Vista aerea de São João de Negrilhos
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Beja · CULTURA

São João de Negrilhos: entre sobreiros e regos de água

Freguesia alentejana com ermida do século XVII e arquitetura rural típica no planalto de Beja

1360 hab.
91.7 m alt.

O que ver e fazer em São João de Negrilhos

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Aljustrel

Junho
Festa da Cereja de Aljustrel Fim de maio ou início de junho feira
Romaria de São João 24 de junho romaria
Agosto
Festas de Nossa Senhora do Castelo Primeiro fim de semana de agosto festa religiosa
ARTIGO

Artigo completo sobre São João de Negrilhos: entre sobreiros e regos de água

Freguesia alentejana com ermida do século XVII e arquitetura rural típica no planalto de Beja

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O sol da manhã ainda não queima quando o cheiro a terra molhada sobe dos regos. Aqui não há sobreiros altos — o que se vê são azinheiras baixas e olivais tortos, e os campos de tomate em socalcos que o trator desce aos solavancos. São João de Negrilhos acorda com o ranger da cancela do Sr. Joaquim, que sai às seis para regar o milho antes que o vento de levante leve a água. A planície, essa, é real: 91 metros acima do mar, sim, mas parece menos, porque o horizonte é uma régua.

A aldeia aparece primeiro num papel de 1532 como "Aldeia de Negrilhos" — ninguém sabe ao certo de onde vem o nome; os mais velhos dizem que era por causa dos negrilhos, ervas que cresciam no charco onde hoje está o tanque da Câmara. Só mais tarde, já depois da igreja ter sido mandada construir por D. Francisco de Lemos em 1808, é que o padre Amaro começou a insistir no São João. A igreja é pequena, com a parede principal rachada desde o terramoto de 1969; por dentro cheira a cera e a roupa guardada, e o tecto de madeira estala quando alguém se ajoelha nos degraus da nave.

Ermida que ninguém fecha

Na Herdade do Monte S. João, a ermida de Santa Margarida não tem chave desde 1952. A porta abre-se empurrando com o ombro: dentro há uma meia dúzia de bancos de madeira, um cálice de lata e um quadro com a santa descascada. Pousa-se o olhar no chão de terra batida e vêem-se pegadas de javali — vêm-se todos os anos, à volta da capela, as laranjas que ninguém colhe. Quatro séculos parecem pouco quando se está ali: o tempo é o mesmo cheiro a esteva de fora.

A arquitectura é o que sobrou: casas baixas, portas azuis que já foram verdes, chaminé larga para caber a lenha do sobreiro. Nos lugares — Montes Velhos, Aldeia Nova, Jungeiros — as moradias novas de tijolo aparecem ao lado das antigas, mas ainda se faz telhado com meia-canha e ainda se amanha a parede com cal viva. São 78 km², sim, mas o que importa é que do centro até ao fim da estrada demora dezasseis minutos de carro, contando com a paragem para fechar a cancela das vacas.

Rega que veio de baixo

O montado não desapareceu — apenas foi para cima das colinas. Em baixo, a água do Alqueida chegou em 2006 e transformou a terra pobre em tabuleiro de tomate. Agora há pivots que apitam às três da manhã e camiões que saem carregados para Espanha. Ainda se tira cortiça, mas é negócio de gente com tempo: um sobreiro bem tratado dá cortiça de seis em seis anos, tempo suficiente para um neto nascer e outro ir para a Universidade de Évora.

À mesa, o que muda é o dia da semana. Há açorda quando o pão está duro; ensopado de borrego só em festa — a carne do Sr. Aníbal desfia-se mesmo, porque ele corta na faca o que mata na quinta. No Verão, sopa de tomate com hortelã da ribeira; no Inverno, migas com couve e toucinho. O queijo é sempre de Serpa, mas comprado na fábrica de Vale de Vargo, onde ainda se pode ver a coalhada a escorrer no pano de algodão.

Feira que traz primos

A feira de Abril é no recinto de ferro junto ao posto de combustível. Vêm-se tias que não se viam desde o funeral do Zé Carlos, vendem-se alicates chineses e leitões de 7 quilos. Em Junho, a procissão de São João desce a rua principal com a banda filarmónica a tocar fora de tom; à noite há bifanas e imperial a 1,50 €, e os rapazes de Aljustrel vêm para ver se arranjam namorada. Entre estes dias, o calendário é feito de missa de sétima quando alguém morre, de bola no campo de terra quando o dia alonga, de café no Celeiro antes de ir para a horta.

Quem quiser passear deve deixar o carregador do telemóvel em casa. O trilho do Monte S. João começa no cruzamento onde há um moinho de vento sem aspas: segue-se o vale até ao ribeiro, sobe-se pela encosta onde as estevas são altas o suficiente para esconder uma criança. Ao entardecer, quando o sol se põe atrás da escarpa e o girassol fica dourado como pão torrado, ouve-se o primeiro cão ladrar e sente-se o cheiro a lenha que alguém acendeu para o jantar. É nessa hora — entre a luz que desaparece e o fumo que sobe — que Negrilhos mostra o que é: um sítio que não pede visitas, mas aceita quem fica.

Dados de interesse

Distrito
Beja
Concelho
Aljustrel
DICOFRE
020104
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 15.8 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~584 €/m² compra · 5.11 €/m² rendaAcessível
Clima18.1°C média anual · 495 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

35
Romance
30
Familia
25
Fotogenia
40
Gastronomia
30
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre São João de Negrilhos

Onde fica São João de Negrilhos?

São João de Negrilhos é uma freguesia do concelho de Aljustrel, distrito de Beja, Portugal. Coordenadas: 37.9642°N, -8.2410°W.

Quantos habitantes tem São João de Negrilhos?

São João de Negrilhos tem 1360 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de São João de Negrilhos?

São João de Negrilhos situa-se a uma altitude média de 91.7 metros acima do nível do mar, no distrito de Beja.

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