Vista aerea de Ribas
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Braga · CULTURA

Ribas: vinhas e granito junto ao Tâmega

Freguesia de Celorico de Basto preserva tradição agrícola entre socalcos e património barroco

900 hab.
513.9 m alt.

O que ver e fazer em Ribas

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Celorico de Basto

Junho
Peregrinação à Senhora do Viso Primeiro domingo romaria
Julho
Festas do concelho em honra de São Tiago Dias 25 a 26 festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Ribas: vinhas e granito junto ao Tâmega

Freguesia de Celorico de Basto preserva tradição agrícola entre socalcos e património barroco

Ocultar artigo Ler artigo completo

O fumo não sobe — fica preso à roupa que se estende ao pregar da manhã. Em Ribas, o cheiro a lenha queimada entranha-se na garganta e lembra-me que a minha avó ainda acende o lume às seis, embora more sozinha. As vinhas descem à beira-rio, sim, mas olhe-se bem: os socalcos estão a desaparecer, um a um, enterrados silenciosamente pela hera que ninguém arranca há anos. A 513 metros, o ar fica mais fino quando se sobe a pé desde o Viso; quem vier de carro não nota, mas quem vier a pé sente o coração a bater-lhe nos ouvidos.

Ripas, ripas — o nome repete-se nos documentos de 1258 como quem escreve à pressa. Dizem que vem do latim, mas eu cá sei que vem do som que o rio faz quando traz pedras debaixo: riii-pa, riii-pa. Aqui, o Tâmega não é bonito: é útil. Bebe-se dele, rega-se com ele, ameaça-se com ele quando transborda em dezembro. Dos 900 que dizem o recenseamento, metade já está noutros sítios — uns em Paris, outros no Porto, os mais velhos no cemitério que fica por cima da escola fechada. Contam-se mesmo 98 jovens? Contam-se os que cá nasceram ou os que cá dormem aos fins-de-semana?

Igreja, cemitério e o café que não existe

A Igreja de São Tiago tem a porta principal presa com arame porque o senhor padre perdeu a chave há três anos. A torre perdeu o relógio em 1987 — nunca mais foi arranjado —, mas o sino ainda toca às horas certas porque o Aníbal sobe lá acima de dois em dois dias e puxa a corda com a mão direita, a que lhe resta. A praça é de granito, sim, mas é também de lama quando chove, e chove muito. A capela de São Sebastião tem o teto a cair; dentro há ninhos de andorinha e um cheiro a urina de raposa que não sai com nada. As pontes de pedra aguentam-se porque ninguém as repara: assim que uma pedra cai, outra qualquer encaixa-se por baixo, sem cimento nem areia.

Festas que já não cabem na aldeia

Dia 25 de julho, missa campal: três dezenas de cadeiras dobráveis, metade vazias. A procissão já não dá a volta completa — falta gente para carregar a imagem. As concertinas ainda se ouvem, mas vêm de fora: o filho do ferrador toca agora numa banda de heavy-metal em Guimarães. Subida à Senhora do Viso: são sete quilómetros a pé, o último de ladeira. Quem sobe leva uma garrafa de água e vai parando para respirar. No Entrudo só aparecem máscaras de plástico compradas no Chinese — as de papel duravam pouco, molhavam-se logo. São Martinho é no adro da igreja, mas as castanhas são de Espanha e o vinho novo está ainda a fermentar; quando abres a torneira, espuma branca salta-te para a camisola.

O que se come (e o que já não se come)

O fumeiro pendura-se na lareira, mas a maioria vai parar ao frigorífico antes do tempo: os netos não gostam de cheiro a fumo, dizem que “sabe a velho”. A Carne Barrosã é certa, sim, mas custa caro — quando há, é no aniversário do pai ou quando vem o cunhado de França. O arroz de sarrabulho faz-se com sangue de porco congelado, que o matador já não vem à porta de casa. O pão de milho é comprado no Lidl, embalado a vácuo; o tradicional, amarelo e pesado, só a Tirosa o faz e já tem 84 anos — quando se cansar, acabou. Mel há, mas não é DOP: é do Zé Mário, que coloca as colmeias no Viso e vende a cinco euros o quilo, potes de iogurte lavados.

Trilhos que levam a casa de ninguém

Os caminhos estão limpos até às malhadas do costume; depois, a giesta fecha tudo. Os marcos de xisto desapareceram — serviram para fazer a parede do churrasco do outro lado da estrada. Já não se vê javali à luz do dia, só as batatas arrancadas durante a noite. Os melros cantam, mas competem com o rádio do tractor que o Albano deixa ligado para não se sentir sozinho. Os ribeiros correm, sim, mas levam garrafas de plástico e latas de Super-Bock; a água fica turva depois de cada temporal, e ninguém se lembra de a beber.

Quando o sino toca ao meio-dia, as crianças que restam já estão dentro de casa, de olhos no telemóvel. O som sobe o vale, mas não encontra tantas paredes de granito a devolver o eco. Ribas continua aqui — nem maior nem mais pequena, só mais silenciosa.

Dados de interesse

Distrito
Braga
DICOFRE
030518
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 22.2 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~686 €/m² compra · 3.38 €/m² rendaAcessível
Clima15.3°C média anual · 1697 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

55
Romance
45
Familia
35
Fotogenia
55
Gastronomia
30
Natureza
20
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Celorico de Basto, no distrito de Braga.

Ver Celorico de Basto

Perguntas frequentes sobre Ribas

Onde fica Ribas?

Ribas é uma freguesia do concelho de Celorico de Basto, distrito de Braga, Portugal. Coordenadas: 41.4507°N, -8.0289°W.

Quantos habitantes tem Ribas?

Ribas tem 900 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Ribas?

Ribas situa-se a uma altitude média de 513.9 metros acima do nível do mar, no distrito de Braga.

35 km de Braga

Descubra mais freguesias perto de Braga

Escapadas de fim de semana, natureza e patrimonio a menos de 45 km.

Ver todas
Ver concelho Ler artigo