Artigo completo sobre Saldanha: aldeia de pedra e silêncio em Mogadouro
Terra Quente transmontana onde 133 habitantes preservam tradições gastronómicas certificadas DOP
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A luz da manhã demora mais tempo a chegar do que no resto do concelho — são os 628 metros de altitude, dizem os mais velhos. Em Saldanha, o vento não assobia, conversa. E o que lhe responde são as oliveiras centenárias que ainda produzem azeite denso, do tipo que faz o pão parecer bolo.
O que se come por aqui
O restaurante da aldeia só abre se marcar com dois dias de antecedência, mas vale a pena o telefonema. Peça borrego à moda da casa — vem em tacho de barro, com batatas que absorveram o molho como esponjas. O cabrito é do vizinho, o azeite do lagar do Sr. António que fica mesmo ao lado da igreja. Experimente também o queijo terrincho com mel da terra quente: a combinação parece estranha até à primeira colherada.
Não há menu. A D. Rosa pergunta-lhe quantos são e serve o que há. Leve dinheiro, que não se fazem plafonds.
Onde ir
A capela de Nossa Senhora do Caminho fica a cima do outeiro, onde se vê o Douro Internacional ao longe. São 20 minutos a pé por um carreiro de xisto — leve água, que o sol engana. Se for em Agosto, apanha a romaria: há anos que o coreto está partido, mas o arraial mantém-se. Os emigrantes voltam de França com carros alemães e vontade de dançar até às tantas.
Para quem gosta de caminhar, siga o trilho que desce até ao rio. São 3 horas de volta, mas leve candeeiro — o nevoeiro sobe rápido e o telemóvel não apanha rede no fundo do desfiladeiro.
O que levar
- Azeite do Sr. António (leve garrafa, que ele enche na hora)
- Presunto da D. Alice (tem na cave da casa com portas azuis)
- Uma pedrinha de xisto do campo — dizem que traz sorte aos que voltam
Saldanha não é lugar para passar férias. É onde se vai quando se está farto de férias. Onde se liga o telemóvel ao modo avião e se deixa o tempo fazer o resto. À noite, o céu é tão escuro que até se vê a Via Láctea — e isso, meu amigo, é coisa que já não se encontra em lado nenhum.