Artigo completo sobre Perelhal: onde a vinha marca o ritmo do calendário
Entre vinhas e granito, uma freguesia de 1700 almas mantém viva a tradição dos Vinhos Verdes
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A luz da manhã entra pela capela e desenha quadrados no chão de pedra. Lá fora, o sino marca as horas. Perelhal está a 82 metros de altitude, entre vinhas baixas e hortas. Cheira a terra lavrada e à humidade dos Vinhos Verdes - o cheiro normal de qualquer dia de trabalho nos campos.
Entre a vinha e a calcada
236 crianças nas escolas, 337 idosos nos bancos do largo. 1700 pessoas em 680 hectares. Cada casa tem o seu quintal, cada família tem vinha ou horta. As moradias antigas misturam-se com construções novas - não está parada no tempo, mas também não está a transformar-se em dormitório de Braga.
O granito dos muros divide propriedades. As vinhas seguem a inclinação suave do terreno. A poda é em janeiro, a vindima em setembro, o cheiro a mosto fica até outubro. É o ciclo normal do vinho verde.
A Festa das Cruzes
Primeiro fim de semana de junho. Montam-se as cruzes de flores, abrem-se as portas das casas, estendem-se mesas nas eiras. Quem emigrou regressa. É festa de aldeia - não há estrangeiros, há primos. O adro enche-se, a bifana custa 2,50€, a música para à meia-noite porque há trabalho no dia seguinte.
No trilho dos peregrinos
O Caminho Central passa à porta da pastelaria. Peregrinos param às 7h30 para café e pastel de nata. Enchem garrafas na fonte, perguntam se falta muito para Ponte de Lima. São 4km até Barcelos, 25 até Ponte de Lima. A seta amarela aponta norte. Passam todos os dias, verão e inverno.
Geografias do quotidiano
Não há monumentos. Há a capela de S. Tiago, o campo de futebol do Perelhal, a mercearia que fecha às 13h para almoço. Quem vem de fora encontra estradas municipais sem trânsito, verdegais para comprar vinho directamente ao produtor, e silêncio depois das 22h.
Ao fim da tarde, o sino toca outra vez. Entre badaladas, cheira a lenha queimada - alguém está a fazer jantar.