Vista aerea de Candosa
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Coimbra · CULTURA

Candosa: onde o sino ecoa entre granito e castanheiros

Freguesia de Tábua preserva moinhos em ruína, cruzeiro do século XVI e sistema de rega beneditino

531 hab.
316.5 m alt.

O que ver e fazer em Candosa

Património classificado

  • IIPPelourinho de Candosa

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Tábua

Janeiro
Festa de São Sebastião 20 de janeiro festa religiosa
Maio
Romaria de Nossa Senhora da Graça Primeiro domingo de maio romaria
Agosto
Festas da Cidade 15 de agosto festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Candosa: onde o sino ecoa entre granito e castanheiros

Freguesia de Tábua preserva moinhos em ruína, cruzeiro do século XVI e sistema de rega beneditino

Ocultar artigo Ler artigo completo

O sino da igreja bate às três e o som corta o ar como navalha velha — não é eco, é memória que se rasga. Em Candosa, o ruído viaja aos solavancos, salta os muros de pedra seca e morre de joelhos no eucaliptal. Dizem que é o vale que assim o quer: a aldeia está aninhada num anfiteatro de xisto e o vento, quando desce, traz consigo o cheiro das chaminés e o bater de portas que ninguém fechou.

Pedra, água e memória

A igreja de São Martinho não é românica — é antes um arranjo de idades mal casadas: corpo de 1755, campanário de 1932, porta que ranguejou no mesmo lugar desde que se lembra o mais velho. Os azulejos não brilham; estão opacos de pó e dedadas de criança. O sacristão-abade, senhor Antunes, abre o arquivo só quando lhe apetece conversa: tira os livros por camadas, como se descascasse cebola, e conta baptizados aos trambolhões — «aqui nasceu o Tonho do Celeiro, este outro foi para a França e nunca mais deu sinal». No adro, o cruzeiro tem uma lasca no braço esquerdo: foi a tropa alemã, em quarenta e quatro, que o desmentiu com o pára-choques de um camião. A ponte de 1892 aguenta o peso dos tractores, mas já não se atrevem a passar dois de vez — o tabuleiro estremece e a ribeira lá embaixo ri-se, porque sabe que tudo cedo ou tarde cai para ela.

A aldeia dos que voltaram

Nos oitenta, quem regressou trouxe consigo o dinheiro e o medo. Levantaram casas de granito novo, mas puseram janelas duplas e persianas de alumínio — o vidro na telha foi moda francesa que durou três invernos: estalou com a geada, deu entrada à humidade e agora serve de anedota. A densidade baixou, é certo, mas Candosa não está vazia: está é quieta. A rega ainda se faz à vez, guarda-se na cabeça o dia e a hora de cada parcela; quem falta leva com a boca da irmã mais velha — «a água não espera, nem tu, nem eu». «Candosia» só se ouve na boca dos netos do emigrante, gente que nunca escreveu o nome mas o carrega na garganta como quem guarda rebuçado.

Borrego, broa e vinho do Dão

A Tasca da Ladeira abre quando a Laurinda tem vontade — basta ver o Estrelinho à porta: se a cadeira está virada para a estrada, é hoje; se está encostada à parede, esquece. O borrego vai ao forno às seis da manhã, depois da missa domingueira; quem chega tarde come ervilhas com ovo escalfado. O vinho vem num jarro lascado que ninguém ousa trocar: tem a boca marcada pelos dentes do finado Sr. Joaquim, que sempre mordeu a loiça quando bebia. A broa de batata é do forno de lenha da vizinha — pesa na mão e adormece no estômago. Quando acaba o queijo, acabou; não há carta, nem queixas. Em Outubro, faz-se o doce de gila com nozes do quintal; os frascos alinham-se na varanda, tampados com papel de alumínio, e servem de moeda para pagar favores.

Trilhos, névoas e melros

O Caminho dos Moinhos começa mesmo depois do muro da escola fechada: há uma placa desbotada que só se lê se souberes o que procuras. São oito quilómetros de subida, pedras soltas e covas de javali — leva bastão e leva pão com chouriço, porque não há café no meio. A névoa sobe do ribeiro como fumo de cigarro e enrola-se nos tomilhais; os melros não cantam, bicam o chão e fogem à passagem. Quando as amendoeiras floram, a romaria não é passeio — é corrida aos ramos mais baixos para fazer ramalhetes que depois se vendem a dois euros no largo. O miradouro do Cruzeiro tem uma lata de cerveja esmagada no passeio: é o sinal de que o pôr do sol já foi apreciado. Fica o vento frio a cortar a face, o cheiro a eucalipto queimado e, lá em baixo, a ribeira a rosnar baixinho, como quem sabe que o dia seguinte vai ser igual ao que hoje foi.

Dados de interesse

Distrito
Coimbra
Concelho
Tábua
DICOFRE
061602
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 10.1 km
SaúdeHospital no concelho
EducaçãoEscola básica
Habitação~618 €/m² compra · 3.4 €/m² rendaAcessível
Clima15.7°C média anual · 1066 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

55
Romance
35
Familia
40
Fotogenia
65
Gastronomia
30
Natureza
25
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Tábua, no distrito de Coimbra.

Ver Tábua

Perguntas frequentes sobre Candosa

Onde fica Candosa?

Candosa é uma freguesia do concelho de Tábua, distrito de Coimbra, Portugal. Coordenadas: 40.3486°N, -7.9652°W.

Quantos habitantes tem Candosa?

Candosa tem 531 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Candosa?

Em Candosa pode visitar Pelourinho de Candosa. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Candosa?

Candosa situa-se a uma altitude média de 316.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Coimbra.

35 km de Viseu

Descubra mais freguesias perto de Viseu

Escapadas de fim de semana, natureza e patrimonio a menos de 50 km.

Ver todas
Ver concelho Ler artigo