Vista aerea de Castelejo
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Castelo Branco · CULTURA

Castelejo: pomares em flor sob a Serra da Gardunha

Freguesia do Fundão onde a cereja tardia e o azeite floral marcam o calendário da altitude

562 hab.
498 m alt.

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Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Fundão

Junho
Festa da Cereja Último fim de semana de maio ou primeiro de junho festa popular
Festa de São João 24 de junho festa popular
Setembro
Romaria de Nossa Senhora dos Verdes Último domingo de setembro romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Castelejo: pomares em flor sob a Serra da Gardunha

Freguesia do Fundão onde a cereja tardia e o azeite floral marcam o calendário da altitude

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O cheiro a lenha mistura-se com o aroma adocicado das cerejas maduras quando o vento sobe da ribeira de Enxabarda. É maio e os pomares que rodeiam Castelejo explodem em tons de rosé barato - aquelas árvores parecem que estão de festa, mas de uma festa de aldeia, sem confetis nem bandas. Ao fundo, a Gardunha faz-se valer, cerradinha como quem guarda segredos, enquanto o sino da igreja marca as horas como um velho que se lembra de dar boleia ao tempo.

Altitude e Memória

A 498 metros, Castelejo é daquelas aldeias onde o GPS se engana e o telemóvel pisca como velas de aniversário. O nome vem de "castellum", dizem os livros - uma torre que lá estaria, a vigiar quem vinha da serra. Hoje em dia, quem vigia é o cão do Arnaldo, que ladra para tudo o que se mexe, inclusive para o carteio.

Durante séculos, isto foi couto de Alpedrinha e passavam por aqui os peregrinos da tal Via Lusitana. Deviam estar perdidos, porque o caminho para Santiago não é por aqui - mas quem se importa? Deixavam as suas moedas e as suas histórias, como fazemos nós hoje quando paramos no café do Fundão para um café com bagaço.

A igreja de Santa Luzia é do século XVIII, mas parece mais velha - não pela arquitectura, mas por aquela paciência que as pedras têm de aturar os anos. O adro é o miradouro onde os rapazes vão fumar o primeiro cigarro e os velhos vão morrer um bocado à sombra. À tarde, quando o sol se põe atrás da Gardunha, a luz é tão dourada que até parece que alguém derramou um bagaço de reserva por cima da paisagem.

Ouro Verde e Cereja Tardia

O azeite aqui é "tardio" - não por preguiça, mas porque a altitude faz as azeitonas esperar. Em novembro, quando noutros sítios já está tudo feito, aqui ainda se vai aos pomos. O lagar cooperativo abre e o azeite sai quente, provado em pão queimado da lenha, com aquele folar de carne que a mulher do Zé faz - não é receita de ninguém, é dela, e só ela é que sabe o segredo das carnes que leva.

Quando chega maio, a aldeia fica assim... como um quarto de miúda que decidiu pintar tudo de cor-de-rosa. É cerejeira que nem acaba mais. O trilho do azeite liga Castelejo a Enxabarda - são cinco quilómetros que se fazem em três, se não houver ninguém no caminho a contar a vida. A ribeira forma uma piscina natural onde os putos se atiram de calções, e os pais fingem que não estão a ver, a lembrar-se quando faziam o mesmo.

Fogueiras e Cantares

Em dezembro, a Festa de Santa Luzia é das poucas alturas em que a aldeia parece que ganha cor. Acendem-se archotes, não porque seja preciso, mas porque sempre se fez assim. O pão-de-ló da Luzia é molhado em azeite novo - quem nunca comeu, não sabe o que perde. É como manteiga, mas melhor, e não engorda (é o que se diz).

Na noite de São João, há um cantar que vem dos tempos dos trovadores. Ninguém sabe bem a letra, mas toda a gente canta. É como aquelas rezas que se aprendem de ouvido - vão mudando, mas o sentido fica.

Água Fria e Pés Cansados

O lavadouro é o sítio onde as mulheres já não vão lavar a roupa, mas onde os peregrinos ainda param. A água é tão fria que faz lembrar o primeiro beijo - arrepia, mas depois aquece. Os pés cansados agradecem, e quem passa fica a saber que aqui há sempre um sítio para descansar.

É isto Castelejo - não é grande coisa, mas é nossa. E quem cá vem, vai embora com a certeza de que há sítios onde o tempo não passa: apenas se senta à sombra da oliveira e espera que a vida faça o resto.

Dados de interesse

Distrito
Castelo Branco
Concelho
Fundão
DICOFRE
050412
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 9.9 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~606 €/m² compra · 4.14 €/m² rendaAcessível
Clima16.8°C média anual · 740 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
35
Familia
30
Fotogenia
70
Gastronomia
45
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Castelejo

Onde fica Castelejo?

Castelejo é uma freguesia do concelho de Fundão, distrito de Castelo Branco, Portugal. Coordenadas: 40.1080°N, -7.6047°W.

Quantos habitantes tem Castelejo?

Castelejo tem 562 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Castelejo?

Castelejo situa-se a uma altitude média de 498 metros acima do nível do mar, no distrito de Castelo Branco.

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