Vista aerea de Cativelos
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Guarda · CULTURA

Cativelos: lameiros do Alva e pontes de pedra seca

Cativelos, Gouveia, Guarda: aldeia de 600 habitantes entre o Alva e a Serra da Estrela, com retábulo barroco e tradição agrícola preservada.

610 hab.
370.3 m alt.

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Áreas protegidas

Festas e romarias em Gouveia

Março
Feira do Queijo da Serra da Estrela Primeiro fim de semana de março feira
Junho
Festa de São João 24 de junho festa popular
Agosto
Romaria de Nossa Senhora da Assunção 15 de agosto romaria
ARTIGO

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Cativelos, Gouveia, Guarda: aldeia de 600 habitantes entre o Alva e a Serra da Estrela, com retábulo barroco e tradição agrícola preservada.

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O granito das pontes de pedra seca ainda guarda o fresco da noite quando o primeiro raiar de luz toca o Alva. O rio desliza entre os lameiros, espelhando vacas que pastam desde antes do sol nascer - os seus chocalhos soam como campainhas soltas na neblina matinal. Ao fundo, a Serra da Estrela ergue-se não como "presença cinzenta" mas como parede viva de xistos e mato, mudando de cor com as nuvens que lhe sobrevoam o cume.

Não há romaria, é verdade, mas em Cativelos o dia 15 de Agosto ainda marca: as mulheres limpam os passeios à frente das portas, esfregando o calçamento com cinza de oliveira, e às quatro da tarde o padre desce da sacristia com a imagem de Nossa Senhora num andor de madeira pintada de ouro. A procissão não vai longe - só até à ponte velha e volta - mas as pessoas seguem descalças nas pedras quentes, levando ramos de manjerico que perfumam o ar seco de verão.

Onde a terra ainda se lavra a dois

Os moinhos do Alva não estão todos em ruínas: no quintal da Dona Alda, a roda do Mouro ainda gira quando a ribeira vem cheia. Lá dentro, o cheiro à borra de azeite mistura-se com o mofo das paredes de pedra. Nas quintas, os espigueiros de quatro pés continuam a servir - não para milho, mas para guardar as ferramentas e os sacos de ração. Em Abril, quando se faz a "manta" dos campos, ainda se junta gente para ajudar o vizinho: mulheres de cabeça coberta com lenços negros, homens que falam alto sobre o tempo, enquanto os tratores novos desenham sulcos perfeitos na terra marrom.

A chanfana aqui não é de cabrito - é de bode velho, aquele que já não serve para reproduzir. Coze-se num tacho de ferro negro durante uma noite inteira, com vinho tinto da Adega da Casa Nova e cheiros-da-serra colhidos no sopé da serra. O borrego vai ao forno no dia de São João, temperado com alho-porro do horto e sal grosso de Manteigas. Na mesa de Natal, há sempre sopa de nabos - não é de feijão trigo, mas de massa caseira cortada à faca, que as raparigas fazem de manhã enquanto os pais vão à Missa do Galo.

Trilhos de pecuário e céu classificado

O caminho para a Torre começa mesmo atrás da igreja, subindo entre muros onde os musgos crescem grossos como tapetes. A trilha não é marcada - basta seguir as marcas brancas que os pastores pintam nas pedras com cal. A três quilómetros, o Vale do Rossim abre-se de repente: um lago verde-esmeralda onde as vacas bebem, espantando os patos-bravos que nidificam nas juncos. À noite, quando os candeeiros da aldeia se apagam, o céu não é só estrelas - é a lua cheia que ilumina os xistos como prata polida, e a Via Láctea que parece uma estrada de leite derramado.

Na quinta do Zé Cardal, o queijo não está em prateleiras - está em cima da arca frigorífica, embrulhado em panos de linho com a data escrita a lápis. O requeijão sai quente das formas às seis da manhã, e quem chega a tempo come-no com pão escuro e mel da serra. O senhor Zé não fala muito - mostra o queijo com a mão, espera que se prove, e só depois diz o preço. Não há vinha em Cativelos, mas há medronheiros nos baldios: em Outubro, as crianças vão apanhar medronhos com cestos de verga, e as mães fazem aguardente no alambique de cobre que passa de mão em mão.

Quando o sino toca às sete da tarde, as sombras já se alongam sobre o Alva. Na ponte da escola, onde as crianças se sentam a fazer os trabalhos de casa, a água corre baixa, revelando as pedras redondas do leito. Ali, com os pés na água fria, percebe-se que Cativelos não precisa de mais nada - só do cheiro a terra molhada, do som das vacas a voltar para o estábulo, e da luz dourada que se põe atrás da serra, prometendo outro dia igual amanhã.

Dados de interesse

Distrito
Guarda
Concelho
Gouveia
DICOFRE
090603
Arquetipo
CULTURA
Tier
standard

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 7.9 km
SaúdeCentro de saúde
EducaçãoEscola básica
Habitação~446 €/m² compra · 2.89 €/m² rendaAcessível
Clima13.6°C média anual · 797 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
50
Familia
35
Fotogenia
70
Gastronomia
55
Natureza
20
Historia

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Perguntas frequentes sobre Cativelos

Onde fica Cativelos?

Cativelos é uma freguesia do concelho de Gouveia, distrito de Guarda, Portugal. Coordenadas: 40.5402°N, -7.6841°W.

Quantos habitantes tem Cativelos?

Cativelos tem 610 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Cativelos?

Cativelos situa-se a uma altitude média de 370.3 metros acima do nível do mar, no distrito de Guarda.

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