Artigo completo sobre Vila Verde: Onde o Jurássico Encontra o Atlântico
Falésias fossilíferas, gado Marinhoa e a força do oceano na costa de Figueira da Foz
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O granito das falésias corta a linha do horizonte. Aqui, na ponta oeste da freguesia, o vento traz o cheiro a maresia e o barulho das gaivotas. A maré baixa expõe rochas com fósseis visíveis - amonites de 150 milhões de anos nas camadas do Jurássico. É o Cabo Mondego, o único monumento natural da região centro.
As falésias têm trilhos marcados que descem em ziguezague. A cada curva, o panorama alterna entre o interior verde e o oceano. Nos dias de temporal, a espuma salgada sobe até aos trilhos. Gaivotas-argênteas e corvos-marinhos nidificam nas fendas da rocha - o ruído é constante.
No interior, pastagens baixas onde pastam vacas da raça Marinhoa. A carne tem DOP - pode comprar-se directamente nas explorações. A criação extensiva mantém as paisagens abertas e evita a invasão de mato. Os rebanhos movem-se entre parcelas, vigiados por cães transmontanos.
Vila Verde passa pelo Caminho da Costa, variante portuguesa do Caminho de Santiago. A ecovia aproveita caminhos rurais antigos e permite caminhadas ou bicicleta. Peregrinos com a vieira na mochila cruzam a freguesia em direcção à Figueira da Foz.
A erosão continua a esculpir as falésias. Fragmentos desprendem-se regularmente - o monumento natural está em constante transformação. Vila Verde vive entre o tempo geológico das rochas e o ritmo humano dos rebanhos e peregrinos.