Vista aerea de Boavista dos Pinheiros
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Beja · CULTURA

Boavista dos Pinheiros: a freguesia mais jovem de Odemira

Nascida em 2001, une pinhais, indústria e memória recente no coração do vale do Mira

1975 hab.
76 m alt.

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Áreas protegidas

Festas e romarias em Odemira

Julho
Festival do Mar e da Ria Segundo fim de semana de julho festa popular
Agosto
Feira de São Lourenço 10 de agosto feira
Festa da Nossa Senhora da Boa Viagem 15 de agosto festa religiosa
ARTIGO

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Nascida em 2001, une pinhais, indústria e memória recente no coração do vale do Mira

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O pó da estrada assenta devagar nas margens do vale do Mira. Ao fundo, entre pinheiros que se perdem na linha do horizonte, ouve-se o murmúrio discreto da nascente da Pipa, que abastece a horta de José Marques desde 1958. Aqui, a setenta e seis metros de altitude, Boavista dos Pinheiros estende-se como um território recente — nascido em 19 de abril de 2001, quando o Diário da República publicou o decreto 23/2001 que desanexava 37,8 km² de São Salvador e Santa Maria. O nome não mente: do alto do Cepinho vê-se longe, até onde a charneca de S. Domingos encontra a serra de Monchique. E os pinhais, plantados em 1926 durante a campanha de reflorestação do Estado Novo, marcam cada curva da EN393 como uma assinatura verde.

Uma freguesia que ainda cheira a novo

Abril de 2001 trouxe mais do que a primavera. Trouxe autonomia a 1.847 habitantes que desde 1993, ano da primeira petição entregue na Câmara de Odemira, lutavam pela separação. Horácio de Oliveira Gonçalves, sapateiro de profissão, tornou-se o primeiro presidente da Junta em 16 de dezembro de 2001, com 73% dos votos num acto que reuniu 62% de participação — números que ainda hoje se discutem no Café Central, aberto desde 1987. É uma história curta, sem séculos de pergaminhos nem lendas de mouros — mas é história viva, contada por Maria do Céu, 78 anos, que guarda em casa o original da petição com 1.236 assinaturas.

Não há igrejas classificadas nem castelos em ruína. O que existe é o Parque das Águas, inaugurado a 15 de maio de 2004, onde funcionou entre 1974 e 1999 a ETA (Estação de Tratamento de Água) que servia Odemira e Salvador. As crianças correm entre os 3,2 hectares de carvalhos-alvarinhos plantados em 2005; os mais velhos sentam-se no banco onde António "Tozé" used to controlar as válvulas da ETA, recordando quando a água chegava turva às torneiras. O parque integra o Polo de Educação Ambiental Sítio da Costa Sudoeste, gerido pela Câmara desde 2006, ponte concreta entre a vida quotidiana e o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina a 18 km.

O pulso industrial e o ritmo agrícola

Chamam-lhe o «Pulmão Industrial de Odemira», expressão cunhada por Jorge Valente, presidente da Câmara em 2008, quando o Parque Industrial ocupava já 22 hectares. São 37 empresas instaladas desde 2003, da Simoldes Plásticos à Iberol, passando pela Frutineves que emprega 180 pessoas na campanha da ameixa. É uma dualidade sem conflito: às 7h45, o autocarro da Frutineves apanha os trabalhadores junto ao Café Regional; às 8h, as galinhas do Henrique soltam-se ainda pelo caminho de terra batida que separa a fábrica da sua horta de 2 hectares. Nas 37,8 km² da freguesia, os 1.975 habitantes (dados provisórios de 2023) geram 14% do PIB de Odemira — número oficial da Câmara.

Agosto traz a Festa em Honra de Nossa Senhora da Boavista, organizada pela Comissão de Festas desde 2002. Durante três dias, o coreto montado na Praça 19 de Abril recebe os GNR de Lisboa que regressam aos avós, enquanto a Filarmónica Cultural de Odemira toca o mesmo repertório desde 1987. Não é uma romaria de multidões — são cerca de 3.500 presenças ao longo do fim-de-semana, contadas pela PSP — mas tem o peso justo dos reencontros e das promessas cumpridas no adro da igreja de 1953. Em maio, a feira anual do segundo domingo repete o ritual — 72 bancas de ferragens, tecidos da Antónia, queijos curados do Zé "da Serra", conversas pausadas entre quem se conhece pelo nome próprio desde a escola primária, fechada em 2011.

Caminhar entre nascentes e pinhais

Os trilhos que rasgam a charneca não têm sinalização turística elaborada. Seguem a lógica antiga dos caminhos de água: o da Pipa, que desce 2,3 km até ao Mira; o do Carrascal, onde a nascente secou em 2012 mas o nome ficou; o da Fonte Santa, onde as mulheres lavavam roupa até 1978. O vale do Mira, a 4 km de distância em linha recta, desenha meandros onde a vegetação se adensa — salgueiros portugueses junto às margens, pinheiros bravos nas encostas norte, eucaliptos plantados em 1998 na herdade da Frutineves. O silêncio aqui tem textura: é denso como a resina que escorre dos troncos de 80 anos, fresco como a água que brota a 14°C das nascentes escondidas entre xistos cambrianos.

Ao entardecer, quando a luz rasante doura os pinhais plantados por mão de presidiários em 1926 e as sombras se alongam sobre as hortas regadas por gotejamento desde 2015, Boavista dos Pinheiros revela-se no que tem de mais concreto: o ranger do portão da D. Idalina, construído em 1963 com madeira de pinheiro do próprio monte; o fumo branco que sobe da chaminé do Zé "do Prego", onde ainda se queima eucalipto; o perfume adocicado da terra de xisto acabada de regar, misturado com o cheiro a cortiça do sobreiro centenário que sobreviveu ao incêndio de 2003. Não é preciso procurar monumentos. Basta deixar que o vale respire ao seu ritmo — lento, industrial e agrícola ao mesmo tempo, jovem de certidão (22 anos) mas enraizado no gesto repetido de quem conhece cada nascente pelo nome que os pais lhe ensinaram.

Dados de interesse

Distrito
Beja
Concelho
Odemira
DICOFRE
021116
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 15.8 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~1392 €/m² compra · 5.12 €/m² renda
Clima18.1°C média anual · 495 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

35
Romance
50
Familia
25
Fotogenia
50
Gastronomia
40
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Boavista dos Pinheiros

Onde fica Boavista dos Pinheiros?

Boavista dos Pinheiros é uma freguesia do concelho de Odemira, distrito de Beja, Portugal. Coordenadas: 37.5638°N, -8.6391°W.

Quantos habitantes tem Boavista dos Pinheiros?

Boavista dos Pinheiros tem 1975 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Boavista dos Pinheiros?

Boavista dos Pinheiros situa-se a uma altitude média de 76 metros acima do nível do mar, no distrito de Beja.

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