Artigo completo sobre Ribeiros: Onde o Tâmega Desenha a Memória de Fafe
Entre castros da Idade do Ferro e ribeiras que descem a encosta, a freguesia vive ao ritmo da água
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O granito escurece com a humidade da manhã. O som da água é constante — não apenas nas ribeiras que descem as encostas, mas no próprio nome que a freguesia carrega desde o século XIII. Riparius, diziam os romanos: lugar junto do rio. Aqui, o Tâmega desenha a geografia e as casas distribuem-se pelos 495 hectares de encosta a 454 metros de altitude.
Pedra sobre pedra
Nas Lages de São João, o castro da Idade do Ferro está lá desde sempre. Ninguém liga muito. As pedras empilhadas servem de muro a uns terrenos e de pasto a ovelhas. Quando o sol da tarde bate, o granito fica dourado — é o melhor momento para fotografar, se é isso que veio fazer.
As Memórias Paroquiais de 1758 contam o que se fazia aqui: lavrar a terra, criar gado, pagar dízimos. Os números mudaram, o essencial não: Ribeiros continua a ser terra de trabalho paciente, de ciclos agrícolas, de famílias que ficam.
O que se come
A Carne Barrosã DOP chega aos restaurantes de Fafe — em Ribeiros não há sítio para comer fora. O Mel das Terras Altas do Minho DOP é espesso e âmbar, sabe a urze e castanho. Quem tem colmeias vende porta-a-porta ou na cooperativa de Vila Verde.
O vinho verde bebe-se em casa. Onde? Nas duas moradias que alugam quartos — procure por "Casas de Campo" no Google Maps. Acorda-se com o cheiro a lenha e pão caseiro, se a vizinha trouxer.
Quem fica
Dos 545 habitantes, 129 têm mais de 65 anos. São 64 crianças. Há casas no centro, mas também montes onde o vizinho mais próximo fica a dez minutos a pé.
As Festas do Concelho são em Agosto — três dias de arraial na estrada principal. Os mais velhos jogam sueca à sombra, os mais novos andam de insufláveis. Há bifanas e cerveja a 1,50€.
O Tâmega continua a correr. Ribeiros não tem cafés nem lojas. Tem uma farmácia popular que abre quando alguém precisa, um Centro de Dia que serve almoço a 4€, e um campo de futebol onde o Rio Ave vem buscar miúdos para a academia.
Quem sobe ao castro ao fim da tarde leva os passos na terra batida e a certeza de que há lugares onde a vida se mede em colheitas, não em semanas.