Igreja de Santa Maria - Bragança - Portugal
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Bragança · RELAXAMENTO

Baçal: o balcão de pedra sobre o vale do Tua

Baçal, em Bragança, oferece miradouro sobre o Tua, igreja quinhentista, espigueiros de granito e ponte medieval. Aldeia transmontana a 674m de altitude.

460 hab.
674.1 m alt.

O que ver e fazer em Baçal

Património classificado

  • MNCastro de Sacóias

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Bragança

Janeiro
Festas de Inverno 25 de dezembro a 06 de janeiro festa popular
Maio
Festa da Senhora da Ribeira Peregrinação à Nossa Senhora da Abadia | Amares festa popular
Agosto
Festa de Nossa Senhora da Serra Dias 23 e 24 festa popular
Festa de Nossa Senhora das Graças Festa de São Lourenço e Dia do Município | Vimioso festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Baçal: o balcão de pedra sobre o vale do Tua

Baçal, em Bragança, oferece miradouro sobre o Tua, igreja quinhentista, espigueiros de granito e ponte medieval. Aldeia transmontana a 674m de altitude.

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O eco dos sinos da Igreja velha atravessa o vale antes mesmo de se avistar a primeira casa. É um som que se agarra ao nevoeiro de Janeiro e roça as videiras-loucas que ainda tremem na varanda da Casa do Povo. Em Baçal, onde 460 almas se agarram a 28 km² de granito e medronho, o silêncio entre badaladas é tão denso que se pode ouvir o rio Tua ranger as pedras lá em baixo.

O balcão que ninguém fecha

Dizem que é o balcão de Trás-os-Montes, mas quem cá nasceu chama-lhe só "o cimo". Subi-lo ontem ao fim da tarde com o Joaquim do Cuco que vinha do campo às costas do burrico. Enquanto ele descarregava lenha de carvalho, o sol pôs-se atrás da serra e o vale encheu-se de um dourado que me fez lembrar o mel da minha avó - aquele que ela guardava em potes de barro cheios de cera e bicadas de abelha. O Tua parecia uma fita de cetim ao deitar-se, e do alto distinguiam-se as chaminés das casas que ainda fumavam - sinal de que alguém resistia.

Pedra que fala

Os espigueiros aqui não são de madeira como no Minho. São de xisto puro, com a porta tão baixa que o meu tio Chico tinha de se curvar para lá meter o milho - e era ele o mais alto da aldeia, com um metro e oitenta de tronco rijo de trabalhar a enxada. A ponte medieval aguenta-se de má vontade: no Verão passam por cima os tratores da Cooperativa, no Inverno leva-se os galgos do Zé Mário a banhar-se nos poços. O poço romano é mesmo romano - não é lenda. A água é tão fria que as mulheres deixavam lá as garrafas de vinho antes das festas para ficar como granito.

A casa onde o fumo não mente

Entra na cozinha da Dona Amélia e fica-se logo com a roupa a cheirar a chouriço. Ela cura-os durante três meses - "até a lua estar no quarto crescente pela terceira vez", diz. O presunto que me ofereceu no Natal tinha a gordura tão branca que parecia neve, e quando a cortei com a faca do meu avô desfez-se na boca como um suspiro. A sopa de castanhas leva sempre um ramo de louro do pé que cresce na cova onde o meu bisavô enterrou depois de voltar da guerra. "É para o ano saber ao ano", explica ela, mexendo a panela com a colher de pau que tem 40 anos.

Festas que os netos ainda não inventaram

Em Maio, a procissão da Senhora da Ribeira sobe a ladeira tão devagar que se pode contar as pedras do calçamento. As velhas vão de chapinha na cabeça e os homens de camisa engomada - mesmo que depois a guardem debaixo da cama até ao ano que vem. Em Dezembro, quando o frio corta como navalha, acende-se a lareira da Casa do Povo e começam os cântaros. O António da Tina ainda se lembra de quando a Maria da Conceição - essa que morreu com 93 anos e todas as cantigas na ponta da língua - puxava um desgarrado que fazia chorar os cães. Hoje são os netos que vêm de Paris e de Lisboa gravar tudo no telemóvel, mas não sabem a letra toda.

Quando a noite cai de vez e o nevoeiro sobe do rio, o lobo uiva mesmo. Não é o som que se ouve nos documentários - é mais rouco, mais cansado, como quem já viu demasiadas armadilhas nos caminhos. E aqui em Baçal, entre o uivo e o silêncio que vem depois, ainda se pode ser humano sem pressa.

Dados de interesse

Distrito
Bragança
Concelho
Bragança
DICOFRE
040204
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 19.3 km
SaúdeHospital no concelho
Educação34 escolas no concelho
Habitação~899 €/m² compra · 3.19 €/m² rendaAcessível
Clima13.7°C média anual · 689 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
55
Familia
45
Fotogenia
70
Gastronomia
65
Natureza
35
Historia

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Perguntas frequentes sobre Baçal

Onde fica Baçal?

Baçal é uma freguesia do concelho de Bragança, distrito de Bragança, Portugal. Coordenadas: 41.8542°N, -6.7123°W.

Quantos habitantes tem Baçal?

Baçal tem 460 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Baçal?

Em Baçal pode visitar Castro de Sacóias. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Baçal?

Baçal situa-se a uma altitude média de 674.1 metros acima do nível do mar, no distrito de Bragança.

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