Vista aerea de Moure
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Braga · CULTURA

Moure: vinhas em socalcos e devoção a Santo António

Freguesia minhota de Vila Verde onde os Vinhos Verdes moldam a paisagem e as festas religiosas

1378 hab.
113.3 m alt.

O que ver e fazer em Moure

Património classificado

  • IIPPelourinho de Moure

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Vila Verde

Maio
Romaria de Nossa Senhora do Bom Despacho Último fim-de-semana romaria
Junho
Festa de Santo António Dias 6, 7 e 13 festa popular
Festas concelhias em honra de Santo António Dias 10 a 14 festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Moure: vinhas em socalcos e devoção a Santo António

Freguesia minhota de Vila Verde onde os Vinhos Verdes moldam a paisagem e as festas religiosas

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O som do sino da igreja soa às doze, mas quem cresceu aqui não precisa de relógio. O eco abre caminho sobre os campos de vinha que descem em socalcos até ao rio, e o vento traz-lhe o cheiro da borra fermentar nas garagens. É este odor — meio azedo, meio doce — que anuncia o outono antes mesmo de as folhas começarem a cair.

A devoção inscrita no território

Santo António ás vezes parece o único santo que conta. Em junho, a igreja encher-se de velas e o adro fica pequeno para tanta gente. Há quem venha só pela bifana e pelo arraial, mas há também quem faça promessas em voz baixa, de olhos fitos na imagem que desfila entre os bancos. Dez dias depois, repete-se o espetáculo, mas agora com bandas de música de fora e feira de stands de automóveis. Entre uma coisa e outra, vai-se à Romaria do Bom Despacho a pé, subindo a estrada municipal com os pés a latejar dentro dos ténis. A poeira teima em colar-se às meias e a conversa vai-se arrastando, meio rezada, meio desabafada.

O pelourinho, esse, fica esquecido no meio do adro. Os miúdos usam-no de balão de futebol; os velhos dizem que já foi onde se mediam os alqueires. As marcas do açoite estão lá, mas ninguém se lembra de quem as recebeu.

Vinhas, mesas e produtos da terra

A vinha é o que sobra. Quando o milho deixou de valer a pena, foi ela que ocupou os campos. Ainda se faz vinho como o pai fazia: uvas esmagadas com os pés, em lagar de cimento, coberto com uma gaze para as moscas não se meterem. Depois, o mosto fica na garagem, entre o automóvel e a máquina de lavar, a falar sozinho durante as noites de outubro. O vinho sai azedo, mas é nosso. Serve-se à mesa numa garrafa de plástico, e quem não gosta vai às compras em Vila Verde.

No domingo, se houver visitas, vai ao forno o cabrito que o vizinho criou. Enquanto isso, o pai desce à adega buscar a garrafa de aguardente com a tampa de cortiça. A carne Cachena só mesmo nas festas: é cara, e custa a arranjar. O mel é do Zé da loja, que tem colmeias na serra do Gerês; vem num potão de três quilos e dura o inverno inteiro, a adoçar o leite quente que a avó dá aos netos antes da escola.

O pulso demográfico

Moure tem 1378 almas, mas parecem menos. Às nove da noite, a rua é silêncio. Mesmo assim, a escola ainda tem criança que chegue: duas turmas do 1.º ciclo, uma mista de 2.º e 3.º, outra de 4.º. Quando soa o sinal, correm para o café da Dona Alda comer um folhado quente. Os idosos ficam na esplanada, de olho nos netos e no tempo que vai passando. A farmácia fechou há dois anos; agora, para uma pomada, vai-se a Vila Verde. O médico vem duas vezes por semana, mas quem está mal sério vai para Braga, às pressas, com o carro a fazer o ruido dos 110 na EN103.

Ainda assim, há quem regresse. O Rui veio do Porto, comprou a casa dos pais e plantou dois hectares de vinha. Diz que é mais barato viver aqui, e que o ar saber a terra faz-lhe falta. À noite, senta-se no banco de granito em frente à igreja e fica a ouvir o nada. Depois regressa para dentro, porque o frio de Minho não perdoa quem fica parado.

Ao cair da tarde, o cheiro a lenha queimada mistura-se com o do esterco que o João espalhou no campo ao lado. É este odor — fumo e terra molhada — que diz que o dia acabou. Porta aqui, porta acolá, vai-se fechando a vila. Só o cão do Remís continua a ladrar para a lua que se ergue por cima das vinhas.

Dados de interesse

Distrito
Braga
Concelho
Vila Verde
DICOFRE
031328
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 11.6 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~1083 €/m² compra · 4.71 €/m² renda
Clima15.3°C média anual · 1697 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
40
Familia
35
Fotogenia
65
Gastronomia
20
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Moure

Onde fica Moure?

Moure é uma freguesia do concelho de Vila Verde, distrito de Braga, Portugal. Coordenadas: 41.6457°N, -8.4845°W.

Quantos habitantes tem Moure?

Moure tem 1378 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Moure?

Em Moure pode visitar Pelourinho de Moure. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Moure?

Moure situa-se a uma altitude média de 113.3 metros acima do nível do mar, no distrito de Braga.

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