Vista aerea de Fornelos
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Braga · CULTURA

Fornelos: onde o Cávado encontra o Caminho de Santiago

Fornelos, em Barcelos, Braga, preserva memória medieval entre o rio Cávado, a Rota Jacobeia e festas tradicionais como as Cruzes de Maio e o magusto.

803 hab.
82 m alt.

Festas e romarias em Barcelos

Abril
Festa das Cruzes 25 de abril a 3 de maio festa popular
ARTIGO

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Fornelos, em Barcelos, Braga, preserva memória medieval entre o rio Cávado, a Rota Jacobeia e festas tradicionais como as Cruzes de Maio e o magusto.

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O sino de São Martino não soa, rebenta. Primeiro um trovão curto, depois o eco que se arrasta pelas telhas de grena e cai pelos cantos das casas como pano de poeira. Abaixo, o Cávado leva a água turva de ontem e traz a de amanhã; no espelho do rio os patos-domésticos parecem barcos a vapor. Em maio as raparigas cortam nespereiras às escondidas para encher o arco da procissão — não é flores que se põe, é o cheiro do limoeiro em flor que se vai preso ao cabelo com elástico.

Pedra e devoção no caminho de Santiago

Fornelos deve o nome à cal que queimava nos fornos do outeiro; dizia-se "vou aos fornos" e o nome ficou. O documento mais antigo é um foral de 1515, mas o povo afirma que a igreja já existia quando o primeiro galo cantou. O portal romano é baixo — os cavalos de Alfonso VII esfolaram aqui os joelhos — e dentro há um Cristo de madeira com a boca aberta como quem pede um gole de água. Quem vem a pé por Milhá, cheira antes de ver: o estrume está a curtir no campo e o cheiro sobe a mesma encosta que os peregrinos descem.

A ponte tem três arcas romanas seguidas por duas reconstruções; na seca mostra-se o velho calhau, na cheia esconde-se debaixo de água barrenta. Quem a atravessa de manhã leva o sapato cheio de orvalho e o estômago a ranger — às sete e meia o café Central já tem o pão quente fora do forno e a manteiga derretida na broa.

Cruzes floridas e castanhas ao lume

A Festa das Cruzes começa na tarde de sexta-feira quando as mulheres do lugar se juntam no adro e partir ramagens à faca de cozinha. Cada casa faz o seu arco: umas usam cravinas que vieram de Barcelos de carrinha da Rosa, outras vão ao quintal buscar alecrim e flexas de loureiro. Não há prémio, há birra — quem tem o arco mais alto é porque tem o filho mais alto e quem tem o filho mais alto é porque deu de comer. À noite o rancho toca o Vira até a terra tremer; nos tachos de ferro o leitão vira-se inteiro, a pele estala como pastilha e a gordura pinga na brasa e faz chama.

Em novembro o magusto é na eira da escola antiga. Os rapazitos trazem castanhas no capucho do casaco e os velhos trazem vinho em garrafa de plastico verde. Quem não tem dentes mastiga com os da frente deleito; o vinho novo ainda está a fazer segunda fermentação e borra-se o copo, mas ninguém se importa — o sabor é a uva que não se aguentou na parra.

Rojões, enchidos e o verde da vinha

No domingo, antes da missa das onze, o forno da padaria já tem os tabuleiros de barro com o rojão a estalar. A marinha vem de Campos, o colorau vem da loja do Zé Múcho, o alho é do quintal. A croça forma-se sozinha se o forno estiver direito; se não estiver, a Dona Guida vai lá de xale na cabeça e abana o teto com a pá até o fogo se decidir.

No fumeiro da cave pendem dois chouriços de carne e um de sangue; o fumo de carvalho entranha-se na roupa que se estende no cordel e a vizinha de cima queixa-se que o blusão "cheira a fogueira". As papas de sarrabulho só se fazem quando a matança dá para encher o tacho de cobre — é dia de pôr a mesa na adega e de abrir a garrafa do vinho do ano passado que já perdeu a foça e ganhou corpo.

Entre vinhas e ecovias

A ecovia prometida anda para lá há dez anos; por enquanto é só o trilho que os miúdos usam para ir apanhar morangos-do-mato. A paisagem não precisa de promessa: a vinha sobe em socalcos tão estreitos que o burro tem de vir de lado, o milho cresce até tapar a porta das casas abandonadas e o carvalho da Levada tem um nó que serve de marca aos pescadores — "quando vir o nó, já vai a meio".

Ao cair da tarde o sol bate na fachada da casa do cimo e reflete para dentro da igreja, ilumina o olho direito do santo madeirense. O sino bate três vezes sem ordem — é o sacristão que tem o despertador adiantado. As sombras esticam-se sobre o aduelo e o Cávado leva o reflexo dourado como quem leva uma moeda ao fundo do bolso.

Dados de interesse

Distrito
Braga
Concelho
Barcelos
DICOFRE
030234
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 7.1 km
SaúdeHospital no concelho
Educação86 escolas no concelho
Habitação~1152 €/m² compra · 4.76 €/m² renda
Clima15.3°C média anual · 1697 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
35
Familia
25
Fotogenia
35
Gastronomia
30
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Fornelos

Onde fica Fornelos?

Fornelos é uma freguesia do concelho de Barcelos, distrito de Braga, Portugal. Coordenadas: 41.5111°N, -8.6873°W.

Quantos habitantes tem Fornelos?

Fornelos tem 803 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Fornelos?

Fornelos situa-se a uma altitude média de 82 metros acima do nível do mar, no distrito de Braga.

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