Vista aerea de União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Coimbra · CULTURA

Onde a estrada romana ainda guia os passos

Duas vilas unidas pela história: das lajes romanas aos retábulos maneiristas do planalto calcário

8741 hab.
138.9 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova

Património classificado

  • MNAqueduto romano de Conímbriga
  • MNConímbriga
  • IIPCapela de Nossa Senhora da Lapa (Condeixa-a-Nova) ou Capela da Lapinha
  • IIPPalácio dos Figueiredo
  • IIPPalácio dos Lemos ou Palácio Ramalho Lemos ou Palácio Sotto Maior

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Condeixa-a-Nova

Maio
Festa do Divino Espírito Santo Último domingo de maio festa religiosa
Junho
Festa de São João 24 de junho festa popular
Julho
Feira Medieval de Condeixa Primeiro fim de semana de julho feira
ARTIGO

Artigo completo sobre Onde a estrada romana ainda guia os passos

Duas vilas unidas pela história: das lajes romanas aos retábulos maneiristas do planalto calcário

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O som dos pés sobre lajes gastas é o primeiro sinal. Na Ponte Romana de Condeixa-a-Velha, o calcário polido por séculos de travessias absorve o calor da manhã e devolve-o à pele das mãos quando se toca o parapeito baixo. O Ribeiro de Alcabideque corre por baixo — fino no verão, turvo e apressado no inverno — e o ar traz consigo aquele cheiro particular da água doce a bater em pedra coberta de limo. É por aqui que passavam os peregrinos do Caminho Central Português, vindos de Coimbra rumo a Tomar, antes de a estrada se desviar para a nova vila. E é por aqui, ainda hoje, que começa a leitura deste território.

Duas vilas, uma consagração

O topónimo carrega peso. "Condeixa" pode derivar do latim condita — consagrada — ou do árabe quandixa, e ambas as etimologias apontam para o mesmo gesto: alguém, num tempo remoto, reconheceu neste outeiro ondulado, entre os 80 e os 250 metros de altitude, um lugar que merecia ser nomeado. Condeixa-a-Velha aparece em documentos do século XI, uma das mais antigas povoações do concelho. Durante séculos foi sede de concelho, com câmara própria e cadeia — cujos ferrolhos e grades setecentistas ainda se podem ver na actual sede da Junta de Freguesia. Em 1836, no reinado de D. Maria II, a função administrativa deslocou-se dois quilómetros para sul, para a vila que crescia junto à estrada real. Nasceu Condeixa-a-Nova, e o epíteto "Velha" fixou-se como cicatriz toponímica. A fusão administrativa de 2013 juntou o que a geografia nunca separou verdadeiramente: 2765 hectares de planalto calcário, sobreiros, esteva e ribeiras onde vivem hoje 8741 pessoas.

Pedra sobre pedra, retábulo sobre retábulo

A Igreja Matriz de Condeixa-a-Velha, do século XVI, guarda um retábulo maneirista cuja talha dourada capta a luz oblíqua que entra pelas frestas laterais — uma luz grossa, quase sólida, que parece pousar sobre as figuras esculpidas. A dois quilómetros, a Igreja Matriz de Condeixa-a-Nova responde com o seu frontão barroco do século XVIII, mais teatral, mais aberto à praça. Entre ambas, o tecido de capelas — São Pedro, Santo Amaro, São Brás — pontua o território como estações de um rosário geográfico. No Largo do Toural, o conjunto de casas senhoriais setecentistas forma uma frente de fachadas onde o reboco creme descasca em camadas, revelando a argamassa de cal por baixo, e as portadas de madeira escura rangem com a brisa que sobe do vale. A Casa do Concelho, antiga câmara de Condeixa-a-Velha, acolhe hoje um núcleo museológico com peças de arqueologia romana e etnografia agrícola — alfaias de ferro escurecido, fragmentos de cerâmica, a memória material de quem lavrou esta terra antes de nós.

Chanfana no tacho, tigeladas no forno

O barro é protagonista à mesa. A chanfana de bode à moda de Condeixa coze lentamente em tachos de barro negro com vinho tinto, colorau e os chamados cheiros-da-serra — e o vapor que escapa da tampa traz um aroma denso, quase táctil, que se instala na roupa e na memória. No verão, quando o Ribeiro de Alcabideque baixa e aquece, o ensopado de enguias ocupa o lugar da chanfana, mais leve, mais verde. Nos dias frios, a sopa de nabos com toucinho fumado aquece com uma eficácia que nenhuma lareira iguala. Na padaria O Forno da Vila, as tigeladas de forno de lenha saem com a superfície dourada e trémula, ainda a fumegar, e os bolinhos de São Brás, salpicados de canela, aparecem em montes generosos a cada 3 de fevereiro, quando a Festa de São Brás traz a bênção de pães e a distribuição ritual. Os pastéis de Santa Clara — massa folhada recheada com doce de ovos — completam uma doçaria que deve tanto ao convento como à cozinha doméstica. E há quem, nas traseiras de certas casas, mantenha pequenos alambiques onde se destila licor de medronho e de casca de laranja, com o cuidado artesanal de quem não tem pressa.

A levada e o Mondego ao longe

O Trilho da Levada (PR1 CNX) parte de Condeixa-a-Velha e segue seis quilómetros — ida e volta — até à nascente da levada medieval, por entre arvoredo de ribeira onde se ouvem chapins e alvéolas antes de se verem. O caminho é fresco mesmo em julho, sombreado por amieiros e salgueiros que filtram a luz em manchas verdes-claras sobre a terra húmida. No planalto, a vegetação muda: esteva, com o seu perfume resinoso e pegajoso, e sobreiros de casca arrancada em tons de ferrugem e salmão. Do miradouro do Cruzeiro, no cimo do monte onde se ergue o cemitério, a paisagem abre-se sobre o vale do Mondego — uma extensão de campos cultivados e linhas de água que se perdem na bruma da Bairrada. A zona envolvente ao castro romano integra a Rede Natura 2000, com protecção especial da fauna nocturna, o que significa que, ao anoitecer, a escuridão é real e densa, e o céu devolve estrelas.

Peregrinos, romeiros e um automóvel a vapor

Dois caminhos de Santiago cruzam esta freguesia — o Caminho Central Português e o Caminho de Torres — e o circuito de interpretação entre a Ponte Romana e o Largo do Toural, com placas informativas, permite percorrer em meia hora o que os peregrinos medievais calcorreavam com os pés descalços. No terceiro domingo de setembro, a Romaria de Nossa Senhora da Piedade inverte a escala: milhares de romeiros vindos de Coimbra e da Bairrada enchem as ruas, e a procissão sobe do centro de Condeixa-a-Nova até ao alto do Calvário num cortejo lento e solene. Na semana da Páscoa, a Festa do Folar traz concurso de folares caseiros e animação popular. Em julho, a Noite das Cantigas enche o Largo da Igreja Velha com concertinas e ranchos folclóricos, e o som reverbera contra as paredes de pedra como se a praça fosse uma caixa de ressonância construída de propósito. E há uma curiosidade que merece nota: em 1902, um automóvel a vapor — propriedade do conde de Condeixa — ligou a estação de Alfarelos à vila, sendo o primeiro que a região viu. A máquina desapareceu; o espanto ficou nos registos do jornal "O Conimbricense" de 18 de Maio desse ano.

Na feira mensal de Condeixa-a-Nova, ao primeiro domingo do mês, o fumo dos tachos de chanfana sobe entre as bancas de fruta e de ferramentas velhas, e mistura-se com o cheiro da esteva que o vento traz do planalto. É esse cruzamento exacto — gordura de bode, resina de mato, calcário aquecido — que nenhum outro lugar replica. Quem inspira fundo, leva Condeixa nos pulmões.

Dados de interesse

Distrito
Coimbra
Concelho
Condeixa-a-Nova
DICOFRE
060411
Arquetipo
CULTURA
Tier
vip

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 11 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola secundária e básica
Habitação~1199 €/m² compra · 5.27 €/m² renda
Clima15.7°C média anual · 1066 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
50
Familia
45
Fotogenia
20
Gastronomia
35
Natureza
45
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova

Onde fica União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova?

União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova é uma freguesia do concelho de Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra, Portugal. Coordenadas: 40.1003°N, -8.4787°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova?

União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova tem 8741 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova?

Em União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova pode visitar Aqueduto romano de Conímbriga, Conímbriga, Capela de Nossa Senhora da Lapa (Condeixa-a-Nova) ou Capela da Lapinha e mais 2 monumentos classificados. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova?

União das freguesias de Condeixa-a-Velha e Condeixa-a-Nova situa-se a uma altitude média de 138.9 metros acima do nível do mar, no distrito de Coimbra.

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