Ermida de Sta. Luzia, (Pias, Serpa)
José Prego · CC BY 2.0
Beja · CULTURA

Pias: Entre Sinos, Montados e a Memória Medieval

Freguesia alentejana onde a Igreja Matriz marca o tempo e o borrego pasta nos montados de Serpa

2542 hab.
163.5 m alt.

O que ver e fazer em Pias

Património classificado

  • IIPCastro da Azougada
  • IIPErmida de Santa Luzia (Pias)

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Serpa

Maio
Romaria de Nossa Senhora de Guadalupe Primeiro domingo de maio romaria
Junho
Feira de São João 24 de junho feira
Festa de Santo António 13 de junho festa popular
Novembro
Festa do Azeite Fim de semana de 15 de novembro feira
ARTIGO

Artigo completo sobre Pias: Entre Sinos, Montados e a Memória Medieval

Freguesia alentejana onde a Igreja Matriz marca o tempo e o borrego pasta nos montados de Serpa

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O sol ainda não aqueceu de todo quando o som do sino da Matriz corta o silêncio. Pareceu-me sempre maior do que é, talvez porque a planície o amplifica: ressoa nos muros caiados, perde-se nos montados onde a terra começa a ondular. Cheira a terra solta e a sobreiro, misturado com o fumo da primeira lenha que alguém atiçou. Aqui, a 163 metros, Pias é aquilo que o mapa diz – freguesia de Serpa – mas é mais: é o sítio onde ainda se faz tempo ao tempo.

Pedra e fé no rasto medieval

Dizem que o nome vem do latim pia, mas o que eu sei é que há pedra que fala. A Igreja Matriz, com aquele portal manuelino que parece feito de massa de amêndoa, está ali desde que me lembro. Lá dentro, a luz entra de lado e pinta os altares de dourado, como quando a Olga da mercearia embrulha os bolos em papel de seda. A capela de São Sebastião, ao lado, é o oposto: miudinha, paredes grossas, um sino que parece de brincar. As duas juntas são como o Zé Manel e o irmão: um gosta de fato domingo, o outro vai sempre de chinela, mas são da mesma família.

O sabor da terra e do rebanho

O borrego que se come aqui é o mesmo que pastou no montado onde fui buscar cogumelos outro dia. A carne, depois de sete horas no tacho com alecrim e um dente de alho a mais (sempre a mais), fica tão tenra que se desfaz só de olhar. O queijo é outra história: o da Helena, quando está com três meses, tem aquela casca meio rugosa que lembra a pele do meu avó depois do campo. Come-se com pão que ainda está quente, sentado à mesa da cozinha, porque na sala é para as visitas.

Onde o Guadiana desenha a paisagem

O rio fica a leste, mas sente-se por todo o lado. É ele que decide o verde dos vales, o sítio onde o javali passa, a altura em que o medronho amadurece. Há um trilho que vai da ponte até ao moinho do Mestre André – são quatro quilómetros, mas leva-se uma eternidade porque se pára para espantar perdizes e se apanham romãs silvestres. Ao fim da tarde, a luz rasante transforma a terra numa tigela de cobre. É nessa hora que os storks lá em baixo parecem de porcelana.

Viver no ritmo da planície

Dos 2542 residentes, 700 já têm idade para receber a pensão e contar tudo ao cêntimo. Mesmo assim, há quem abra um quarto para estranhos, quem faça doce de abóbora para vender na feira de Serpa, quem restaure uma casa onde o teto estava a cair. Às três da tarde não se ouve um gato, mas às seis as cadeiras voltam para fora das portas e o café enche-se de conversa que vai de São Marcos a São Bento, passando pelo preço do gasóleo. Quando o sino toca novamente, já toda a gente sabe que é hora de ir para casa – uns para o Jornal Nacional, outros para a telenovela, os mais teimosos para a esplanada onde o vinho tinto é servido em copos de 200 ml, como manda a lei não escrita.

À noite, quando as luzes se acendem uma a uma e o cão do Nunes ladra para a lua, o silêncio é tão grosso que se quase se mastiga. Mas não é vazio: tem dentro o ranger da cama da D. Idalina, o apito longo do comboio que vai para Beja, o murmúrio do Guadiana que ninguém ouve mas toda a gente conhece. Pias não se explica em brochuras: prova-se num prato de ensopado, mede-se num passeio até ao rio, guarda-se na memória como quem guarda um papel de pastilha Elástica no bolso.

Dados de interesse

Distrito
Beja
Concelho
Serpa
DICOFRE
021303
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 30.5 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~561 €/m² compraAcessível
Clima18.1°C média anual · 495 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

40
Romance
55
Familia
40
Fotogenia
40
Gastronomia
45
Natureza
30
Historia

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Perguntas frequentes sobre Pias

Onde fica Pias?

Pias é uma freguesia do concelho de Serpa, distrito de Beja, Portugal. Coordenadas: 38.0844°N, -7.5204°W.

Quantos habitantes tem Pias?

Pias tem 2542 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Pias?

Em Pias pode visitar Castro da Azougada, Ermida de Santa Luzia (Pias). A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Pias?

Pias situa-se a uma altitude média de 163.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Beja.

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