Vista aerea de Cadima
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Coimbra · CULTURA

Cadima: água romana e memórias de um concelho perdido

Nascentes milenares, foral manuelino e a história de uma vila que já teve mar à porta

2644 hab.
91.2 m alt.

O que ver e fazer em Cadima

Património classificado

  • IIPCapela de Santo Amaro

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Cantanhede

Julho
Romaria de São Tiago 25 de julho romaria
Agosto
Festas de Nossa Senhora da Assunção 15 de agosto festa religiosa
Outubro
Feira Franca Primeiro fim de semana de outubro feira
ARTIGO

Artigo completo sobre Cadima: água romana e memórias de um concelho perdido

Nascentes milenares, foral manuelino e a história de uma vila que já teve mar à porta

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O primeiro sinal de Cadima não vem pela vista — vem pela pele. A água brota fresca dos Olhos da Fervença como quem abre a torneira às seis da manhã, e de repente está tudo húmido: as valas, o ar, até a conversa. Plínio já cá andava — chamava-lhe Campo Catinense, que soa a nome de clube de futebol romano — mas o que importa é que a nascente ainda está lá, a debitar como se o tempo fosse um detalhe. O som é de lavadora esquecida no ciclo contínuo: chá, chá, chá, entre pinhais e olivais que parecem ter sido pintados por além com um pincel grosso.

Quando Cadima olhava o mar

Dizem que Cadima já teve praia. Parece brincadeira de tasca, mas é verdade: até 1910, a freguesia ia dar ao mar em Tocha. Imaginem — sair de casa, passar no café do Zé, atravessar as dunas e estar na água. Depois levaram-lhe o litoral, fizeram-lhe uma cirurgia geográfica, e ficou com o que vê: colinas, vinha e a Fervença. Ainda assim, guarda o foral de D. Afonso Henriques (isso ninguém lhe tira) e a igreja com duas torres gémeas que parecem irmãs a discutir quem é mais alta. Por dentro, João de Ruão espalhou santos em relevo como quem deixa post-its dourados. À volta, escondidos nos caminhos, estão os extras: capela de Santo Amaro que só os da Quintã sabem onde fica, fontes romanas que ainda servem para encher garrafões, e uma mamoa das Moreiras que é basicamente o primeiro andar da história local — enterros do tempo em que ainda não havia cemitério nem Facebook.

A água que alimenta dezoito freguesias

Os Olhos da Fervença não são poéticos — são úteis. Abastecem dezoito freguesias, o que quer dizer que metade do concelho bebe aqui o café. No verão, a praia fluvial enche-se de toalhas de rugby e crianças que só saem da água quando a mãe ameaça ir embora. No domingo a seguir ao 15 de agosto, o Grupo Típico de Cadima monta o arraial: cantigas ao desafio, ranchos e um cheiro de sardinha que se sente em São Gião. Em julho o Zambujal põe os pés no chão com o Danças e Cantares; setembro é vez da Coutada celebrar as uvas e do Olho ressuscitar a Feira dos Treze — antigamente comprava-se tudo, desde a foice ao burro, hoje sobrevive em versão instagramável.

Entre Aljuriça e Guímera, os moinhos de água resistem como velhos operários reformados: alguns ainda de pé, outros em ruína, todos com história de trigo e surras de moinheiro. O percurso "Fornos da Cal e Moinhos" é o programa perfeito para quem gosta de andar devagar e ouvir a terra ranger. Ao fundo, a serra de São Gião faz de guarda-costas e, se subir, vê-se Cadima inteira — parece um tapete de vinha e telhados a secar ao sol.

O que se come em terra de vinha e gandra

Vinha em cima de calcário dá vinho que não se deita fora. O leitão cheira antes de chegar à mesa: pele estaladiça, carne que desfia só de olhar. A chanfana é preta como café sem leite e mata qualquer constipação; o sarrabulho parece confusão, mas é ordem no prato — arroz, sangue, cheiro de louro. Há quem prefira polvo à lagareiro: batatinhas a chorar azeite e alho a dizer amém. Para acompanhar, favas à gandaresa, que é basicamente a sopa de pedra mas com mais couve e menos pedra. Em casa, guarda-se broa de milho que serve de prato, de guardanapo e de sobremesa se lhe puser manteiga. Os doces obedecem ao calendário: folar de ovos na Páscoa, broa de Natal que parece tijolo mas é amor, arroz-doce aos domingos para enganar os netos. À saída, uma aguardente que aquece mais que lareira.

2 644 cadimenses espalham-se por aldeias que parecem ter sido esquecidas no tempo — e isso é elogio. Casas baixas, portas pintadas de azul para espantar mau olhado, pátios onde ainda se tece cesto como quem faz tricô. O brasão resume: pinheiro, fonte, mó de moinho — ou seja, o essencial para sobreviver a um domingo sem net. Quando a luz da tarde pousa no olival e a vinha doura de vez, o truque é sentar-se no muro, abrir uma garrafa de Bairrada e deixar falar a água. Cadima não grita — murmura. E quem ouve, volta.

Dados de interesse

Distrito
Coimbra
Concelho
Cantanhede
DICOFRE
060203
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 13.9 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~822 €/m² compra · 4.18 €/m² rendaAcessível
Clima15.7°C média anual · 1066 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

45
Romance
40
Familia
30
Fotogenia
55
Gastronomia
25
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Cadima

Onde fica Cadima?

Cadima é uma freguesia do concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, Portugal. Coordenadas: 40.3041°N, -8.6394°W.

Quantos habitantes tem Cadima?

Cadima tem 2644 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Cadima?

Em Cadima pode visitar Capela de Santo Amaro. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Cadima?

Cadima situa-se a uma altitude média de 91.2 metros acima do nível do mar, no distrito de Coimbra.

22 km de Coimbra

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