Vista aerea de União das freguesias de Alvito (São Pedro e São Martinho) e Couto
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Braga · CULTURA

Alvito e Couto: onde o Neiva dita o ritmo agrícola

União de freguesias em Barcelos preserva moinhos, arrozais e memórias barrocas junto ao rio

1446 hab.
120.7 m alt.

Festas e romarias em Barcelos

Abril
Festa das Cruzes 25 de abril a 3 de maio festa popular
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União de freguesias em Barcelos preserva moinhos, arrozais e memórias barrocas junto ao rio

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O som chega antes da imagem: o bater irregular das pás de madeira do moinho do Souto, o murmúrio do Neiva que se ouve melhor ao virar da estrada de terra batida. Aqui, na União de Alvito e Couto, a paisagem desce aos poucos em socalcos que já ninguém mexe - os mais novos partiram, os mais velhos não aguentam. Ainda sobrevivem alguns arrozais entre vinha de ramo curto, mas o que domina é o mato a subir onde antes havia milho. A 120 metros de altitude, o ar fica pesado com a humidade que sobe do rio e os dias de neblina atrasam a colheita das laranjas.

Pedra, talha e a porta que nunca se fecha

A Igreja de São Pedro guarda o cheiro a cera queimada e a roupa guardada. No interior, o retábaro dourado tem um anjo com asas partidas que ninguém repara - as pessoas dirigem-se logo à imagem de São Gonçalinho, deixando as suas ex-votos de cera em pilhas que crescem ao longo do ano. Em Couto, a Igreja de São Vicente tem a porta sempre aberta porque o sacristão vive ao lado e ouve-se o rádio enquanto se fazem as contas das missas. O cruzeiro junto à ponte tem uma inscrição que se lê mal, mas o que se sabe é que foi promessa de um abade que sonhou com a peste - acordou a suar e mandou fazer o cruzeiro no dia seguinte. Durante obras na Igreja de São Martinho, encontraram ossos e um prato árabe quebrado que agora está no museu, mas quem aqui vive sabe que há mais história enterrada sob as pedras do adro do que no próprio museu.

No trilho dos peregrinos e dos que vão ao café

O Caminho de Santiago passa aqui, mas os peregrinos já não param como antigamente - vão de cabeça baixa, olhando para o telemóvel. Os locais reconhecem-nos pelas botas e pela pressa, ao contrário dos agricultores que sobem a estrada de mão dada com o tempo. O Trilho do Neiva tem as placas partidas e os passadiços que rangem, mas ainda é possível ver as garças quando o rio traz água suficiente. No Entrudo, os rapazes põem máscaras de papel colorido que as mães ajudam a fazer - não é tradição antiga, é coisa que voltou há poucos anos quando alguém se lembrou que havia fotos disso no arquivo da escola.

Fumeiro, sarrabulho e o que sobrou do jantar

O arroz de sarrabulho faz-se no dia de matança, quando se junta o sangue com os temperos e se deixa apurar. O segredo é a pimenta-da-terra que ainda se compra no mercado de Barcelos - o resto é paciência. Os rojões levam colorau que vem de lá também, fritos em banha de porco que se guarda desde o inverno. A broa é de milho daqui, mas já ninguém mói no moinho - vai-se à padaria early de manhã, quando ainda está quente e se parte com os dedos. O fumeiro caseiro é verdade: nas casas com terreno, ainda se faz chouriço com carne de porco criado em casa, mas é cada vez menos. O vinho verde vem em garrafões de cinco litros que se trocam por favores - não é da sub-região, é do quintal do Zé que tem as vinhas na encosta.

Maio em procissão, novembro em magusto

A Festa das Cruzes é quando as mulheres tiram os bordados dos armários e os homens limpam as esplanadas que estão fechadas desde o Natal. As procissões à noite levam as velas que se compram na loja do Chinese e as flores que sobraram do cemitério. Em junho, a procissão de São Pedro desce até ao rio, mas depende da chuva - se o Neiva está cheio, faz-se só até ao cruzeiro. O magusto de São Martinho é no adro da escola, com castanhas que se compram porque as castanheiras já não produzem como dantes. No Centro do Linho, a D. Lurdes mostra como se fazia a roca, mas são os turistas que perguntam - os locais já viram e sabem que foi trabalho que partiu as costas às suas mães.

Ao fim da tarde, o fumo sobe direito das chaminés que ainda queimam lenha de pinho porque o carvalho é caro. O cheiro mistura-se com o da terra molhada quando o Neva trasporta e se ouvem as campainhas das vacas que ainda pastam nos campos mais altos. Nas quintas onde se marca visita, o vinho serve-se em copos de plástico pequenos - não é por ser fino, é porque os copos de vidro partem-se e estes são descartáveis.

Dados de interesse

Distrito
Braga
Concelho
Barcelos
DICOFRE
030291
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~1152 €/m² compra · 4.76 €/m² renda
Clima15.3°C média anual · 1697 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
40
Familia
25
Fotogenia
35
Gastronomia
30
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Alvito (São Pedro e São Martinho) e Couto

Onde fica União das freguesias de Alvito (São Pedro e São Martinho) e Couto?

União das freguesias de Alvito (São Pedro e São Martinho) e Couto é uma freguesia do concelho de Barcelos, distrito de Braga, Portugal. Coordenadas: 41.6023°N, -8.5963°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Alvito (São Pedro e São Martinho) e Couto?

União das freguesias de Alvito (São Pedro e São Martinho) e Couto tem 1446 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de União das freguesias de Alvito (São Pedro e São Martinho) e Couto?

União das freguesias de Alvito (São Pedro e São Martinho) e Couto situa-se a uma altitude média de 120.7 metros acima do nível do mar, no distrito de Braga.

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