pintos de água nos dias de Verão. Às seis da manhã, quando as vacas descem dos pardieiros, ouve-se o barulho das cadeias a ranger e o murmúrio da água que passa debaixo da ponte velha. Na Levada do Pego, as donas de casa ainda batem a roupa nas pedras, apesar das máquinas de lavar. O trilho que vai até à Serra tem um cheiro a esteva que se agarra à roupa — e no cimo, vendo-se a fábrica da Caima a escorrer fumo branco, lembrando-nos que a cidade está ali mesmo.

A igreja que perdeu o relógio

São Brás perdeu o relógio há anos — ficou a mostrar sempre as três e meia, mas ninguém se lembra de o arranjar. Por dentro, o cheiro a cera e a roupa guardada nas arrecadações mistura-se com o incenso antigo. Os bancos de madeira têm as pegadas de gerações: onde o meu avô dormia na missa das nove, onde eu aprendi a contar as bolhinhas do azulejo da "Multiplicação dos Pães". Na sacristia, o padre ainda guarda os andores cobertos de lençóis — quando sai a procissão em Fevereiro, o brass band da Banda Cultural abre caminho e as velhas choram sempre na mesma esquina.

As pegadas que ficam na lama

O Caminho de Santiago passa mesmo em frente ao Café Central. Às sete da manhã, os peregrinos pedem bicas e perguntam se é sempre assim de chuva. O Zé do cabeleireiro, que já foi caminhante, oferece-lhe um aguardente "para esquentar o peito" e conta-lhes que o albergue fica atrás da igreja, onde antigamente era o matadouro. Os peregrinos assinam o caderno que a Câmara pôs no centro de interpretação — mas o livro mais interessante é o do Café, onde alguém escreveu em alemão "Hier riecht es nach Zuhause" ("aqui cheira a casa").

O que se come mesmo

O caldo de nabos é o que a minha mãe faz: nabos da horta, feijão que esteve de molho desde ontem, e um chouriço de porco preto que o meu tio trouxe de Vale de Cambra. Serve-se em tigela de barro queimada, com um fio de azeite que faz lagoas douradas. O bacalhau à lagareiro do restaurante "O Mealheiro" vem com batatas que sabem à terra onde nasceram — são da horta do Sr. Alfredo, que as traz num cabaz de vime. As queijadas de Loureiro não são como as de outras tantas terras: têm canela em pó e queijo fresco da Quinta do Pego, e a massa frita em banha de porco como manda a tradição. Quem as come em jejum, peca.

O que ainda se faz por aqui

Em Fevereiro, a procissão de São Brás desce a estrada nacional com o trânsito parado — os motoristas irritam-se, mas as crianças aproveitam para apanhar rebuçados quando o andor passa. No primeiro domingo de Maio, vai-se à Senhora da Saúde a pé, descalço quem prometeu — e há sempre quem vá por causa da cegonha que pousou no campanário e "foi sinal". As Janeiras já não se cantam em muitas casas, mas ainda há três vizinhos que se juntam com a concertina e a pandeireta — e a minha avó guarda um rei de cartão desde 1978 que ninguém se atreve a deitar fora.

O moinho do Pego mói quando o Zé Manel quer mostrar aos netos: faz-se a mó girar, cai farinha branca na caçamba de madeira, e o cheiro é o mesmo de quando eu tinha dez anos e ajudava o meu avô a levar o milho. A águda corre sempre pela mesma levada de pedra, mesmo quando o Verão seca tudo à volta — e é esse o barulho que me adormece nas noites em que volto à aldeia, sabendo que o tempo em Loureiro não passa: apenas se acumula, como o pó dourado que cobre os retábulos da igreja.

Dados de interesse

Distrito
Aveiro
DICOFRE
011304
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 5.2 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~1000 €/m² compra · 4.35 €/m² rendaAcessível
Clima15.7°C média anual · 1146 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

30
Romance
45
Familia
30
Fotogenia
45
Gastronomia
30
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Loureiro

Onde fica Loureiro?

Loureiro é uma freguesia do concelho de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro, Portugal. Coordenadas: 40.8020°N, -8.5167°W.

Quantos habitantes tem Loureiro?

Loureiro tem 3638 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Loureiro?

Loureiro situa-se a uma altitude média de 108.8 metros acima do nível do mar, no distrito de Aveiro.

41 km de Porto

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