Vista aerea de Oliveira (São Mateus)
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Braga · CULTURA

Oliveira celebra Santo António entre vinhas e peregrinos

Freguesia famalicense acolhe dois Caminhos de Santiago e mantém tradição vinícola dos Vinhos Verdes

2418 hab.
153.8 m alt.

Festas e romarias em Vila Nova de Famalicão

Junho
Festas Antoninas Dia 13 e durante uma semana festa popular
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Freguesia famalicense acolhe dois Caminhos de Santiago e mantém tradição vinícola dos Vinhos Verdes

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O som dos sinos de Santo António desce a encosta abaixo e entra-nos pela janela adentro, enquanto o fumo das sardinhas na brasa sobe pelas ruas de chão irregular. Em junho, Oliveira não dorme: as mulheres penteam as tranças à porta, os homens afinam guitarras de harmonios dentro de estojos de madeira, e as crianças correm descalças atrás das bandeirinhas de papel que tremem no ar quente. São 2418 almas, mas parecem mais quando o arraial enche o largo e as mesas de madeira improvisadas se estendem até junto da cisterna antiga.

Território de passagem e permanência

Dois caminhos de Santiago cruzam-se aqui, mas quem passa nem sempre percebe que entrou em Oliveira. O Central segue pela estrada municipal, entre muros de pedra onde a hera se agarra com unha e dente; o do Norte desce pela Rua do Calvário, onde as casas têm portas mais baixas que as pessoas e as janelas ainda guardam reixas de madeira escura. A paisagem é curta — dois quilómetros quadrados que cabem na palma da mão — mas basta levantar os olhos para ver o Gerês lá longe, azul-ferro nos dias limpos.

Nas vinhas, que ainda ocupam os socalcos a sul do lugar, o verde é mais claro, quase lima. Os parreirais estão agarrados aos pilares de granito que o avô do José — o da taberna — diz ter vindo de trem de Guimarães, num tempo em que havia estação em Pedome. O vinho que se faz aqui não tem nome de marca: leva-se à boca em copos de barro ou em garrafas de plástico reutilizadas, tem aquela efervescência que faz cócegas na língua e deixa a boca à espera de um naco de broa com toucinho.

O peso dos anos

A escola primária fechou há cinco anos. As cadeiras empilham-se na sala onde a professora Amélia dava aulas de português com cheiro a giz e a bolachas Marie. Agora, as crianças vão de autocarro para Famalicão, partem antes das oito e regressam com a mochila suja de areia do recreio do centro escolar. Entretanto, os bancos da praça enchem-se de homens de boné às dez da manhã: falam do tempo, do preço do leite, daquela dor nas costas que não passa. São 662 com mais de 65 anos — quase um terço do lugar — e conhecem-se todos pelos apelidos antigos: o Ferrador, a Rosa-do-Canto, os Meninos de São Lázaro.

Junho em festa

Às vezes chove. Mesmo assim, as pessoas acendem a brasa debaixo do lona plástica esticada entre duas casas. O chouriço é comprado ao Zé da Quinta, que ainda faz matança em janeiro e guarda o fumeiro no sótão, pendurado em canas de bambu. As mulheres levam bacalhau cozido em tachos de alumínio, coberto com um pano de crochet. Os homens abrem garrafas de vinho com a faca de ponta, servindo primeiro aos convidados, depois aos vizinhos, depois a si próprios.

Quando o andor de Santo António sai da igreja, as velas apagam-se ao vento da baixa, mas ninguém as acende de novo: deixa-se arder o que arder. A procissão desce lentamente, passa pela Rua da Igreja, sobe o Calvário onde os morangueiros deixaram cair fruta no chão — o cheiro doce mistura-se com o incenso e com o suor da multidão. No largo, o grupo de concertina toca um vira que ninguém sabe de cor, mas toda a gente dança. São três da manhã quando o último copo é bebido, quando o fogo da sardinha se reduz a brasas e alguém ainda canta baixinho: «Ó São António, traz-me um bom rapaz, mas se não trouxeres, deixa-me ficar como estou.»

Dados de interesse

Distrito
Braga
DICOFRE
031242
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~1264 €/m² compra · 5.08 €/m² renda
Clima15.3°C média anual · 1697 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

40
Romance
40
Familia
25
Fotogenia
35
Gastronomia
35
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Oliveira (São Mateus)

Onde fica Oliveira (São Mateus)?

Oliveira (São Mateus) é uma freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, Portugal. Coordenadas: 41.3950°N, -8.4115°W.

Quantos habitantes tem Oliveira (São Mateus)?

Oliveira (São Mateus) tem 2418 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Oliveira (São Mateus)?

Oliveira (São Mateus) situa-se a uma altitude média de 153.8 metros acima do nível do mar, no distrito de Braga.

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