Vista aerea de Aveloso
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Guarda · RELAXAMENTO

Aveloso: onde os bispos de Lamego vinham no verão

Antiga vila episcopal com solar quinhentista, cruzes templárias e romarias na devessa da Guarda

184 hab.
658.1 m alt.

O que ver e fazer em Aveloso

Património classificado

  • IIPPelourinho de Aveloso

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Mêda

Janeiro
Festa de São Sebastião 20 de janeiro festa religiosa
Maio
Festa das Cantarinhas 1 de maio festa popular
Agosto
Romaria de Nossa Senhora de Assunção 15 de agosto romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Aveloso: onde os bispos de Lamego vinham no verão

Antiga vila episcopal com solar quinhentista, cruzes templárias e romarias na devessa da Guarda

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O som da campainha da Igreja Matriz nasce dentro da torre como se arrancasse cera a uma colmeia. Desce escorregadio pelas paredes caiadas, entra pelas janelas entreabertas, faz tremer as toalhas de linho nos estendais. Não é apenas um toque: é um aviso de que as sombras já venceram o adro e que o pão da padaria do Sr. Joaquim está prestes a perder a crosta estaladiça. Aqui, a 658 metros de altitude, o silêncio entre as badaladas é tão denso que se pode cortar com a faca do queijo.

Quando os bispos vinham ao verão

Aveloso foi vila e concelho até 1832, mas a sua importância vem de antes: no século XVIII, os bispos de Lamego fugiam ao calor lamecense e subiam para cá com os cadeirões de braços e os pajens. Mandaram construir quinta e casas senhoriais. O Solar do Bispo ainda tem a janela manuelina onde uma criança escreveu com o dedo "1793" no pó, o portal quinhentista que roça o ombro de quem passa, as cruzes da Ordem de Cristo que servem de apoio aos codornizes. Os mais velhos dizem que há uma estrela de seis pontas escondida na arrebite - mas ninguém a mostra a turistas, é segredo de quem aqui nasceu.

A Igreja de Nossa Senhora do Pranto fica mesmo ao lado do café onde o António serve bica em copo de vidro. Dentro, a padroeira tem um olho de vidro que brilha quando o sol bate às quatro. Os altares laterais cheiram a cera de vela e a alfazema guardada em caixas de cigarros. Fora, o pelourinho serve de banco aos homens que jogam sueca à sombra - ninguém se lembra de que já foi símbolo de justiça, agora é só onde se apoiam os pés para atar os atacadores.

Cruzes de pedra e romarias na devessa

As capelas estão ali onde o olhar cansa: Nossa Senhora da Soledade guarda a chave na porta porque o ermitério se perdeu na guerra, Senhor do Calvário tem vista para a serra e para o curral onde o Zé Manel mantém os cães de caça, São Sebastião é onde as velhas levam as galinhas doentes para abençoar. Na devessa, a romaria começa às seis da manhã com o cheiro do porco espetado que o Celestino começou a assar na véspera. Às nove já se ouve o acordeão do Beto que vem do Fundão, ao meio-dia o vinho branco corre dos garrafões de cinco litros, às três as crianças já têm as cartolas de papel nas mãos e os pais contam os trocos para o tombola.

Pelas cruzes de pedra - algumas com a data apagada pelo vento, outras com nomes que ninguém reconhece - passa agora o Caminho Interior de Santiago. Os peregrinos chegam com mochilas coloridas e perguntam onde se pode comer. Apontam-lhes para o café, onde o menu é sopa de feijão e bife na pedra. Olham para as oliveiras retorcidas e não sabem que cada uma tem dono, que cada pedra marca um limite que foi discutido em tribunal de aldeia há cento e cinquenta anos.

Sabores da Beira Interior

A cozinha de Aveloso não tem nomes complicados. É borrego que a D. Albertina mata na sexta-feira e serve no domingo com arroz de grelos. É cabrito que o caseiro do Sr. Engenheiro traz já desmanchado, que a mulher do João Tomé coze com umas folhas de louro que arranca do pé do quintal. O queijo Terrincho vem embrulhado em pano de algodão, duro como o tempo, que se parte em pedaços e se come com marmelada caseira que a Adelaide faz na panela de cobre. O azeite é do ano, azeite novo que arde na garganta, que o Sr. Domingos engarrafa em garrafões de cinco litros e vende a quem conhece. Os doces são filhós de manteiga e oito gemas, toucinho-do-céu que a Dona das Dores faz de olhos fechados, regados com aguardente que o Evaristo destila no lagar clandestino.

Quando o sol se põe atrás da serra, a luz dourada entra pela janela da cozinha onde a Helena está a fazer a janta. O cheiro a lenha mistura-se com o fumo do fogão, o gato da vizinha vem miar à porta, os netos correm na rua com as redes de bicicleta soltas. E quando a campainha toca outra vez, não é para marcar hora nenhuma - é para lembrar que há pão fresco na padaria, que o café vai fechar às oito, que amanhã é dia de mercado em Mêda e que os 184 habitantes de Aveloso continuam aqui, entre a pedra e o silêncio, como sempre estiveram.

Dados de interesse

Distrito
Guarda
Concelho
Mêda
DICOFRE
090901
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 23.1 km
SaúdeCentro de saúde
Educação2 escolas no concelho
Habitação~156 €/m² compraAcessível
Clima13.6°C média anual · 797 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
35
Familia
45
Fotogenia
70
Gastronomia
50
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Aveloso

Onde fica Aveloso?

Aveloso é uma freguesia do concelho de Mêda, distrito de Guarda, Portugal. Coordenadas: 40.9295°N, -7.3083°W.

Quantos habitantes tem Aveloso?

Aveloso tem 184 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Aveloso?

Em Aveloso pode visitar Pelourinho de Aveloso. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Aveloso?

Aveloso situa-se a uma altitude média de 658.1 metros acima do nível do mar, no distrito de Guarda.

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