Vista aerea de Seixo de Manhoses
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Bragança · CULTURA

Seixo de Manhoses: onde os sinos ecoam pelos vales

Seixo de Manhoses, Vila Flor, Bragança: aldeia a 580m de altitude com produtos DOP, romarias tradicionais e sabores autênticos de Trás-os-Montes.

404 hab.
580.3 m alt.

O que ver e fazer em Seixo de Manhoses

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Vila Flor

Agosto
Festa da Vila em honra de São Bartolomeu Romaria da Nossa Senhora da Abadia | Sta Maria de Bouro – Amares festa popular
Romaria de Nossa Senhora da Assunção Festa de São Lourenço e Dia do Município | Vimioso romaria
Romaria de Nossa Senhora do Castanheiro Romaria de S. Domingos | Raiva – Castelo de Paiva romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Seixo de Manhoses: onde os sinos ecoam pelos vales

Seixo de Manhoses, Vila Flor, Bragança: aldeia a 580m de altitude com produtos DOP, romarias tradicionais e sabores autênticos de Trás-os-Montes.

Ocultar artigo Ler artigo completo

O som dos sinos de São Bartolomeu não soa às horas certas. Soam quando o sacristão acorda, quando há morto ou quando lhe apetece. Na manhã de agosto que vos trago, tocaram às 7h43 por causa de um funeral que ninguém esperava. O som desceu pelo cabeço abaixo, partiu as amêndoas no chão e foi-se abraçar ao fumo que saía da chaminé da Dona Aurélia - ela que ainda faz o café na lareira porque "o fogão eléctrico não dá sabor nenhum".

A pedra das casas não aquece lentamente. Queima. Às três da tarde é impossível tocar na parede da cisterna sem se levar um estalo na pele. As crianças brincam descalças mesmo assim - os pés tornam-se duros como as pegadas dos burros que descem à fonte.

Os 404 habitantes são 402 no Inverno. A Maria do Carmo vai para o Porto com os netos, o Zé Manel fica na casa da filha em Chaves. Mas em Agosto voltam todos - até o António que vive há trinta anos na França aparece com a mulher que ninguém conhece e um sotaque que já não é de cá nem de lá.

O que se come mesmo

A amêndoa que vos falo é a que a Ilda guarda num saco de linho no frigorífico. É ela que me faz um torrão com mel quando vou lá a casa - esmaga as amêndoas no almofariz até ficarem como areia grossa, mistura com mel de rosmaninho que o filho trouxe de Miranda. Não é DOP nenhum, é só do seu quintal.

O azeite é o do lagar do Seixo. Mata-se a fome com ele: pão de forma molhado no azeite, sal grosso por cima, senta-se no muro e observa-se quem passa. O Dorinda fazia o melhor azeite da zona até ao ano passado - morreu com as mãos ainda a apanhar as azeitonas. Agora é o neto que tenta, mas "não tem o jeito".

A chouriça fica pronta em Janeiro. Não é fumada em caves misteriosas - está pendurada na caveira da lareira da minha tia, a fumar-se com o fumo do carvalho que queimamos para nos aquecer. Quando está boa, faz um som oco quando batemos uma na outra.

As romarias que vivi

A Romaria do Castanheiro já não vai ao castanheiro - morreu há vinte anos, deixou só o nome. Agora faz-se no adro da igreja, mas a velha ainda se lembra de quando subiam a pé até ao lugar onde a árvore era tão grande que "cinco homens não a abraçavam".

Na Festa da Vila, o meu tio monta a banca das farturas. Não são as farturas de Lisboa - são grossas, com buraco no meio, cheias de açúcar que se agarra aos dedos. O molho de farturas é o que nos dava para comprar os livros no início do ano lectivo.

À noite, os rapazes vão todos ao mesmo sítio: o café do Seixo. Não tem nome, é "o café". Bebe-se imperial, joga-se às cartas, fala-se da colheita e das mulheres. Às vezes aparece algum turista perdido - olham-no como quem vê um extraterrestre, oferecem-lhe uma bica e perguntam-lhe "mas veio parar aqui porquê?".

Quando o sol se põe atrás do cabeço, a minha avó diz que é a hora de "os santos andarem à solta". Não é metáfora - é quando os cães começam a ladrar para o nada, quando se ouvem portas a bater na aldeia abandonada ao lado, quando o vento traz cheiro de rosmaninho e de algo mais antigo que não tem nome.

Venham. Mas não tragam mapas - aqui as estradas mudam de nome consoante quem as pergunta. Não peçam recomendações - sentem-se no muro do adro e esperem. Alguém vai perguntar se são "de fora", oferecer uma cadeira, uma história, um pedaço de pão com azeite que vos vai ficar no corpo durante muito tempo.

Dados de interesse

Distrito
Bragança
Concelho
Vila Flor
DICOFRE
041013
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 14.6 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~330 €/m² compra · 2.29 €/m² rendaAcessível
Clima13.7°C média anual · 689 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
45
Familia
35
Fotogenia
70
Gastronomia
35
Natureza
20
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Vila Flor, no distrito de Bragança.

Ver Vila Flor

Perguntas frequentes sobre Seixo de Manhoses

Onde fica Seixo de Manhoses?

Seixo de Manhoses é uma freguesia do concelho de Vila Flor, distrito de Bragança, Portugal. Coordenadas: 41.2625°N, -7.1734°W.

Quantos habitantes tem Seixo de Manhoses?

Seixo de Manhoses tem 404 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Seixo de Manhoses?

Seixo de Manhoses situa-se a uma altitude média de 580.3 metros acima do nível do mar, no distrito de Bragança.

Ver concelho Ler artigo