Artigo completo sobre Quelfes: Cal, Citrinos e Memória do Celeiro Algarvio
Conheça Quelfes, freguesia de Olhão com 3 mil hectares de história agrícola, citrinos IGP e vestígios islâmicos entre a cal e o sal algarvio.
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Chega-se a Quelfes pelo cheiro. Terra seca, figo maduro, sal que vem da ria a sul. A luz bate nos muros de taipa e a liberta um odor mineral. Entre pomares de citrinos — Citrinos do Algarve IGP entre novembro e março — só se ouvem abelhas e a ribeira de Quelfes que rega olivais e hortas.
Estamos a 33 metros de altitude, entre Barrocal e planície. Com 17 253 habitantes, Quelfes é a maior freguesia de Olhão mas mantém pulso rural.
O celeiro que alimentava o porto
Século XIX: Quelfes abastecia Olhão de cereais, azeite, figos. O nome vem do árabe Kelb. Cartas régias de 1573 já falavam em "Quelves".
Restam lagares de pedra, fornos de cal e pombais cilíndricos — uma das maiores concentrações do concelho. Produziam adubo: ciclo fechado entre pombo, terra e colheita.
Talha dourada sob a luz do Algarve
Igreja Matriz: paredes caiadas, retábulo barroco, azulejos setecentistas. Classificada como Imóvel de Interesse Público. Abre 9h-12h, 14h-17h. Entrada livre.
Ermita de Nossa Senhora do Carmo: romaria em julho, arraial com chouriço e bailarico até madrugada.
O sal na boca, a ria nos pés
Trilho PR4 "Rota dos Cevos" liga Quelfes à Ria Formosa. 7 km, a pé ou btt. Observação de flamingos e garças. Partem barcos para Armona e Culatra.
Pratos: açorda de marisco, feijoada de búzios, ensopado de enguias. Sobremesa: morgado de amêndoa, bolo de alfarroba. Bebe licor de figo ou aguardente de medronho.
Fogueiras de Novembro, bênçãos de Abril
Páscoa: "Compasso" — imagens percorrem casas para bênção. Novembro: Magusto com castanhas e jeropiga. Sem bilhetes, sem horário: chegar e estar.
Vinhos de mesa de Negra Mole e Arinto. Licor de erva-príncipe caseiro.
O último som
Fim de tarde: figos caem no chão seco, gaivota grita rio acima. Quelfes é isto — entre campo e mar, sem pedir desculpa.