Artigo completo sobre Valdosende: onde o rio Homem encontra a serra Amarela
Praias fluviais, pontes medievais e carvalhais no coração do Gerês, entre Braga e a montanha
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O rio Homem corre baixo entre penedos de granito. Valdosende estende-se ao longo desta fenda no flanco sul do Gerês, onde o vale se abre em praias fluviais e os caminhos sobem para os currais de altitude. A 385 metros, o território respira entre a frescura do rio e o silêncio da serra da Amarela.
O vale do caminho
Vallis de Senda, o vale do caminho. No século XIII este corredor ligava Braga ao interior, e a aldeia nasceu como ponto de passagem. A Ponte de S. João atravessa o Homem num só arco de pedra escurecida - data do século XIII, apesar da lenda do diabo que os locais contam aos visitantes.
A freguesia separou-se de Rio Caldo em 1544. A igreja matriz tem nave única e retábulo joanino que ainda se usa nas missas dominicais. A Capela de Nossa Senhora do Livramento guarda azulejos do século XVIII - quem os quiser ver deve procurar o sacristão que vive na casa ao lado. No adro, o Cruzeiro de 1786 tem forma de túmulo coberto.
Entre o rio e a serra
Valdosende marca o limite sul do Parque Nacional. Dos 200 aos 900 metros, a paisagem muda rapidamente. A Praia de Valdosende tem água fria mesmo em agosto - os locais nadam antes das 9h quando o sol ainda não entrou no vale. A ciclovia verde de doze quilómetros até à Mata de Albergaria é piso compactado, subida suave, ideal para iniciantes.
O Trilho dos Currais (8 km, 3h30) tem marcações vermelhas e amarelas. Começa atrás da igreja, sobe por mata fechada até aos currais. Leva água - não há fontes no caminho. A Cascata do Arado fica a 15 minutos de carro, passadiços de madeira que rangem quando molhados.
Sabores da terra alta
O restaurante O Abade serve cabrito no forno de lenha - telefone para reservar, fazem dois turnos ao domingo. O caldo de nabos é prato de inverno, quando há feijão caseiro. O alvarinho da Quinta da Lama prova-se às sextas às 17h, marcação por SMS. O queijo de cabra compra-se na herdade do Sr. Armindo, seguir pela estrada de Albergaria até ao moinho abandonado.
Festas que o rio testemunha
Primeiro domingo de maio: procissão fluvial às 10h, chegar meia hora antes para ver a barca partir. Julho: romaria a S. Bento começa às 6h na porta da igreja, levar mochila com comida - o percurso até ao Gerês demora 4h. Setembro: Festa de Santa Eufémia tem arraial no adro, bilhetes para o jantar vendem-se na padaria.
Sábados de manhã: o Moinho de Aviso abre às 10h, moagem às 11h quando há água suficiente. Entrada livre.
Quando a tarde cai, o murmúrio do Homem continua. Os visitantes vão-se embora, os locais fecham as portas. A ponte fica lá, como sempre.