Vista aerea de União das freguesias de Ifanes e Paradela
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Bragança · RELAXAMENTO

Ifanes e Paradela: onde o mirandês ainda ecoa no xisto

Duas aldeias unidas no planalto, entre minas de volfrâmio adormecidas e campos de centeio ceifado

233 hab.
774.5 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Ifanes e Paradela

Património classificado

  • MNCastro de Aldeia Nova

Áreas protegidas

Festas e romarias em Miranda do Douro

Abril
Festa de Nossa Senhora da Luz Último fim-de-semana festa popular
Maio
Festa da Santíssima Trindade Dia 31 festa popular
Agosto
Festa de Santa Bárbara Dias 23 e 24 festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Ifanes e Paradela: onde o mirandês ainda ecoa no xisto

Duas aldeias unidas no planalto, entre minas de volfrâmio adormecidas e campos de centeio ceifado

Ocultar artigo Ler artigo completo

O grasnar da gralha soa como se alguém estivesse a ranger uma cadeira de ferro. É o barulho que mais se ouve, aqui em cima, a 774 metros onde o xisto escuro aquece devagar ao sol. Entre Ifanes e Paradela — que se juntaram em 2013 mais por necessidade que por vontade — os campos de centeio parecem um tapete mal alinhado, com buracos de onde o quartzo espreita como dentes quebrados. São 233 pessoas espalcadas por quase 4500 hectares: uma aldeia onde a casa do vizinho fica a uma tacada de berço e onde o silêncio só é quebrado pelo sino da igreja ou por uma vaca mirandesa que se enganou de pasto.

Pedra, fé e buracos no tempo

A igreja de Ifanes está ali no meio, em granito cinza como a maioria das casas. Em Paradela, a capela da Trindade é mais pequena mas faz mais barulho: uma vez por ano enche-se de gente que vem de França de férias e que guarda a camisola de festa no armário desde o Natal. Não há palácios nem castelos — o que há são muros de xisto encaixados sem cimento, como quem monta um puzzle sem instruções. Sob os campos, porém, há túneis que a mão do homem cavou à procura de volfrâmio: as minas de Bravio, Malhadais e Pissarros, abertas na Primeira Guerra e fechadas quando o preço do metal caiu. Hoje são buracos cobertos de silvas onde as crianças não têm permissão para ir — mas vão mesma.

A língua que se agarra

Ifanes chama-se Anfainç em mirandês, essa língua que soa como se alguém estivesse a falar português de boca cheia. Ainda se ouve nos cafés, entre um dedo de aguardente e outro de conversa sobre o tempo. Paradela vem de "pará" (junto) e "dela" (leira), que é como quem diz: terra boa para plantar, má para vender. Com nove putos e 123 velhos, a freguesia envelhece como um vinho que ninguém abre — mas a língua fica, gravada nas placas e nas cantigas das festas de Nossa Senhora da Luz, onde até o padre se engana no latim.

Mesa que não engana

Nos dois tascos que há — um em Ifanes, outro em Paradela — o bife de Carne Mirandesa chega à grelha tão vermelho que parece vivo. Leva batata assada e grelos salteados com alho, nada de molhos que escondam o sabor. O cordeiro vai ao forno de lenha com alecrim e um fio de azeite que o próprio diz que é caseiro. Para a sobremesa, bolo de castanha e doce de ovos que a dona faz de olhómetro — se reclamar do açúcar, leva outro pedaço. Bebe-se aguardente de medronho que aquece como um cigarro mal apagado, ou vinho do Planalto que tem o sabor da terra que o vento não levou.

O fim do mundo, com vista

A estrada que leva ao Douro é como uma fita mal colada: faz curvas que parecem não levar a lado nenhum, até abrir de repente sobre o cânion. Lá em baixo, o rio corre entre pedras como se estivesse a fugir de alguém. Em cima, as águias-imperiais desenham círculos perfeitos — é o único trânsito que não tem pressa. Os trilhos são poucos e bem assinalados: dá para ir de Ifanes até ao miradouro do Penedo dos Abutres, onde o silêncio é tão grande que se ouve o coração. Leve água, leve capa, e não confie no telemóvel: aqui o sinal é como a sorte — vai e vem.

Quando o sol se põe, o xisto das casas fica cor de ferrugem e o nevoeiro sobe do rio como um gato que regressa a casa. Fica o cheiro a terra quente, o tilintar de um sino de ovelha que se perdeu do rebanho, e a certeza de que, mais dia menos dia, se há-de cá voltar.

Dados de interesse

Distrito
Bragança
Concelho
Miranda do Douro
DICOFRE
040619
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 52.7 km
SaúdeCentro de saúde
Educação7 escolas no concelho
Habitação~299 €/m² compraAcessível
Clima13.7°C média anual · 689 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
50
Familia
40
Fotogenia
60
Gastronomia
55
Natureza
35
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Miranda do Douro, no distrito de Bragança.

Ver Miranda do Douro

Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Ifanes e Paradela

Onde fica União das freguesias de Ifanes e Paradela?

União das freguesias de Ifanes e Paradela é uma freguesia do concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, Portugal. Coordenadas: 41.5669°N, -6.2411°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Ifanes e Paradela?

União das freguesias de Ifanes e Paradela tem 233 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Ifanes e Paradela?

Em União das freguesias de Ifanes e Paradela pode visitar Castro de Aldeia Nova. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Ifanes e Paradela?

União das freguesias de Ifanes e Paradela situa-se a uma altitude média de 774.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Bragança.

Ver concelho Ler artigo