Artigo completo sobre Caravelas: onde o Serrar a Belha aquece o Inverno
Tradições ancestrais e gastronomia certificada numa aldeia a 653 metros de altitude em Mirandela
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O som da serra metálica a morder a belha seca ecoa pela aldeia. Dezembro. Caravelas, 653 m, prepara lenha para os meses de geada. Troncos de carvalho e sobre empilham-se à porta das casas; o cheiro a resina impregna o ar. Ninguém paga pelas horas: troca-se trabalho por trabalho, como sempre.
1256 hectares, 152 habitantes. Densidade: 12/km². Dos 152, 72 têm mais de 65 anos. Seis crianças vão à escola primária de Vilar de Nantes, 4 km abaixo, de autocarro escolar. Quando o serviço falha, desce-se a pé.
26 de dezembro, dia de Santo Estêvão. Pela manhã os rapazes, entre 10 e 15 anos, mascarados e com chocalhos de lata, percorrem as ruas. Batem às portas, cantam uma ladainha que ninguém escreveu, recebem um maço de castanhas ou um pedaço de broa. À noite juntam-se na casa do padrinho, comem sardinhas assadas e bebem vinho quente. Não há palco, nem horário: começa quando cheham os primeiros e acaba quando os últimos se vão embora.
Cozinha útil: alheira de Mirandela fumada na chaminé; batatas cozidas na água do fumeiro; azeite da cooperativa de Valpaços. Domingo é dia de cabrito na tasca da D. Rosa: 12 €, inclui vinho da casa. Abre só se marcar antes: 962 345 678.
O que ver: nada. Caminhe pela estrada de terra que liga Caravelas a Vilar de Nantes, 3 km. Passa por uma capela de 1707, porta trancada, chave na casa ao lado. Regresse antes de escurecer: não há iluminação pública.
Chegar: saia da A4 em Mirandela, siga pela N315 em direção a Valpaços, 19 km. Depois de Vilar de Nantes vire à esquerda na placa "Caravelas 4 km". A última bomba de gasolina fica em Mirandela.
Fique onde: não há alojamento. O café da aldeia fecha às 20 h.