Artigo completo sobre Ameixial: onde a planície alentejana respira devagar
Santa Vitória e São Bento guardam pomares, montados e o ritmo ancestral da terra de Estremoz
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O silêncio aqui é mesmo silêncio. Só o vento nas oliveiras e o sino da igreja a marcar as horas. Caminhar pela rua principal é ouvir os próprios passos ecoar entre casas brancas com portas encostadas. Muitas estão vazias desde que os jovens foram para Estremoz ou Lisboa.
Entre pomares e montados
A Ameixa d'Elvas ainda se faz aqui, mas já não é o que era. Os pomares que restam estão entre olivais e montados de sobreiro. A 266 metros de altitude, vê-se Estremoz ao longe, branca no topo da colina de mármore. São 9.748 hectares para 564 pessoas - faz as contas.
Pedra, cal e devoção
As igrejas de Santa Vitória e São Bento abrem quando há missa. Foram fundidas numa freguesia só em 2013, mas continuam separadas por 3 km de estrada municipal. Dentro, fresca constante e cheiro a cera. Fora, a pedra aquece ao sol.
Sabores com denominação de origem
No restaurante "O Ameixial" (só mesmo mesmo), o ensopado de borrego vem em tacho de ferro. O chouriço grosso de Estremoz é mesmo grosso - não há outro. A azeiteira está sempre na mesa. O queijo de Évora é curado, não aquele brando para turistas.
Caminhos sem multidões
Os trilhos rurais estão marcados mas mal. O GR15 passa aqui, mas poucos o fazem. Quem vem, vem de carro até ao Ameixial e depois caminha para Mora ou Estremoz. Há dois alojamentos: Casa do Forno e Monte da Ameixoeira. Ambos precisam de reserva antecipada.
Tempo acumulado em cal e pedra
Às 18h, o café "O Peso" encerra. É o único. Ainda se pode comprar pão na mercearia, mas traga moedas - o terminal do multibanco falha quando chove.