Artigo completo sobre União das freguesias de Castanheiro do Norte e Ribalonga
Vinhas em socalcos, gravuras rupestres e aldeias de xisto no coração do vale duriense
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O vale do Tua é xisto e granito. As vinhas agarram-se aos socalcos; o rio corre verde-escuro. O sino de São Brás, em Castanheiro do Norte, ecoa até à albufeira. Castanheiro do Norte e Ribalonga juntaram-se em 2013, mas sempre foram o mesmo lugar: mesma encosta, mesma dificuldade.
Castanheiro deve o nome aos castanheiros que ainda existem. Ribalonga existe desde o século XII. Entre ambas há Foz-Tua, Fiolhal, Tralhariz. Solares dos Sampaio e Melo, casa senhorial de Tralhariz, igrejas de cal branca sobre granito cinzento. A Capela do Bom Jesus é rara: planta circular, luz que desenha círculos no chão de pedra. O Santuário do Senhor da Boa Morte dá para a confluência Douro-Tua. No Cachão da Rapa há gravuras rupestres que sobrevivem ao tempo.
Borrego Terrincho DOP, cabrito Transmontano DOP, queijo Terrincho e de cabra. Chouriças, presunto, salpicão nos fumeiros. Azeite de Trás-os-Montes DOP, acidez controlada. Vinho do Porto e Douro de quintas que ainda produzem. Tudo com denominação, tudo com sabor a esta terra.
Foz-Tua foi cais fluvial até ao século XIX. O Centro Interpretativo do Vale do Tua explica como se fazia descer o vinho no Douro. A linha do Tua fechou em 2018; os trilhos usam a antiga plataforma. O Trilho do Senhor da Boa Morte sobe por castanheiros até ao miradouro. A barragem, de Eduardo Souto Moura, é betão branco sobre xisto.
A romaria de São Brás é a 3 de fevereiro: fogueiras, vinho, fumeiro. Quando o nevoeiro sobe do rio, cheira a carvalho queimado.