Vista aerea de Póvoa de Midões
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Coimbra · CULTURA

Póvoa de Midões: vinha e xisto no vale do Mondego

Freguesia vinhateira de Tábua onde o Dão ganha altitude entre pomares e casas de pedra centenárias

500 hab.
241.9 m alt.

O que ver e fazer em Póvoa de Midões

Património classificado

  • IIPPenedo oscilante conhecido por «Penedo Cabana»

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Tábua

Janeiro
Festa de São Sebastião 20 de janeiro festa religiosa
Maio
Romaria de Nossa Senhora da Graça Primeiro domingo de maio romaria
Agosto
Festas da Cidade 15 de agosto festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Póvoa de Midões: vinha e xisto no vale do Mondego

Freguesia vinhateira de Tábua onde o Dão ganha altitude entre pomares e casas de pedra centenárias

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O fumo sobe torto das chaminés ao fim da tarde, porque o vento da serra não deixa as brasas respirarem. A Póvoa de Midões agarra-se ao vale como quem se agarra a um lenço — aos bocados, entre os soutos e as vinhas que o António ainda poda sozinho, apesar dos oitenta e sete. O ar traz o cheiro a lenha molhada e, em Outubro, o cheiro a azeite novo que escorre pela prensa da cooperativa quando ainda está quente a bater na parede da garagem.

Aqui, os quinhentos habitantes contam-se de cor. A Alice da mercearia sabe quem está doente sem telefonemas. O café do Zé abre às sete e meia, mas ele já lá está desde as seis a limpar o cinzeiro de ontem — os mesmos quatro velhos jogam à sueca, os mesmos dois dedos de aguardente antes das nove. São quarenta e seis crianças na escola primária, sim, mas agora há uma turma mista porque o 1.º e o 2.º andam juntos. A professora vem de Tábua e leva sempre um pacote de bolachas Maria na mala, para o lanche da Mariana cujo pai ainda não recebeu o subsídio.

Onde a vinha encontra a serra

A Póvoa está dentro do Dão, mas o vinho que bebes na casa do Sr. Domingos não tem etiqueta. É engarrafado em garrafas de água de cinco litros, as que ele guarda o ano todo, e sabe a xisto mesmo — aquele giz que os miúdos roem na catequese. Na cave, a talha de barro está rachada de 1974, mas ele diz que é assim que o vinho respira. As castas são as que a mãe plantou: tinta roriz, touriga, uma parreira de alfrocheiro que dá uvas miudinhas, doces, que as crianças comem antes de serem vindimadas.

O queijo é comprado à D. Amélia, que ordenha às cinco da manhã com as mães geladas. Não é sempre que há — depende se o gado está bom, se o gato não mordeu o fato de ordenha, se o filho veio de Lisboa no fim-de-semana ajudar. Quando há, é servido num prato de loiça da Avó, com a faca de cabo preto que ninguém lava com detergente. O borrego é do Jorge, que o assa no forno do pão, aquele que ainda tem o ano de 1923 marcado na abóbada. A pele fica estaladiça, sim, mas é o cheiro do alecrim seco que faz chorar os olhos — cresce logo ali ao lado, entre as pedras do muro que o avô mandou fazer quando ainda se pagava em moeda de conto.

O peso do silêncio

O monumento é a ponte românica, mas ninguém lhe diz assim. É a "ponte velha", onde os miúdos se atiram para o Mondego nos dias de Agosto, quando a água não passa fria. A pedra está lisa no meio, onde se sentam as raparigas a falar de rapazes que não vivem cá. Os muros de pedra seca são mais novos que as histórias — cada uma tem um canto onde o Sr. António guardava o vinho escondido durante o Estado Novo, onde o pai da D. Amélia enterrou as alheiras quando vieram os decretos.

À noite, o silêncio é pesado. Não há candeeiros na estrada que vai para o Poço do Inferno — só a lua, quando há, e os faróis do tractor do Zé Carlos que volta da vindima às dez e meia. O cão do Sr. Domingos ladra às três da manhã, sempre às três, como se tivesse um despertador por dentro. De vez em quando, ouve-se o motor da carrinha da GNR que passa devagar, com os vidros abertos, a cheirar a gasóleo e a roupa engomada.

Mas é ao domingo, quando os sinos da igreja badalam às oito e meia para a missa das crianças, que a aldeia respira mais fundo. As pessoas saem à porta de casa com a caneca do café, em pijama por baixo do casaco, e ficam ali a conversar sobre a chuva que não veio, sobre o preço do leite, sobre a neta que não regressou. O nevoeiro sobe do rio como um animal cansado, e por um momento ninguém fala — só se ouve o rangido da cancela do cemitério, que o vento empurra sem jeito.

Dados de interesse

Distrito
Coimbra
Concelho
Tábua
DICOFRE
061611
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 5.1 km
SaúdeHospital no concelho
Educação8 escolas no concelho
Habitação~618 €/m² compra · 3.4 €/m² rendaAcessível
Clima15.7°C média anual · 1066 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

55
Romance
40
Familia
35
Fotogenia
65
Gastronomia
30
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Póvoa de Midões

Onde fica Póvoa de Midões?

Póvoa de Midões é uma freguesia do concelho de Tábua, distrito de Coimbra, Portugal. Coordenadas: 40.3899°N, -7.9880°W.

Quantos habitantes tem Póvoa de Midões?

Póvoa de Midões tem 500 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Póvoa de Midões?

Em Póvoa de Midões pode visitar Penedo oscilante conhecido por «Penedo Cabana». A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Póvoa de Midões?

Póvoa de Midões situa-se a uma altitude média de 241.9 metros acima do nível do mar, no distrito de Coimbra.

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