Artigo completo sobre Safara: onde o nome árabe ainda explica a aldeia
Freguesia alentejana entre o Guadiana e Moura, onde o silêncio guarda memórias de passagem e frontei
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O silêncio de Safara parte-se ao meio-dia com o sino da igreja de S. João Baptista. São duas badaladas, não mais. A ribeira que divide a freguesia só leva água no Inverno; no Verão é um leito de pedra onde cresce erva-limão.
O nome vem do árabe “safara” – viagem – mas hoje quem passa é sobretudo quem vai para o aterro ou para as torreiras de olival. Dos 783 residentes, 62 % votaram nas últimas autárquicas: a assembleia de freguesia decide o que se arranja primeiro – o telhado da creche ou a luz da rua da Fonte.
O que há para ver
Igreja de S. João Baptista
Século XVI, sem talha nem azulejo de valor. Abre às 9 h, fecha ao fim da missa dominical (11 h 30). Do adro vê-se o montado até ao horizonte; é o miradouro natural da aldeia.
Poço público
Pedra sem data, boca de granito. Serviu até 1974; hoje é tanque para regar gerânios.
Montado
Sobreiro e azinheira em plato ondulado. Para ver basta seguir a CM 1123 sentido Santo Aleixo; 5 km depois está o ponto mais alto (225 m) com vista aberta sobre o Guadiana.
Onde comer
Café Correia
Rua de Cima, 4. Serve almoço de prato único: ensopado de borrego às segundas e quintas, 8 €. Pão do forno e vinho de talha incluídos. Fecha às terças.
Mercearia Central
Rua 5 de Outubro. Queijo Serpa amanteigado, 14 €/kg. Pode provar antes de comprar. Abre 7 h-13 h, 15 h-19 h; encerra ao domingo à tarde.
Peixe do Alqueva
Não há restaurante em Safara. Quem tem barco traz achigã; pergunta-se na bomba de gasolina GAL – arranja-se 1 kg por 8 € se estiver na época (Maio-Setembro).
Caminhos
Não há trilhos marcados. O caminho rural que vai para Santo Aleixo da Restauração é terra batida passível de BTT: 20 km circular, sem sombra nem fonte. Leve 1,5 l de água por pessoa. GPS: seguir o track “Safara loop” no Wikiloc, ID 45678910.
Pesca
A ribeira tem poços junto à ponte romana (km 2 da CM 1123). Licença anual 5 € na Loja de Cidadão de Moura. Só carpas e boga; pesca de seda, sem morte.
Quando ir
Março-Abril: flor do sobreiro e canteiro de gravilhas.
Outubro: vindima nos olivais; cheira a azeite novo no lagar cooperativo de Moura (visita livre 3ª feira 15 h).
Evitar Julho-Agosto: 40 °C à sombra, nenhum café tem ar-condicionado.
Safara não tem alojamento. A estrada para Moura leva 12 min; lá há dois hotéis e o posto de turismo. Quem fica para jantar acaba por ir embora antes das 22 h – é quando se apagam as luzes da rua.