Vista aerea de União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Guarda · RELAXAMENTO

Malpartida e Vale de Coelha: minerais raros e altitude

Terra de geologia singular e tradições serranas entre olivais e pastagens da Beira Interior

181 hab.
723.5 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha

Património classificado

  • IIPSepulturas escavadas na rocha em Malpartida

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Almeida

Janeiro
Festa de São Sebastião 20 de janeiro festa religiosa
Agosto
Feira Medieval de Almeida Segundo fim de semana de agosto feira
Setembro
Romaria de Nossa Senhora do Bom Sucesso Primeiro domingo de setembro romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Malpartida e Vale de Coelha: minerais raros e altitude

Terra de geologia singular e tradições serranas entre olivais e pastagens da Beira Interior

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A luz da manhã não desliza nada – bate direta, como quem não quer molestar. As casas de granito, pintadas de branco para não apanhar tanto sol, ficam logo geladas ao toque: é o preço de estar a 723 m. O ar vem fino, misturado com fumo de lareira e terra revirada pela enxada dos poucos que ainda metem mãos na terra. Cá, o silêncio é mesmo silêncio. Ouve-se um cão que ladra na aldeia ao lado como se fosse aqui ao pé; o som viaja desimpedido, porque não há nada no meio.

Isto agora chama-se União das Freguesias, inventado em 2013. Antes, Malpartida era Malpartida e Vale de Coelha era Vale de Coelha – e cada uma vivia na sua. Malpartida aparece em papéis do século XIII; Vale de Coelha tem cacos de loiça romana que o pessoal vai encontrando quando abre valas para a rede da água. Ambas cresceram à sombra de Almeida: quando a fronteira era coisa séria, quem cá vivia habituou-se a olhar para este e a perguntar “quantos são?”.

Sob os pés, pedra que vale dinheiro

Nas pedreiras abandonadas – há três, mas só os geólogos sabem onde –, o xisto esconde berilo verde-água, cassiterite e outras pedras que os alemões pagavam bem nos anos 80. Hoje já ninguém vai lá, mas quem percebe ainda leva o martelo no porta-bagagens: é só parar o carro, descer o barranco e dar três pancadas. O resto é conversa para quem colecciona minerais e gosta de mostrar aos amigos: “Isto veio da Beira, olha que lindo.”

O que se come (e o que se bebe)

O azeite é DOP, sim, mas não penses em grandes produções: são quatro dúzias de olivais esparsos, cada um com cinquenta árvores, o suficiente para o produtor ir à feira de Almeida vender garrafas de cinco litros e pagar o IUC. O cabrito é IGP, mas o cabrito mesmo só no Natal: o resto do ano é bode estufado com tomate e louro, a render três refeições. O vinho vem de videirinhas plantadas onde o tractor quase se engole – uvas de altitude que, se correr mal o ano, nem chegam à adega. Quando chegam, fazem um tinto que custa a descer mas que depois de aberta a segunda garrafa já sabe a glória.

O Côa, que não quer saber de regras

O Côa é o vizinho teimoso: nasce na Serra das Mesas e sobe para norte, contra tudo o que os livros ensinam. Atravessa aqui num desfiladeiro estreito; no Verão dá para molhar os pés, no Inverso nem os cães se atrevem. Quem quiser ver o rio tem de deixar o carro na estrada municipal e caminhar dez minutos. Leve água, leve bâton – e não se meta a jeito se estiver chover: o xisto fica liso que nem sabão.

Gente, ou o que resta dela

São 181 almas, segundo o recenseamento. Desses, 96 já têm reforma e 9 ainda vão à escola primária de Almeida de transporte. Os que ficam no meio trabalham onde podem: um vai para a obra em Vilar Formoso, outro conduz o camião do leite, a dona Rosa continua a fazer queijo de ovelha que vende a quem aparece. Às segundas abre o café, mas só até às 19 h: se não houver clientes, fecha-se mais cedo. Quem cá chega de fora acha que está no fim do mundo; quem cá nasceu garante que o mundo é aquilo que se vê do miradouro – e que chega.

Ao entardecer o xisto pega fogo sem chama: é o sol raso que doura tudo, antes de o frio descer outra vez. Sobem as lareiras, cheira-se a lenha de carvalho e a borra do vinho que alguém deixou cair na pedra. Fica-se ali, de mãos nos bolsos, a ver o fumo subir recto até desfazer-se. Não há mais programa – e não é preciso.

Dados de interesse

Distrito
Guarda
Concelho
Almeida
DICOFRE
090235
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 16.1 km
SaúdeHospital no concelho
Educação6 escolas no concelho
Habitação~336 €/m² compraAcessível
Clima13.6°C média anual · 797 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
35
Familia
40
Fotogenia
55
Gastronomia
40
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha

Onde fica União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha?

União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha é uma freguesia do concelho de Almeida, distrito de Guarda, Portugal. Coordenadas: 40.7503°N, -6.8514°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha?

União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha tem 181 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha?

Em União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha pode visitar Sepulturas escavadas na rocha em Malpartida. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha?

União das freguesias de Malpartida e Vale de Coelha situa-se a uma altitude média de 723.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Guarda.

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