Vista aerea de Lanhas
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Braga · CULTURA

Lanhas: vinhas verdes e sino sobre granito em Vila Verde

Uma freguesia minhota onde o vinho verde se cruza com fumeiros tradicionais e festas de romaria

654 hab.
54.4 m alt.

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Festas e romarias em Vila Verde

Maio
Romaria de Nossa Senhora do Bom Despacho Último fim-de-semana romaria
Junho
Festa de Santo António Dias 6, 7 e 13 festa popular
Festas concelhias em honra de Santo António Dias 10 a 14 festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Lanhas: vinhas verdes e sino sobre granito em Vila Verde

Uma freguesia minhota onde o vinho verde se cruza com fumeiros tradicionais e festas de romaria

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O sino da igreja soa às sete da manhã, mas quem cresceu aqui já nem precisa de contar: o corpo acorda antes. O som rasteia pelos telhados de telha negra e entra pelas frestas das janelas de madeira que incharam com a chuva do Inverno. Ainda há dias em que o António, o campainheiro, sobe as escadas de pedra com o pé direito a doer-lhe da gota — mas sobe, porque alguém tem de puxar a corda que o pai dele puxou e o avô também.

Ao meio-dia, quando o sol aquece as paredes de granito, a terra ainda exala o cheiro a mijo de vaca e a folha podre que a enxada virou ontem. Não é perfume, mas é isto que nos lembra que o dia começou. Os caminhos de Lanhas não foram feitos para pressas: a calçada está solta, e uma parteira já me contou que partiu o tornozelo ali mesmo, junto ao muro da cisterna, quando ia atrás de um parto às três da madrugada.

Entre vinhas e fumeiros

As vinhas não sobem em latadas — descem. São os socalcos que o meu avô cavou à enxada, uns degraus acima da estrada municipal, onde o trator de ontem mal cabe. Em Setembro, a rapaziada da terrinha ainda vai para a vindima a troco de um prato de arroz de cabidela e um copo de vinho branco que o Sr. Armindo serve à pressa, porque “quem está a trabalhar não está a beber, está a recuperar”. A uva é azal e arinto, mas quem aqui vive chama-lhe “branco de Lanhas” — nem sabe que tem nome científico.

No celeiro do Zé Manel, o fumeiro está pendurado desde Novembro. A chouriça de carne cachena fica lá até ao dia de Reis, quando a mulher dele a corta em rodelas finas e a serve com broa quente, directamente do forno a lenha. O mel não é DOP nenhum — é do seu António, que tem colmeias atrás da capela e que vende em garrafões de vidro que já serviram para vinho. O sabor é a terra, não a certificação.

A Romaria de Nossa Senhora do Bom Despacho é no domingo mais próximo de 15 de Agosto. Antes, na véspera, as mulheres da aldeia ainda vão à capela limpar o chão com água e lixívia, e pendurar os panos de rendas herdados. Não é para o Instagram — é para que a padraia não escorregue com o sapato de salto que calça uma vez por ano.

Onde o granito encontra o quotidiano

A casa onde nasci tem a porta de madeira pintada de verde-coruja, mas o tintol já descascou nos cantos. O granito está escuro à sombra, claro onde o sol bate o dia inteiro. Ao lado, o muro que o meu bisavô ergueu sem cimento ainda segura, embora o chicho que lá mora já tenha feito buraco para o gato entrar. Os turistas que aparecem — poucos — perguntam se há wc. Não há. Há uma casa de banho no café, mas o café só abre quando o Joaquim acorda, e isso depende da ressaca.

Para dormir, há um quarto na casa da D. Aurélia. Tem televisão por cabo, mas o comando está sem pilhas. O pequeno-almoço é pão de forma tostado com manteiga da Quinta e doce de tomate caseiro. Se quiser rojões, tem de avisar no dia anterior, porque o porco só se mata aos sábados.

O peso do silêncio

Quando o sol se põe atrás do monte do Viso, a luz fica cor de mel antigo. É nessa hora que o silêncio se instala — não o silêncio absoluto, mas o das coisas que não precisam de ser ditas. O cão do Sr. Alfredo deixa de ladrar, o trator do vizinho já está na garagem, e só se ouve o ranger da porta de aluminío da padaria, que ainda abre às sete da manhã seguinte, como abriu ontem e abrirá amanhã.

Não há nada para ver. Há é para sentir: o frio que sobe dos pés, o cheiro a fumo que sai da chaminé daquela que foi casa de meus pais, o som do passo próprio na calçada que já conhece o peso do corpo. Quando o sino volta a tocar, não são as horas que se contam — é o tempo que fica.

Dados de interesse

Distrito
Braga
Concelho
Vila Verde
DICOFRE
031324
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 12.9 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~1083 €/m² compra · 4.71 €/m² renda
Clima15.3°C média anual · 1697 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
45
Familia
30
Fotogenia
65
Gastronomia
20
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Lanhas

Onde fica Lanhas?

Lanhas é uma freguesia do concelho de Vila Verde, distrito de Braga, Portugal. Coordenadas: 41.6677°N, -8.4165°W.

Quantos habitantes tem Lanhas?

Lanhas tem 654 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Lanhas?

Lanhas situa-se a uma altitude média de 54.4 metros acima do nível do mar, no distrito de Braga.

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