Vista aerea de Nogueira do Cravo
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Coimbra · CULTURA

Nogueira do Cravo: pedra, memória e verbos secretos

Pelourinho manuelino e a linguagem cifrada dos pedreiros marcam esta freguesia de Oliveira do Hospit

2168 hab.
535.9 m alt.

O que ver e fazer em Nogueira do Cravo

Património classificado

  • IIPPelourinho de Nogueira do Cravo

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Oliveira do Hospital

Junho
Festa da Cereja Segundo fim de semana de junho feira
Agosto
Romaria de Nossa Senhora da Boa Viagem 15 de agosto romaria
Novembro
Festa de São Martinho 11 de novembro festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Nogueira do Cravo: pedra, memória e verbos secretos

Pelourinho manuelino e a linguagem cifrada dos pedreiros marcam esta freguesia de Oliveira do Hospit

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O pelourinho parece um copo de vinho esquecido no balcão: está ali, oitavado, e ninguém lhe toca. As rosetas do capitel são como iniciais apagadas num guardanapo de papel — ainda se adivinha a letra, mas já não se lê o nome. Dá para ver o cheiro à lenha que vem das chaminés: não é metáfora, é mesmo o pinho a crepitar e a dizer à vizinha que o Jorge já está em casa. Nogueira do Cravo não grita; murmura, como quem pede o café em voz baixa para não estragar o jornal.

Quando os pedreiros falavam em código

Já vivi em sítios onde a história é vendida a peso de ouro; aqui é de graça, mas é preciso estar atento. A freguesia tem 2168 habitantes — menos gente do que aquela que aparece num jogo do Sporting — e uma carta de 1258 que a chama Couto de Nogueira. Serve para o que serve: para o Sr. Domingos, que tem 87 anos e ainda guarda a fatura do primeiro trator, isso é conversa de papel. O que lhe interessa é que, quando era miúdo, os pedreiros falavam um patois que nem o padre percebia. Chamavam-lhe “verbos dos arguinas”; era meio português, meio pedra, e servia para pedir um cigarro sem que o patrão soubesse que era para o cigarrinho. Hoje o código morreu, mas ficou-lhe no ouvido aquele som de xisto a bater na praça.

O Pelourinho é o único monumento com estatuto; o resto é trabalho. Fica no largo como um poste que se esqueceu de ir embora. Dizem que foi erguido depois do foral de 1514; o que sei é que, se lhe der com a mão, faz uma ressonância que parece garrafa vazia. A igreja ao lado tem a data marcada na pedra, mas a verdade é que foi remodelada tantas vezes que até a Virgem parece ter cara diferente consoante o século.

Serra, queijo e vinhas do Dão

A altitude marca-se na tosse: 535 m, ar suficiente para o queijo respirar e para o vinho não correr. O queijo da Serra é bom, mas experimente comprá-lo à sexta-feira, depois do mercado, quando o Sr. Jacinto ainda traz o da quinta da mulher — esse não tem selo, tem é gosto a terra. A chanfana é de cabra, sim, mas leve o seu próprio pão: o pão de tabuleiro acaba às 11h, e depois é só desculpa. O vinho do Dão não é para encher copo americanos; é para copo de 2 dl, que cabe na mão e esquenta o dedo mindinho. A maçã da Beira Alta serve para tudo: para a sobremesa, para a compota e para a miúda que vem da cidade e acha que é “ Instagramável”.

Dentro do Geopark Estrela

Entrar no Geopark é como entrar num bar onde toda a gente sabe o seu nome, mas ninguém se lembra de lho dizer. São 1498 hectares, mas o mapa é inútil: as estradas não têm nomes, têm curvas. A Quinta da Encavalada é dos poucos sítios que aceita hóspedes e não pergunta de onde vêm; leve pantufas, o chão de xisto é frio mesmo em agosto. Não há placas, não há gift-shops, há é o Silvestre, o cão que vai com você até à ravina e volta sozinho, porque já sabe que não lhe dão biscoito. O trilho do Carvalhal é fácil: desce-se, bebe-se água na fonte, sobe-se. Leve 50 cêntimos para deixar no tacho do Sr. Aníbal; não é taxa, é agradecimento.

No fim do dia, as luzes acendem-se uma a uma, como postos de gasolina na A1. O fumo sobe direito, o céu fica roxo, e alguém toca uma gaita num fim de terraço que não é concerto — é só o António a ensaiar para a procissão. Nogueira do Cravo não precisa de recomendação; precisa é de tempo. Se lhe der isso, ela dá-lhe um assovio de regresso sempre que o ar da serra lhe apetecer.

Dados de interesse

Distrito
Coimbra
DICOFRE
061111
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 14.7 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~652 €/m² compra · 3.02 €/m² rendaAcessível
Clima15.7°C média anual · 1066 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

55
Romance
45
Familia
40
Fotogenia
65
Gastronomia
40
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Nogueira do Cravo

Onde fica Nogueira do Cravo?

Nogueira do Cravo é uma freguesia do concelho de Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, Portugal. Coordenadas: 40.3325°N, -7.8842°W.

Quantos habitantes tem Nogueira do Cravo?

Nogueira do Cravo tem 2168 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Nogueira do Cravo?

Em Nogueira do Cravo pode visitar Pelourinho de Nogueira do Cravo. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Nogueira do Cravo?

Nogueira do Cravo situa-se a uma altitude média de 535.9 metros acima do nível do mar, no distrito de Coimbra.

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