Almeida II
Pedro Nuno Caetano · CC BY 2.0
Guarda · RELAXAMENTO

Castelo Bom: pedra, fronteira e memória na Beira Alta

Vila medieval amuralhada em Almeida preserva foral de D. Dinis e tradições seculares no planalto

172 hab.
755.5 m alt.

O que ver e fazer em Castelo Bom

Património classificado

  • MNCastelo de Castelo Bom
  • IIPPelourinho de Castelo Bom

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Almeida

Janeiro
Festa de São Sebastião 20 de janeiro festa religiosa
Agosto
Feira Medieval de Almeida Segundo fim de semana de agosto feira
Setembro
Romaria de Nossa Senhora do Bom Sucesso Primeiro domingo de setembro romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Castelo Bom: pedra, fronteira e memória na Beira Alta

Vila medieval amuralhada em Almeida preserva foral de D. Dinis e tradições seculares no planalto

Ocultar artigo Ler artigo completo

O vento entra pelas ruas de Castelo Bom com o cheiro a esteva queimada do dia anterior. Não é o vento limpo das alturas - traz consigo o pó das searas de centeio e o eco distante das máquinas na N16. As casas de xisto, sim, ainda estão ali, mas algumas têm as janelas pregadas há anos. A calçada irregular faz tremer os tornozelos de quem não está habituado, e às vezes um galo canta às três da tarde, confundido com a luz.

A vila que recusou perder o nome

D. Dinis deu-lhe foral em 1296, mas o que importa é que há quem ainda chame "Castelo" apesar de o castelo ter desaparecido há séculos. Os velhos dizem que havia uma torre, mas ninguém sabe onde ficava exactamente. Quando o concelho foi extinto em 1834, os habitantes recusaram perder a designação - não por teimosia, mas porque era assim que pediam o pão na padaria de Almeida: "somos de Castelo Bom". A Igreja Matriz tem o campanário ligeiramente torto desde o terramoto de 1755, e o cruzeiro de 1741 serve agora de apoio para as motas quando o padre não está a ver.

O que se faz com o silêncio

Cento e setenta e duas pessoas, dizem os censos, mas na realidade são menos. A escola fechou quando a Joana foi para a universidade em 2003. No entanto, o silêncio é mentira - há o zumbido constante da rede eléctrica, os cães a ladram às passas, o trator do Alberto às seis da manhã. Em São João, a Câmara de Almeida manda musiqueira e foguetões, mas é nas casas particulares que se fazem as verdadeiras festas: o Zé Manel ainda guarda os discos do Xico da Cidade, e a Maria da Graça faz questão de ensinar as netas a bater palmas nos sítios certos da "Moda do Entrudo".

O sabor do planalto

O cabrito vem de Vilar Formoso, é um segredo mal guardado. Na mercearia do Sequeira vendem-no congelado, mas quem tem parentes no meio do campo arranja um bicho de leite verdadeiro. Assa-se no forno a lenha do Zézinho, que é o único que ainda tem lenha de azinho - os outros usam pinho, mas não tem o mesmo fumo. O arroz de grelos leva toucinho fumado do porco que o António abateu em Janeiro. As queijadas são da receita da Avó Felismina: massa folhada comprada e recheio de requeijão da Serra da Estrela quando há promoção no Intermarché. O vinho branco faz-se na garagem do Silvério - não tem DOP, mas tem só 11 graus e desce que nem água.

Entre o Côa e a esteva

O trilho PR3 começa mesmo ali em cima, mas as marcações estão desaparecidas depois do pinhal ter ardido. Quem não conhece perde-se nos sobreirais do Vale de Coelha. O ribeiro seca todo o Verão - só tem água mesmo nos dias de trovoada, quando desce aquela maré de barro vermelho que entope a ponte romana. A azenha de 1732 tem a roda partida desde que o neto do moleiro se foi embora para França. Mas ainda há abetardas, sim senhor: o Rui do cabo vê-as todos os Outonos, quando vai apanhar cogumelos aos carvalhais que restaram. Diz que lhe passam ao nível da cabeça, tão grandes como galinhas, fazem um barulho de ventoinha.

Ao final da tarde, o adro enche-se de bancos de pedra e de velhos. O sino toca três vezes, não sete - o badalo partido pesa demais para o braço do António. O sol põe-se atrás do monte do Senhor dos Aflitos, e durante meia hora a parede da igreja fui cor de mel. Depois escurece de vez, e começam a acender-se as luzes das casas, uma a uma, como se a aldeia voltasse a nascer.

Dados de interesse

Distrito
Guarda
Concelho
Almeida
DICOFRE
090207
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteEstação de comboio
SaúdeHospital no concelho
Educação6 escolas no concelho
Habitação~336 €/m² compraAcessível
Clima13.6°C média anual · 797 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

70
Romance
35
Familia
50
Fotogenia
55
Gastronomia
40
Natureza
40
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Almeida, no distrito de Guarda.

Ver Almeida

Perguntas frequentes sobre Castelo Bom

Onde fica Castelo Bom?

Castelo Bom é uma freguesia do concelho de Almeida, distrito de Guarda, Portugal. Coordenadas: 40.6202°N, -6.8866°W.

Quantos habitantes tem Castelo Bom?

Castelo Bom tem 172 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Castelo Bom?

Em Castelo Bom pode visitar Castelo de Castelo Bom, Pelourinho de Castelo Bom. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Castelo Bom?

Castelo Bom situa-se a uma altitude média de 755.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Guarda.

33 km de Guarda

Descubra mais freguesias perto de Guarda

Escapadas de fim de semana, natureza e patrimonio a menos de 50 km.

Ver todas
Ver concelho Ler artigo