Vista aerea de União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Castelo Branco · CULTURA

Póvoa de Atalaia: onde Eugénio de Andrade nasceu poeta

União de freguesias no Fundão preserva memória do poeta e tradições da Beira Baixa

1039 hab.
374.5 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo

Património classificado

  • IIPIgreja da Póvoa da Atalaia
  • IIPPelourinho de Atalaia do Campo

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Fundão

Junho
Festa da Cereja Último fim de semana de maio ou primeiro de junho festa popular
Festa de São João 24 de junho festa popular
Setembro
Romaria de Nossa Senhora dos Verdes Último domingo de setembro romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Póvoa de Atalaia: onde Eugénio de Andrade nasceu poeta

União de freguesias no Fundão preserva memória do poeta e tradições da Beira Baixa

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O cheiro a lenha queimada — aquele que fica na roupa depois de um dia na serra — mistura-se com o aroma denso dos olivais que cercam as casas. Nas ruas estreitas da Póvoa de Atalaia, os sapatos batem na calçada irregular e o som parece acordar as paredes caiadas. Aqui, a 374 metros de altitude, o silêncio não é ausência — é antes um tipo de companhia que se vai conhecendo. Interrompe-se com o sino da igreja ou com o ladrar de um cão que, se for o Tejo do Sr. Armindo, ainda vem atrás para receber um biscoito.

A vila que foi e a aldeia que guarda versos

Atalaia do Campo tem no nome o que perdeu: entre 1570 e o princípio do XIX, foi vila e sede de concelho. Em 1801, contava 358 habitantes — número que diz tanto sobre a dureza do território como sobre a teimosia de quem cá ficou. Hoje, fundida com Póvoa de Atalaia desde 2013, a freguesia soma pouco mais de mil almas, 427 com mais de 65 anos. Mas é na Póvoa que vive a memória mais luminosa: Eugénio de Andrade passou aqui os primeiros dez anos, antes de a poesia o levar para longe. O Museu que guarda o seu nome está instalado na antiga escola primária — lugar onde, se escutar com atenção, ainda se ouve o ranger das cadeiras e a voz da Professora Alice a dizer «menino José, preste atenção».

Pão, azeite e cereja — o paladar da Beira

A mesa não mente. O cabrito assado cheira a alecrim e a azeite novo, o dourado que escorre é daquela colina mesmo — a do Sr. Domingos, que ainda vai ao lagar de tracção animal no fim-de-semana. As papas de milho, servidas às dezenas na Festa das Papas (janeiro, traga fome), são acompanhadas por rojões e chouriça de fumeiro que a Dona Odete faz no primeiro andar da casa, junto à lareira. Em junho, a cereja do Fundão pinta vermelho os caminhos; em setembro, são as maçãs reineta que se vão ameigando na árvore da avó. A azeitona galega, gorda e lustrosa, dá um azeite verde-escuro que, embora não tenha nome chique na garrafa, sabe melhor que muito PDO que se vende na capital.

Trilhos de pedra e fé

O Caminho de Santiago cá passa, mas não é o das multidões. É a Via Lusitana, rota interior onde o peregrino vai sozinho, a mochila pesa e a sombra das oliveiras faz falta. Cruza-se com cruzes de granito e capelas de porta encostada que, mesmo fechada, está aberta — basta empurrar. A Igreja Matriz de Póvoa de Atalaia não tem ourives: é pedra, cal e o altar de madeira escura onde as velas se vão gasto devagar. Em setembro, a Festa de Santo Estêvão enche o adro de mesas de madeira e de conversa que vai até tarde. Quem levanta a cabeça vê a Serra da Gardunha recortada e pensa que, afinal, não é preciso ir mais longe.

O que fica quando se parte

Castelo Novo fica a dez minutos de carro, mas há quem nunca lá tenha ido — e não é por falta de estrada. Aqui não há filas para tirar selfie, nem lojas de souvenir. Há duas moradias que alugam quartos, a porta tem o número apagado e o código da Wi-Fi está escrito num papel colado à parede. As ruas de Atalaia do Campo conservam o traçado medieval: quem entra de carro risca o espelho, quem entra a pé ganha conversa. O musgo cresce nas juntas do xisto e o vento que desce da serra traz o cheiro a terra molhada mesmo nos dias sem chuva.

Quando o sol se põe por trás dos olivais e a luz rasante incendeia as fachadas, percebe-se que há lugares que não gritam «visite-me». Apenas ficam ali, pacientes, como quem sabe que o tempo é de quem para.

Dados de interesse

Distrito
Castelo Branco
Concelho
Fundão
DICOFRE
050435
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~606 €/m² compra · 4.14 €/m² rendaAcessível
Clima16.8°C média anual · 740 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
35
Familia
40
Fotogenia
70
Gastronomia
40
Natureza
30
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo

Onde fica União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo?

União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo é uma freguesia do concelho de Fundão, distrito de Castelo Branco, Portugal. Coordenadas: 40.0539°N, -7.4145°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo?

União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo tem 1039 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo?

Em União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo pode visitar Igreja da Póvoa da Atalaia, Pelourinho de Atalaia do Campo. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo?

União das freguesias de Póvoa de Atalaia e Atalaia do Campo situa-se a uma altitude média de 374.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Castelo Branco.

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