Vista aerea de União das freguesias de Almofala e Escarigo
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Guarda · RELAXAMENTO

Almofala: onde as águias romanas vigiam o Douro

Ponte romana, torre antiga e 180 habitantes dispersos por cinco mil hectares de granito e silêncio

180 hab.
636.7 m alt.

O que ver e fazer em União das freguesias de Almofala e Escarigo

Património classificado

  • IIPCruzeiro de Almofala, Cruzeiro de Roquilho
  • IIPIgreja Matriz de São Miguel de Escarigo

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Figueira de Castelo Rodrigo

Junho
Festas de São João 24 de junho festa popular
Agosto
Feira Medieval Primeiro fim de semana de agosto feira
Setembro
Romaria de Nossa Senhora do Rocamador Segundo fim de semana de setembro romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Almofala: onde as águias romanas vigiam o Douro

Ponte romana, torre antiga e 180 habitantes dispersos por cinco mil hectares de granito e silêncio

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O granito da ponte de Almofala guarda a memória de dois milénios nos seus arcos de volta perfeita. A água corre por baixo, indiferente, o mesmo murmúrio que os engenheiros romanos terão ouvido quando ergueram a cantaria. Mas olha, isto não é um postal turístico — se vieres no Inverno, leva um casaco, porque o vento do Douro corta como navalha e as pedras estão mais geladas que a conversa do Zé do café da vila.

A freguesia nasce da fusão de Almofala e Escarigo em 2006, mas a ocupação humana aqui remonta ao tempo em que Roma comandava a península. A Torre de Almofala, também conhecida como Torre das Águias, é tipo aquela casa de família que ninguém quer arranjar — fica lá no alto, toda desfeita, mas as águias não se queixam. Regressam todos os anos como os emigrantes à aldeia, pousam nas pedras e fazem aquela festa que só elas entendem.

Densidade de silêncio

Cento e oitenta habitantes distribuídos por quase cinco mil hectares. Faz as contas: é como ter um gato por cada dois campos de futebol. Por isso, se vires alguém na rua, não é turista — é mesmo morador. Cumprimenta, que eles gostam. Escarigo e Almofala são aglomerados de casas de granito cinza, telhados de lousa escura, muros secos que sobem as encostas. Às quatro da tarde, as ruas são tão desertas que até o cão do António foi dormir para casa dos vizinhos — deve ter achado muita gente.

O Parque Natural estende-se a partir daqui, serranias cobertas de azinheiras e amendoeiras que em fevereiro parecem que foram atingidas por uma nevasca — mas é só flor, não leves a máquina de esqui. A altitude — 636,7 metros — confere frescura às manhãs mesmo no verão. Perfeito para quem gosta de caminhar sem acabar em bicas de suumo. Mas leva água, que aqui o único café que encontraste fechou às duas porque a D. Rosa foi à missa.

Azeite, terrincho e altitude

As quintas produzem Azeite da Beira Alta DOP em lagares de pedra restaurados. O segredo? O olival está plantado onde os romanos punham os vinhedos — deve ser algo no solo, ou então eles sabiam lá o quê que nós ainda não descobrimos. O Queijo Terrincho é daqueles que fazem cócegas na garganta — não é para criancinhas nem para quem acha que flamengo é queijo. O cabrito da Beira só aos domingos, só em forno de lenha, e só se o teu colesterol estiver de férias.

A ponte continua a ser atravessada por pedestres e pequenos veículos, duas faixas estreitas de calçada gasta pelos rodados. Cuidado com os turistas alemães de mochila — param no meio para tirar fotos e depois perguntam-te se há Wi-Fi. Do parapeito avista-se a ribeira, o reflexo instável das pedras na água corrente, e se tiveres sorte, vês uma lata de Super Bock a descer a corrente — deve ter sido o Zé que a deixou cair no domingo.

Ao fim da tarde, quando as águias regressam à torre em ruínas e o sol poente incendeia o granito da ponte, o silêncio é tão grosso que parece que podes cortá-lo com a faca do pão — se tiveres pão, porque o único mini-mercado fechou às cinco. Mas não te queixes: é isto que faz com que voltem os que uma vez cá vieram. Como diz o Zé: "Aqui não há redes sociais, há é redes de arame para as galinhas — e as galinhas não dão like, dão ovos."

Dados de interesse

Distrito
Guarda
DICOFRE
090419
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 26.4 km
SaúdeHospital a 14.1 km
Educação12 escolas no concelho
Habitação~185 €/m² compraAcessível
Clima13.6°C média anual · 797 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

70
Romance
45
Familia
60
Fotogenia
65
Gastronomia
55
Natureza
45
Historia

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Perguntas frequentes sobre União das freguesias de Almofala e Escarigo

Onde fica União das freguesias de Almofala e Escarigo?

União das freguesias de Almofala e Escarigo é uma freguesia do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito de Guarda, Portugal. Coordenadas: 40.8430°N, -6.8465°W.

Quantos habitantes tem União das freguesias de Almofala e Escarigo?

União das freguesias de Almofala e Escarigo tem 180 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em União das freguesias de Almofala e Escarigo?

Em União das freguesias de Almofala e Escarigo pode visitar Cruzeiro de Almofala, Cruzeiro de Roquilho, Igreja Matriz de São Miguel de Escarigo. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de União das freguesias de Almofala e Escarigo?

União das freguesias de Almofala e Escarigo situa-se a uma altitude média de 636.7 metros acima do nível do mar, no distrito de Guarda.

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