Vista aerea de União das freguesias de Alcoutim e Pereiro
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Faro · CULTURA

União de Alcoutim e Pereiro: castelos frente a frente

Duas aldeias do Guadiana onde a fronteira se atravessa a olho nu e a história começa no Neolítico

1110 hab.
219.6 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Alcoutim e Pereiro

Património classificado

  • IIPCastelo de Alcoutim
  • IIPCastelo velho de Alcoutim
  • MIPErmida de Nossa Senhora da Conceição

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Alcoutim

Maio
Feira Medieval de Alcoutim Fim de semana de Pentecostes feira
Agosto
Festival do Contrabando Segundo fim de semana de agosto festa popular
Romaria de Nossa Senhora da Conceição 15 de agosto romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre União de Alcoutim e Pereiro: castelos frente a frente

Duas aldeias do Guadiana onde a fronteira se atravessa a olho nu e a história começa no Neolítico

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O sino da Igreja de São Marcos parte-se em dois quando bate: metade sobe para o ar, metade desce para o estômago da terra. Em Pereiro, ainda há quem diga que o som parece um galo aflito - talvez porque os galos de verdade se foram emigrando com os netos. As pereiras que deram nome à aldeia são agora três maltrapilhas junto ao campo de futebol, mas no fim-de-verão ainda deitam fruto pequeno e azedo que as crianças comem até lhes doer a boca.

A fortaleza que olha para a outra margem

Do Castelo de Alcoutim, o Guadiana parece uma fita de vidro partido - verde por baixo, branco por cima quando o vento sopra de leste. As pedras da ameia estão quentes até ao cair da noite; é aí que os velhos vêm sentar-se, trazendo na algibeira sementes de girassol que vão partindo entre dentes postiços. Dizem que no outro lado, em Sanlúcar, há uma mulher que atira beijos aos domingos. Ninguém sabe o nome dela, mas toda a gente lhe devolve o gesto.

Pedra, água e tempo acumulado

No Montinho das Laranjeiras, os tijolos romanos são tão leves que um miúdo os levanta com uma mão. As laranjeiras desapareceram há séculos, mas o nome ficou - como ficam os nomes das pessoas que já não cá estão. Em Fonte Zambujo, o museu cheira a cera de chão e a roupa dobrada. Há uma colher de pau partida que ainda tem o dente da minha avó - ela dizia que era de nogueira e curava azia.

A feira que ainda junta três terras

A Feira de São Marcos começa às cinco da manhã quando os primeiros camiões entopem a estrada nacional. O cheiro a esturro mistura-se com o fumo das bicas de gasolina que os espanhóis trazem em garrafões. Há uma mulher de Almodôvar que vende queijo de ovelha com ervas - prova-se antes de comprar, ela corta um triângulo com a faca de sempre e olha-te nos olhos enquanto mastigas. Se mentires que está bom, ficas com ela a perseguir-te até ao carro.

Sabores da serra e do rio

O javali só sabe a javali se tiver andado nos sobreirais de Monchique. Aqui, o que se mata no monte vai parar à panela de ferro da tia Albertina - ela deixa repousar dois dias em vinho tinto e casca de laranja amarga. O pão de testo faz-se com água da cisterna e fermenta ao lado da salamandra; quando está pronto, estala na boca como neve. Os doces são uma mentira: o bolo de mel parece que vai durar para sempre, mas na casa da minha avó nunca passou de três dias.

Caminhos entre o rio e a serra

O trilho do Vascão começa onde o estradão acaba em terra batida. Há uma figueira que marca meia-hora de caminho - se chegares lá antes das oito da manhã, ainda apanhas o som das garças a levantarem-se. O rio esconde-se debaixo de caniços; no Verão é só um fio de água que os cães bebem com medo. Mas quando chove em Espanha, sobe tão depressa que o meu pai já viu um javali a ser levado na corrente, a berrar como um bebé.

Ao entardecer, o Guadiana fica cor de ferrugem. Do miradouro do castelo, vêem-se as luzes de Sanlúcar a acenderem-se uma a uma - primeiro a do bar, depois a da casa do médico, por fim a do cemitério que fica mais alto. A fronteira é aqui uma coisa que não se vê: é o sabor do pão que ainda quente queima a língua, é o cheiro a estiércel que sobe dos campos ao cair da tarde, é o silêncio que se segue ao sino das nove horas - um silêncio tão grande que se ouve o próprio coração a bater contra as costas.

Dados de interesse

Distrito
Faro
Concelho
Alcoutim
DICOFRE
080206
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 26.1 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~795 €/m² compraAcessível
Clima17.8°C média anual · 616 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
50
Familia
45
Fotogenia
35
Gastronomia
35
Natureza
30
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Alcoutim e Pereiro

Onde fica União das freguesias de Alcoutim e Pereiro?

União das freguesias de Alcoutim e Pereiro é uma freguesia do concelho de Alcoutim, distrito de Faro, Portugal. Coordenadas: 37.4170°N, -7.5875°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Alcoutim e Pereiro?

União das freguesias de Alcoutim e Pereiro tem 1110 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Alcoutim e Pereiro?

Em União das freguesias de Alcoutim e Pereiro pode visitar Castelo de Alcoutim, Castelo velho de Alcoutim, Ermida de Nossa Senhora da Conceição. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Alcoutim e Pereiro?

União das freguesias de Alcoutim e Pereiro situa-se a uma altitude média de 219.6 metros acima do nível do mar, no distrito de Faro.

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