Vista aerea de Picote
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Bragança · RELAXAMENTO

Picote: Granito, Águias e Mirandês nas Arribas do Douro

Aldeia de xisto sobre o cânion do Douro Internacional, onde a língua mirandesa ainda resiste

230 hab.
653.4 m alt.

O que ver e fazer em Picote

Património classificado

  • IIPEremitério Os Santos

Áreas protegidas

Festas e romarias em Miranda do Douro

Abril
Festa de Nossa Senhora da Luz Último fim-de-semana festa popular
Maio
Festa da Santíssima Trindade Dia 31 festa popular
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Festa de Santa Bárbara Dias 23 e 24 festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Picote: Granito, Águias e Mirandês nas Arribas do Douro

Aldeia de xisto sobre o cânion do Douro Internacional, onde a língua mirandesa ainda resiste

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O granito queima sob a palma da mão. Na Fraga de Puio, o vento leva-nos o cheiro das urzes pisadas e o pó das pedras mói-se entre os dentes. Lá em baixo, o Douro parece parado, mas basta parar de respistar para ouvir a água a roer a garganta do socalco. Quando a águia passa, não é só o silêncio que se parte — é a própria montanha que vacila no ar quente que sobe a rodos.

Picote agarra-se à encosta como quem se agarra à vida: casas de xisto com telhados novos que não disfarçam as costuras dos tempos, portas pintadas de azul elétrico que batem ao ritmo do vento do canyon. Na Casa do Toural, a porta range no mesmo sítio desde que eu tinha nove anos. Ainda se vê o raspanho onde o burro esfregava o lombo todas as tardes quando voltávamos dos campos. A Igreja Matriz continua a cheirar a cera e a roupa engomada aos domingos, mas agora são dez pessoas no banco das traseiras e o padre vem de carro de Sendim. A capela de Nossa Senhora de Fátima, essa sim, é outra história: construída à pressa com as sobras das obras da barragem, ainda tem a ferrugem das ferragens por cima da porta. Os operários chamavam-lhe "a igreja do cimento" — rezavam missa de corpo presente antes do turno das seis.

Onde o Douro faz a fronteira

O parque envolve-nos como um lenço de ar: cheira a esteva queimada, a medronho pisado, a serpente que passou. O Ribeiro de Picote não desce — fica. Fica nos poços onde as raparigas antigas lavavam a roupa até aos ossos, fica na pedra lisa onde ensinámos os miúdos a nadar. Os grifos não planam: são eles que mandam aqui. Conhecem cada saliente, cada nicho onde aninham. Quando o miradouro de vidro abriu, o Zé Mário teve de vir de noite tapar as luzes: os abutres-andavam desorientados, batiam contra o vidro como se o céu se tivesse partido.

Língua que se vai

O mirandês em Picote cheira a mofeta das caves e a pão de centeio. Ainda se ouve "bom día" na boca da Dona Alda, mas ela já não sai à rua. A Frauga guarda as palavras como quem guarda sementes — na loja, o mel tem o rótulo escrito à mão porque a impressora estragou há três anos e ninguém a arranjou. No Centro do Ecomuseu, as fotografias já estão a desbotar: o meu avó está lá, com a enxada ao ombro, e eu sei que foi ele que posou porque lhe falta o dedo mindinho — perdeu-o na debuxadeira quando eu tinha seis anos.

À mesa

A carne mirandesa não chega a Picote. Vai toda para Miranda, para os restaurantes. Aqui comemos o que sobra: o borrego do António que nasceu coxo, o porco que matámos em novembro e que ainda dá para o chouriço que fica pendurado na lareira. O presunto é do meu cunhado, de Vinhais, mas o pão é nosso — feito com fermento da minha mãe que tem 84 anos e ainda vai ao forno comunhal às cinco da manhã. O vinho vem em garrafões de cinco litros, trazidos por quem vai à feira de Bruçó. Não tem rótulo, tem gosto a terra e a uvas que o meu primo não conseguiu vender.

O que fica

O castro lá em cima é só uma pedra amontoada com vista. Mas de noite, quando o cão late, dizem que é o gênio-ladino que ainda guarda os tesouiros dos mouros. A central elétrica está fechada desde 2015, mas a água continua a entrar pelas frestas do gradeamento — faz uma música que me lembra o tempo em que o meu pai trabalhava lá, trazia o sapato cheio de peixe miúdo que se metia nas turbinas.

O vento agora traz o cheiro a eucalipto queimado. O grifo pousou na mesma pedra de sempre, a que chamamos "a cadeira do padre". Fica imóvel, mas eu sei que está a ver o tempo todo: sabe que daqui a nada já não há ninguém para lhe contar que esta pedra já foi altar, já foi moinho, já foi tudo — e agora é só o sítio onde os turistas tiram fotografias antes de ir embora.

Dados de interesse

Distrito
Bragança
Concelho
Miranda do Douro
DICOFRE
040611
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 66.1 km
SaúdeCentro de saúde
Educação7 escolas no concelho
Habitação~299 €/m² compraAcessível
Clima13.7°C média anual · 689 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
55
Familia
45
Fotogenia
60
Gastronomia
55
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Picote

Onde fica Picote?

Picote é uma freguesia do concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, Portugal. Coordenadas: 41.4030°N, -6.3696°W.

Quantos habitantes tem Picote?

Picote tem 230 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Picote?

Em Picote pode visitar Eremitério Os Santos. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Picote?

Picote situa-se a uma altitude média de 653.4 metros acima do nível do mar, no distrito de Bragança.

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