Artigo completo sobre Codeçoso: vinha, pedra e altitude no Minho interior
Codeçoso em Celorico de Basto, Braga: freguesia de montanha com raízes no século X, vinha em socalco, Carne Barrosã DOP e tradição agropastoril viva.
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O sino toca às horas certas, mas quase ninguém está na aldeia para ouvir. Codeçoso fica a 390 m, entre a EN304 e o cume do Viso. São 388 pessoas em 15 lugares dispersos — Póvoa, Chã, Outeiro, Cimo de Vilar — cada um com a sua mini-capela e um poço público que ainda funciona.
O que fica do século X
O nome aparece em 953, do latim codicellus, “pequeno lugar”. Não há castelo, apenas a igreja matriz de São Tiago reconstruída em 1715: nave única, talha barcaça, campanário com duas frestas para o vento. A porta lateral serve de anúncio: missa domingo 11 h; se chover, começa 15 min depois porque o padre vem de Ribas.
Vinha, vaca e cortiça
Suba a estrada municipal 1041: à esquerda, vinha em socalcos de 1,5 m, variedade Loureiro para vinho verde. À direita, pastagens com gado barrosão marcado a fogo na anca; matança tradicional é em janeiro, carne vende-se congelada no talho do Viso (aberto 3.ª 6.ª, 9-12 h). Em março, descasca-se cortiça no monte de Carvalhal; leva-se para a fábrica da Mundet em Águas Frias — pagam 25 € o quintal.
Festas que ainda enchem a aldeia
25-27 julho: arraial em São Tiago, barracas de sardinha e bolo frito feito na propriedade, 1 € o naco.
15 ago: romaria à Senhora do Viso — concentração 8 h na igreja, subida a pé 4 km, missa campal 11 h, almoço de pote partilhado; leve tábua e copo.
Onde dormir e comer
Há 8 casas com registo local, todas no Booking: preço médio 70 €/noite, mínimo 2 noites. A única cafetaria é o “Viso Snack”, abre 7-22 h; serve francesinha à sexta (10 €) e caldo verde todos os dias (2 €). Combustível mais próximo: BP em Britelo, 12 km.
Como chegar
Saia da A7 em Celorico-Basto, siga EN304 direção Cabeceiras; 6 km depois do nó de Veade vire esquerda para CM1041. Conte 14 min de curvas até ao centro. Autocarro “Transdev 603” (Braga-Celorico) faz paragem sob pedido, 3 por dia; bilhete 3,65 €.
Traga bom calçado: os caminhos de xisto estão escorregadios depois da chuva e não há sinalética — mas basta subir para ver o Tâmega lá em baixo e perceber porque é que ninguém quer trocar isto por outra coisa.