Vista aerea de Macieira de Rates
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Braga · CULTURA

Macieira de Rates: espadeleiros, cruzes e memória viva

Macieira de Rates, em Barcelos, preserva a memória da Festa das Cruzes e do espadeleiro. Conheça a história, paisagem e tradições desta freguesia minhota.

1907 hab.
70.7 m alt.

Festas e romarias em Barcelos

Abril
Festa das Cruzes 25 de abril a 3 de maio festa popular
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Macieira de Rates, em Barcelos, preserva a memória da Festa das Cruzes e do espadeleiro. Conheça a história, paisagem e tradições desta freguesia minhota.

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O som chega antes da imagem: o bater cadenciado do espadeleiro contra o linho, aquele tac-tac-tac que parecia o coração da aldeia a bater nas noites de maio. Nas eiras, raparigas solteiras espadelavam ao som de violas enquanto os "caretos" - homens mascarados que mais pareciam saídos de um mau sonho - se aproximavam para provocar gargalhadas. Era a Festa das Cruzes, que animava Macieira de Rates até meados do século XX. Hoje, as cruzes ainda saem em procissão, mas o espadeleiro está calado. Fica a memória, guardada nas pedras da igreja e nas histórias que os mais velhos contam depois de três imperialadas.

A planície onde o rio muda de nome

Macieira de Rates estende-se numa planície a 70 metros de altitude - aliás, quase tudo na freguesia está a 70 metros de altitude. É como se alguém tivesse nivelado o terreno com uma colher de pau. O rio Este passa por aqui, e os campos sucedem-se em tons de verde - vinhas dos Vinhos Verdes, milheirais, e aqueles bosques que servem para os miúdos se perderem de propósito. Ribeiros como o Codade e o riacho do Souto atravessam a paisagem, criando zonas húmidas onde os pescadores locais juram que há enguias "tamanho duma perna". A luz minhota, essa filtrada por nuvens que parecem esquecer-se de ir embora, dá ao cenário uma suavidade que até faz esquecer que está a chover há três dias seguidos.

Peregrinos, poetas e volfrâmio

A primeira referência escrita é de 1128 - D. Afonso Henriques doou "Maceeira com sua creaçon" ao Mosteiro de São Pedro de Rates. Mas o pessoal cá sabe que isto era habitado bem antes disso. Topónimos como Pedra Fita e Bouça da Mama não são só nomes engraçados - remetem para tempos em que os nossos antepassados ainda não sabiam escrever "antepassados".

No século XIII, D. Gomes de Maceyra, senhor local, fundou o Mosteiro de Santa Maria do Souto em Guimarães - basicamente, um gajo rico que quis deixar marca. Séculos depois, na Segunda Guerra Mundial, a exploração de volfrâmio trouxe dinheiro fácil e gente de fora. Durante uns anos, a freguesia cheirava a pólvora e a ambição - e os velhos ainda dizem que "foi quando as raparigas começaram a usar sapatos".

Bernardino Leça, nascido em 1844, era o cantador da terra. Poeta repentista que improvisava versos como quem respira, animava romarias e festas com desafios que podiam durar até ao galo cantar. A sua casa, no lugar do Rio, é hoje ponto de memória - embora os jovens saibam mais sobre o Instagram que sobre o Instante em que Leça cantou. Diz-se que D. Frei Bartolomeu dos Mártires também pernoitou ali - deve ter gostado da companhia e da broa quente.

No trilho dos peregrinos

O Caminho Central Português de Santiago atravessa a freguesia, e a Ponte do Burrinho é obrigatória para quem vai a pé para Compostela. É uma ponte pequena, mas aguenta séculos e peso de mochilas - e as queixadas dos peregrinos quando descobrem que ainda faltam 200 km. O lugar da Mulher Morta mantém o mistério: ou foi uma desgraça de amor ou uma bruxa que se passou - depende de quem está a contar. Os peregrinos cruzam-se com tractores, com velhos que os olham de boina puxada, com cães que ladram mas não mordem porque estão ocupados a dormir ao sol. A paisagem não é espectacular, mas tem lógica: muros de pedra que separam quintais, cruzeiros que marcam caminhos, e a Igreja de Santo Adriano no centro - com a torre sineira que serve de GPS antes do GPS existir.

Broa, bacalhau e vinho em canecas

A gastronomia é o que a terra dá e a tradição aprova. Arroz de tomate que a sabe a terra, bacalhau frito que o padeiro frita melhor que muito chef, e broa de milho que se come com manteiga caseira até fartar. Nas festas, servia-se vinho verde em canecas de barro - porque copos de vidro são para gente fina e canecas não partem quando caem. Não há sofisticação, mas há honestidade: os pratos são como os habitantes - sem grandes firulas, mas cumprem o que prometem. O vinho verde, com aquela acidez que faz piscar os olhos, é o companheiro ideal para dias de névoa e conversas que se prolongam.

Quando a procissão das Cruzes termina e as pessoas regressam a casa, Macieira volta ao seu ritmo - tractores na estrada, o sino da igreja a marcar as horas, o cheiro a terra molhada que faz lembrar que a chuva é minhota e por isso não falta. Fica o eco do espadeleiro que já não soa, mas que os mais velhos ainda ouvem quando fecham os olhos depois do jantar.

Dados de interesse

Distrito
Braga
Concelho
Barcelos
DICOFRE
030244
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 7.5 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~1152 €/m² compra · 4.76 €/m² renda
Clima15.3°C média anual · 1697 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
45
Familia
25
Fotogenia
35
Gastronomia
30
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Macieira de Rates

Onde fica Macieira de Rates?

Macieira de Rates é uma freguesia do concelho de Barcelos, distrito de Braga, Portugal. Coordenadas: 41.4368°N, -8.6315°W.

Quantos habitantes tem Macieira de Rates?

Macieira de Rates tem 1907 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Macieira de Rates?

Macieira de Rates situa-se a uma altitude média de 70.7 metros acima do nível do mar, no distrito de Braga.

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