Artigo completo sobre Aldeia do Bispo: o pelourinho solitário da Beira Alta
Vila medieval a 959 metros, entre muros de xisto, memórias liberais e o silêncio pesado da Malcata
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O pelourinho está no adro, mas não é de granito — é xisto como as casas. Fica a 300 m da Igreja Matriz, virado para a estrada que sobe à Malcata. Subiu aqui em 1514 quando Aldeia do Bispo ainda era vila; desceu em 1836 quando perdeu o título. Ninguém o moveu desde então.
O que resta
A Igreja Matriz abre às 10h se o sacristão estiver em casa (bata na porta branca junto ao adro). O retábulo barroco perdeu doura em 1832; o que vê é restauração de 1958. A ponte romano-medieval aguenta carros até 3,5 t — é a única passagem sobre o Ribeiro de Aldeia. A "cadeia comunitária" é um poço com 3 m de diâmetro; serviu para enxotar ladrões de gado, não para os manter presos. A Capela de São Brás tem missa uma vez por ano: 3 de fevereiro, 16h. Leve moedas para o cesto das rosquilhas — 1 € por cada criança.
Onde comer
O único restaurante chama-se "O Bispo". Serve chanfana (precisa encomendar 24h antes). O cabrito é de Monforte, não da aldeia — pergunte. O vinho da casa vem de Trancoso, não de Rufete. A feira acontece em anos pares, fim-de-semana de Pentecostes. Chegue cedo: há 30 lugares de estacionamento, enchem antes das 11h.
Trilhos
O Trilho da Malcata tem 8 km, demora 2h30. O acesso fica 2 km depois da ponte, segue a placa "PR4". Os grifos aparecem entre 9h-11h, terminais térmicos a oriente. O gato-bravo só visto por caçadores — esqueça. As lagoas são poços de xisto com 1,5 m de profundidade; água a 14 °C mesmo em agosto. A Capeia é no último domingo de agosto. Os bilhetes custam 5 €, compram-se na entrada do adro às 14h. Começa às 17h, acaba quando o último touro se cansar.
O oleiro chama-se António. O atelier abre quando a mulher vai ao mercado — bata na janela azul. Vende tijelos de barro a 2 €, não faz demonstrações.