Vista aerea de São Marcos da Ataboeira
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Beja · CULTURA

São Marcos da Ataboeira: onde o sino marca o tempo

Igreja barroca, moinho etnográfico e memórias de tecelagem na planície alentejana de Castro Verde

260 hab.
207.5 m alt.

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Festas e romarias em Castro Verde

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ARTIGO

Artigo completo sobre São Marcos da Ataboeira: onde o sino marca o tempo

Igreja barroca, moinho etnográfico e memórias de tecelagem na planície alentejana de Castro Verde

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O sino da Igreja de São Marcos bate três vezes ao meio-dia e o som vai-se abaixo pela planície, raspa nos muros de pedra e morre junto dos sobreiros. As ovelhas nem se incomodam: já sabem que é hora. Aqui, no Campo Branco, o silêncio é como aquela cerveja que o Zé Manel serve no bar: parece curto, mas chega para acompanhar o dia inteiro. Entre o ranger das azinheiras e o trinar das garças-boieiras, ainda se ouve o tractor do Joaquim a levantar nuvens de pó que parecem saídas dum western de má qualidade — mas são nossas.

A charca que deu nome ao lugar

Ataboeira vem do árabe al-ta'bayra, «a charca». Dizem os mais velhos que, se deixar a conversa correr, ainda hoje se encontram nas ribeiras os sapatos perdidos dos franceses — os pobres entraram nas águas a pensar que era coisa de centímetros e afogaram-se em promessas de Wellington. Hoje, os únicos invasores são os colhereiros que descem nos dias frios e os miúdos da vila que se atiram às poças como se fossem praias privadas. A igreja lá está: uma nave, uns azulejos que contam a vida de São Marcos (o evangelista, não o dono da mercearia) e um pelourinho que o pessoal da junta decidiu mudar para junto da porta, talvez para lembrar que os tempos de mandar na aldeia já lá vão.

O moinho e a memória das mãos

No alto, o moinho de vento converteu-se em museu — leia-se: sala com duas xícaras partidas e uma prensa de azeite que ninguém ousa tocar. Mas se marcar com a D. Idalina, ela mostra-lhe o tear da avó Quitéria, que teceu até aos 90 anos e morreu com a conta feita: «morri como vivi, com a linha na mão». As netas ainda fazem demonstrações, mas já confessam que o segredo era o copo de aguardente a meio da tarde — «para o tear não desgatar as unhas». Do lado de fora, as pás rangem como os joelhos do Ferrador Manuel, que jurava que o vento lhe dava conselhos: «vai devagar, que a pressa é dos tolos».

Borrego assado e aguardente de medronho

A 25 de Abril, dia de São Marcos, a aldeia cheira a borrego queimado e a política. O forno da cooperativa enche-se de assaduras regadas com vinho branco que o António faz na garagem — diz ele que é levemente adocicado, mas quem bebe garante que é só falta de açúcar. À mesa, o queijo Serpa vem com compota de figo-da-Índia que a D. Lurdes faz de óculos na ponta do nariz, e o toucinho-do-céu é tão doce que até o padre perdoa os pecados de anteontem. Ao fim da tarde, distribuem-se garrafas de medronho com um grão de café lá dentro — «dá cor e desculpa para beber mais um copo», resume o sr. Presidente da Junta.

A rota da azinheira e o pôr do sol no Campo Branco

O trilho «Rota da Azinheira» são 8 km de subida que começam na porta da igreja e acabam no lugar onde o Zé dos Altos plantou um banco de cimento para ver o pôr do sol. Lá em cima, o Guadiana parece uma fita perdida e o Campo Branco estende-se como um tapete de cortiça que alguém esqueceu de enrolar. No Outono, o chão fica escorregadio de bolotas e o cheiro a terra molhada lembra o pão que a avó metia ao lume. Quando o sol se põe, o silêncio é tão grosso que dá para ouvir o próprio estômago a lembrar que o borrego já foi há horas.

Quando a noite cai, o espigueiro comunitário projeta uma sombra que parece querer abraçar o largo. Lá dentro, espigas de milho esperam desde 1950 — ninguém as quer, mas ninguém ousa tirá-las. É como a tradição: não serve para nada, mas ocupa o sítio certo. E no ar fica o cheiro a lenha que saía das lareiras, misturado com o aroma da aguardente que o Aníbal destila na cave, mesmo com a mulher a dizer que aquilo é «negócio de doidos». Mas, entre nós, quem é que lhe vai dizer que a aldeia inteira compra lá?

Dados de interesse

Distrito
Beja
Concelho
Castro Verde
DICOFRE
020605
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 35.4 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~514 €/m² compra · 5 €/m² rendaAcessível
Clima18.1°C média anual · 495 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
35
Familia
35
Fotogenia
50
Gastronomia
35
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre São Marcos da Ataboeira

Onde fica São Marcos da Ataboeira?

São Marcos da Ataboeira é uma freguesia do concelho de Castro Verde, distrito de Beja, Portugal. Coordenadas: 37.7043°N, -7.9209°W.

Quantos habitantes tem São Marcos da Ataboeira?

São Marcos da Ataboeira tem 260 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de São Marcos da Ataboeira?

São Marcos da Ataboeira situa-se a uma altitude média de 207.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Beja.

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