Vista aerea de Poço do Canto
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Guarda · RELAXAMENTO

Poço do Canto: onde o silêncio tem peso na Beira

Freguesia serrana a 665m de altitude, com património classificado e caminho de Santiago

330 hab.
665.6 m alt.

O que ver e fazer em Poço do Canto

Património classificado

  • IIPQuinta da Areeira

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Mêda

Janeiro
Festa de São Sebastião 20 de janeiro festa religiosa
Maio
Festa das Cantarinhas 1 de maio festa popular
Agosto
Romaria de Nossa Senhora de Assunção 15 de agosto romaria
ARTIGO

Artigo completo sobre Poço do Canto: onde o silêncio tem peso na Beira

Freguesia serrana a 665m de altitude, com património classificado e caminho de Santiago

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O silêncio aqui pesa no peito. Primeiro é a falta — de motores, de vozes, de pressa — depois vem o resto: o guincho da cancela da Dona Aurora que ninguém óleia há anos, o vento que sobe do Côa e traz cheiro a alecrim e a terra queimada, o sino da igreja que às sete badala sempre uma vez a mais, como quem se engana na contagem e resolve deixar assim. Poço do Canto nasceu a 665 metros, onde o planalto respira fundo e o horizonte se estende sem interrupção. Trezentos e trinta habitantes — menos os que foram para França e mais os que regressaram para a reforma — repartem-se por aldeias que o tempo foi tornando mais silenciosas, mais lentas, mais suas.

Onde a pedra guarda memória

O único monumento classificado — um Imóvel de Interesse Público que ninguém aqui chama assim — é a capela do lado da escola, onde se entrava nas missas de finados a cheirar a cera e a rosas murchas. A pedra, aqui, não é ornamento: é o banco junto à porta onde o pai do Zé Tareco cosia as botas aos domingos, é a parede que o sol aqueceu durante o dia e que agora a malta se encosta a fumar o último cigarro antes de ir para casa. Caminhar pelas ruas é ler nas fachadas caiadas onde a tinta descasca em lascas perfeitas a história de quem ficou — e de quem partiu.

O caminho que atravessa

A Via Lusitana do Caminho Interior de Santiago passa por cima da estrada municipal, mas os peregrinos descem à aldeia porque alguém lhes disse que na pastelaria ainda se faz pão no forno de lenha. Não são muitos — três, quatro por dia quando o tempo ajuda — mas chegam com as botas a estalar de poeira e vão-se embora com a marmita cheira a presunto e requeijão, a pedirem desculpa por não falarem bem português. A Rosa guarda os endereços dos que lhe mandam postais de Santiago: "Lembro-me do vosso pão todo os dias".

À mesa da Beira

O Queijo Terrincho que a Avó Maria fazia já ninguém faz igual — dizem que é a água, dizem que é o pasto, dizem que é o tempo que ninguém tem. Mas ainda se encontra na mercearia do Sr. Alfredo, cortado em cunhas grossas, a cheirar a estábulo e a erva seca. O borrego é mesmo das terras de cima, come romãs e tojos e sabe a tudo isso. A amêndoa vem das três amendoeiras que sobraram no quintal do cureiro — torram-se no fogão a lenha, moem-se na máquina da Dona Alice que ainda funciona se lhe dermos dois pontapés. O vinho é do ano em que o António se foi embora e deixou a vinha ao filho — bebe-se aos goles pequenos, que aquece a garganta e faz arder os olhos.

O ritmo que permanece

Dezassete crianças que aprendem a ler na sala onde o pai delas também aprendeu — a professora é sobrinha da que lhes ensinou o abecedário. As duas moradias de alojamento local pertencem à filha do médico e ao neto do canteiro, abriram-nos porque "a malta tem de comer" e porque as casas estavam a cair aos bocados. Não há wi-fi no café, mas há o Zé Manel que conta como se fazia a vindima antes das máquinas — "agora é tudo muito fácil, mas não tem graça nenhuma". Há a luz rasante das cinco da tarde que entra pela janela da cozinha e faz o pó dançar no ar, há o cheiro a lenha molhada que se mistura com o do café torrado, há o silêncio que não é ausência mas presença — o som da bola a bater na parede quando as crianças brincam, o ranger da porta que o vento não fechou, a voz da vizinha a chamar o gato que se chama "Preta" mesmo sendo branco.

Dados de interesse

Distrito
Guarda
Concelho
Mêda
DICOFRE
090912
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 16.2 km
SaúdeCentro de saúde
Educação2 escolas no concelho
Habitação~156 €/m² compraAcessível
Clima13.6°C média anual · 797 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
35
Familia
40
Fotogenia
70
Gastronomia
50
Natureza
25
Historia

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Perguntas frequentes sobre Poço do Canto

Onde fica Poço do Canto?

Poço do Canto é uma freguesia do concelho de Mêda, distrito de Guarda, Portugal. Coordenadas: 40.9962°N, -7.2773°W.

Quantos habitantes tem Poço do Canto?

Poço do Canto tem 330 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Poço do Canto?

Em Poço do Canto pode visitar Quinta da Areeira. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Poço do Canto?

Poço do Canto situa-se a uma altitude média de 665.6 metros acima do nível do mar, no distrito de Guarda.

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