Vista aerea de Vilarinho das Cambas
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Braga · CULTURA

Vilarinho das Cambas: vinhas, pedra e tradição

Conheça Vilarinho das Cambas em Vila Nova de Famalicão, Braga: vinhas em socalco, vinho verde de cambas e tradições que resistem ao tempo no vale do Ave.

1485 hab.
118.4 m alt.

Festas e romarias em Vila Nova de Famalicão

Junho
Festas Antoninas Dia 13 e durante uma semana festa popular
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Conheça Vilarinho das Cambas em Vila Nova de Famalicão, Braga: vinhas em socalco, vinho verde de cambas e tradições que resistem ao tempo no vale do Ave.

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O som chega antes da imagem: água a bater na pedra, igual ao barulho que a torneira da cozinha faz quando se esquece de a apertar bem. Só depois de pisar a ponte de granito — a mesma onde o meu pai me ensinou a atirar pedras ao Rio Ouro — é que o resto aparece: as vinhas em socalcos como escadas de gigante, os espigueiros de madeira escura que cheiram a terra e a uva esmagada, os muros onde o musgo cresce mais depressa que a barba de um homem de luto. Vilarinho das Cambas está a 118 metros de altitude, numa encruzilhada entre o vale do Ave e aquelas colinas que são só o aquecimento antes da Falperra.

Cabanas de pedra e vinhas em socalco

As "cambas" eram as casinhas que os nossos avós construíam com as pedras que a terra cuspia. Serviam para guardar enxadas e abrigar o lanche — pão com toucinho e um golo de vinho tinto que sabia a ferrugem. "Vilarinho" é mesmo isso: um lugar pequeno que só se tornou freguesia em 1934, quando se cansaram de ir à missa a Famalicão a pé. A Igreja Matriz de S. João Baptista tem aquela nave única que faz parecer que o padre está a pregar só para nós. A talha dourada é bonita, mas o que me marca são os azulejos: um azul que me lembra a camisa que o meu avô usava nas domingueiras.

Ainda se faz o "tira-de-noite" — uma maluqueira de podar a vinha à luz de archotes na noite de São Martinho. Dizem que é para as videiras "sentirem" a lua, mas eu acho que é desculpa para beber um copo a mais. O vinho verde de cambas é aquele tinto que faz espuma quando se abre a garrafa e que acompanha o queijo de cabra que a D. Lourdes vende à porta de casa. Na Quinta do Outeiro, o senhor que faz as provas conta sempre a mesma história do brasão de armas, mas perdoa-se porque o vinho da pipa vale a pena.

Caldo dos Santos e papas de sarrabulho

Entre 13 e 20 de Janeiro, o largo da igreja enche-se de gente que já se conhece desde que se sabe que o bacalhau se come com tudo. Há missa cantada com o harmónio que o Toninho toca como se estivesse num café de Paris, ranchos folclóricos com saias que rodopiam como guardanapos ao vento, e o "Caldo dos Santos" — caldo verde com chouriço que o meu tio diz ser "a única coisa que aquece mais que uma discussão de política". A cozinha é a do Minho: cabrito que desmancha na boca, rojões que fazem chorar os olhos mais que um funeral, papas de sarrabulho que parecem uma poesia estranha mas que sabem a infância. Os "sapos de Vilarinho" são doce de ovos que a minha avó fazia quando eu ajudava a bater as claras — e que eu comia antes de chegar à mesa.

Moinhos de água e peregrinos a Santiago

O Trilho dos Moinhos são oito quilómetros que se fazem em duas horas se não se parar a conversar com o pastor do Sr. Domingos. Os moinhos estão lá, com as mós de granito que parecem dentes de serra gigantes. O Caminho de Santiago passa por cá — os peregrinos chegam com as botas mais rotas que a minha carteira e partilham a mesa do pequeno-almoço como se fossem primos que não víamos há anos. A Casa do Peregrino tem um gato laranja que dorme no albergue e que já tem mais fotografias que o Cristiano Ronaldo.

Na margem do rio, onde as mesas de pedra estão sempre ocupadas por famílias que trazem o arroz de tamboril num tupperware, o silêncio só é interrompido pelo chilrear dos pássaros e pelo roncar do meu estômago quando cheira a carne na grelha. O sol poente põe o granito cor de mel e o Rio Ouro fica com aquela luz que me faz lembrar o olhar da minha mãe quando me via chegar a casa tarde. Fica o sabor do vinho verde — aquele que sabemos que é bom porque nos faz falar mais alto e abraçar os amigos como se fossem irmãos.

Dados de interesse

Distrito
Braga
DICOFRE
031249
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~1264 €/m² compra · 5.08 €/m² renda
Clima15.3°C média anual · 1697 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
35
Familia
25
Fotogenia
35
Gastronomia
35
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Vilarinho das Cambas

Onde fica Vilarinho das Cambas?

Vilarinho das Cambas é uma freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, Portugal. Coordenadas: 41.3906°N, -8.5555°W.

Quantos habitantes tem Vilarinho das Cambas?

Vilarinho das Cambas tem 1485 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Vilarinho das Cambas?

Vilarinho das Cambas situa-se a uma altitude média de 118.4 metros acima do nível do mar, no distrito de Braga.

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