Vista aerea de Penhas Juntas
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Bragança · CULTURA

Penhas Juntas: aldeia de granito no coração de Montesinho

Capela com pinturas de 1698 e fumeiro tradicional na rota de Santiago em Vinhais

260 hab.
677.2 m alt.

O que ver e fazer em Penhas Juntas

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Vinhais

Agosto
Festa de Nossa Senhora da Assunção Romaria da Nossa Senhora da Abadia | Sta Maria de Bouro – Amares festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Penhas Juntas: aldeia de granito no coração de Montesinho

Capela com pinturas de 1698 e fumeiro tradicional na rota de Santiago em Vinhais

Ocultar artigo Ler artigo completo

O aroma a castanha assada sobe pelo caminho de xisto enquanto o fumo se dispersa no ar frio da manhã. Aos 677 metros de altitude, Penhas Juntas acorda devagar, com o som grave do sino da igreja a marcar as sete horas e o eco a prolongar-se entre as formações rochosas que deram nome à aldeia — penhas agrupadas, juntas, como sentinelas de granito que guardam este recanto do Parque Natural de Montesinho desde que os primeiros povoadores aqui se fixaram, há mais de oito séculos.

As pedras contam histórias sem pressa. No adro da Capela de São Sebastião, construída no século XVII, pinturas rupestres de 1698 resistem ao tempo e à chuva transmontana. Mais acima, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção exibe um retábulo barroco onde a luz da tarde incide sobre a imagem da padroeira, atribuída ao escultor braganção José de Santo António. O cruzeiro de granito junto ao cemitério marca a passagem do Caminho Nascente de Santiago, e os peregrinos que aqui chegam selam o passaporte no Café O Penhas antes de seguirem os doze quilómetros até Vinhais, atravessando a ponte de pedra sobre o ribeiro que atravessa a freguesia.

Onde o fumeiro é ritual

Entre Novembro e Fevereiro, a degola do porco reúne famílias inteiras em torno da mesa comprida. As mãos trabalham a carne com sal grosso e alho, enchem tripas com chouriça de carne de Vinhais IGP, moldam o salpicão e o presunto bísaro que pendem dos fumeiros durante meses. A sangria corre para tigelas de barro enquanto cânticos antigos preenchem a cozinha aquecida pelo lume. Mais tarde, no restaurante O Cimo, a posta mirandesa DOP grelha sobre brasas de sobreiro, regada com azeite fervente que estala ao tocar a carne. Acompanha-a a batata de Trás-os-Montes IGP, de polpa amarela e sabor adocicado, e grelos salteados que deixam um travo amargo na boca.

O moinho do Pego, recuperado com o rodízio original do século XIX, ainda mói trigo e milho mediante marcação prévia na Casa do Povo — a antiga escola primária de 1908 que hoje acolhe iniciativas culturais. A água do ribeiro cai na cascata do Pego, formando uma piscina fluvial natural onde o frio corta a respiração mesmo em Agosto. Dali parte o PR5, trilho circular de oito quilómetros que atravessa soutos centenários onde se identificam trinta e cinco castanheiros com mais de trezentos anos. Entre eles, o "castanheiro dos sete cabos", com onze metros de perímetro, declarado árvore de interesse público em 2009.

À noite, quando a poluição luminosa é zero e as estrelas cobrem a abóbada celeste como cal salpicada sobre ardósia escura, o Clube de Astronomia de Bragança organiza sessões mensais de observação no miradouro da Serra da Coroa. A 873 metros de altitude, o silêncio só é interrompido pelo vento que varre os matos de urze e giestas, e pela respiração suspensa de quem observa constelações que os pastores já usavam para orientar rebanhos no século XVI.

Na madrugada de 1 de Janeiro, grupos de jovens percorrem as casas cantando as Janeiras, oferecendo vinho e recebendo bolachas de castanha. A tradição do "torno do pão" mantém-se viva: cada família acende o forno comunitário uma vez por semana, seguindo uma rotação que ninguém ousa quebrar. O cheiro a lenha de carvalho mistura-se com o da broa de milho acabada de cozer, e fica nas mãos durante horas — resina, farinha, tempo acumulado na massa que cresce devagar, como tudo o resto nesta aldeia onde o granito e o xisto medem os dias pelo desgaste imperceptível da pedra.

Dados de interesse

Distrito
Bragança
Concelho
Vinhais
DICOFRE
041216
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 36.2 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~442 €/m² compraAcessível
Clima13.7°C média anual · 689 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
45
Familia
35
Fotogenia
70
Gastronomia
65
Natureza
20
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Vinhais, no distrito de Bragança.

Ver Vinhais

Perguntas frequentes sobre Penhas Juntas

Onde fica Penhas Juntas?

Penhas Juntas é uma freguesia do concelho de Vinhais, distrito de Bragança, Portugal. Coordenadas: 41.7480°N, -7.0290°W.

Quantos habitantes tem Penhas Juntas?

Penhas Juntas tem 260 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Penhas Juntas?

Penhas Juntas situa-se a uma altitude média de 677.2 metros acima do nível do mar, no distrito de Bragança.

Ver concelho Ler artigo