Vista aerea de Vila Boa
DGT - Direcao-Geral do Territorio · CC BY 4.0
Guarda · CULTURA

Vila Boa: Aldeia de Xisto na Raia da Serra da Malcata

Vila Boa, no concelho do Sabugal, é uma aldeia de xisto a 769 metros de altitude, porta de entrada para a Serra da Malcata e terra de Capeia Arraiana, azei

238 hab.
769.6 m alt.

O que ver e fazer em Vila Boa

Produtos com Denominação de Origem

Áreas protegidas

Festas e romarias em Sabugal

Maio
A Capeia Arraiana Maio festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Vila Boa: Aldeia de Xisto na Raia da Serra da Malcata

Vila Boa, no concelho do Sabugal, é uma aldeia de xisto a 769 metros de altitude, porta de entrada para a Serra da Malcata e terra de Capeia Arraiana, azei

Ocultar artigo Ler artigo completo

O sino da igreja bate três horas da tardes e o som —não eco, som— desce pela encosta abaixo, roçando os muros de xisto que ainda aguentam as marcas do martelo de 1958. Em Vila Boa, a 769 metros, o granito das paredes está quente como pão, mas a sombra do sobreiro da fonte mantém o cheiro à terra húmida de ontem. A galinha não é “uma galinha”: é a Preta, que só ponde atrás do depósito de água porque o neto do Zé Carlos a apanhava para lhe pôr uns elásticos nas patas.

Aqui moram 238 pessoas, mas no verão há mais. Vêm de França, trazem gel de banho nos compartimentos das autocaravanas e perguntam onde fica “o centro”. O centro é o banco de cimento em frente à papelaria que já não vende papel. A Capeia não é “festa de fronteira” — é o dia em que o António deixa o tractor estacionado no cruzamento para não estragar o recinto e a mulher do César serve caldo de farinha em tigela de barro, porque os pratos de plástico partem-se com a facilitação.

Onde a Malcata começa antes do cartaz

A Malcata não precisa de nome oficial: começa logo depois da última oliveira do Joãozinho, onde o caminho de terra faz uma curva e o cheiro a esteva quebra a respiração. Ninguém marca trilhos aqui — ou conhece ou leva mapa. O único sinal que importa é o pó branco nos sapatos quando se regressa. Lá em cima, o lince é um rumor: os caçadores dizem-no pelas pegas nos barros, os biólogos pelas câmaras que roubam fotografias às tantas. Águia-real só se vive mesmo quando ovelha morre; o resto do tempo são uns pontos no céu que até os velhos já não distinguem de avião.

O azeite não tem “travo amargo que arranha a garganta”. Tem gosto de azeitona madrugada, daquelas que se apanham com as mãos roídas do frio de Outubro. No lagar do Moço, ainda se usa esteira de palha; o óleo pinga para a tina de ferro e o cheiro impregna a camisola durante três lavagens. Cabrito não é IGP, é cabrito do Tonho — o que nasce em Fevereiro e come erva de monte até ao dia de São Mateus, quando a mãe do Tonho vai ao forno da aldeia antes das sete para marcar lugar. Leva sempre um pau de louro no bolso, “porque o forno esquece-se”.

Contas que a escola fechada ainda guarda

Dos 238, 71 já recebem pensão no café do Júlio, que abre às sete e meia para o leite quente e fecha às dez porque ninguém vem depois do telejornal. Dezassete crianças — não dezoito —, contadas ontem à porta da Igreja porque a Matilde trouxe a neta de Lisboa e isso não conta. A escola encerrou em 2009; agora é armazém da Câmara, cheia de sacos de sementes que ninguém planta. O pé de laranja que as crianças plantaram na véspera do fecho já dá sombra ao muro, mas ninguém come as laranjas — são azedas que nem as galinhas.

Inverno começa quando a porta do bar do Zé fica envidraçada de dentro para fora: é o vapor do café a bater no frio. A neve não cai todos os anos, mas o nevoeiro cai todos os dias de Dezembro, às cinco e meia, como o padre a bater à porta da velha para lhe trazer a comunhão. As pedras escurecem, os cães deixam de ladrar e só se ouve o ranger do cilindro da lenha a descer pela rampa. Quando o temporão vem de sítio nenhum, o regato das traseiras engrossa e leva os baldes que alguém se esqueceu de içar.

Ao entardecer, o melro não está no campanário — está no chão, a bicar bago de oliveira que caiu do cesto. Vila Boa não oferece nada, nem pede nada. Deixa ficar quem quer ficar, leva quem se cansa. A pedra, a altitude e a teimosia são o mesmo.

Dados de interesse

Distrito
Guarda
Concelho
Sabugal
DICOFRE
091138
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 14.7 km
SaúdeCentro de saúde
Educação12 escolas no concelho
Habitação~391 €/m² compra · 3.22 €/m² rendaAcessível
Clima13.6°C média anual · 797 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

60
Romance
45
Familia
35
Fotogenia
55
Gastronomia
55
Natureza
20
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Sabugal, no distrito de Guarda.

Ver Sabugal

Perguntas frequentes sobre Vila Boa

Onde fica Vila Boa?

Vila Boa é uma freguesia do concelho de Sabugal, distrito de Guarda, Portugal. Coordenadas: 40.3828°N, -7.0068°W.

Quantos habitantes tem Vila Boa?

Vila Boa tem 238 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Vila Boa?

Vila Boa situa-se a uma altitude média de 769.6 metros acima do nível do mar, no distrito de Guarda.

28 km de Guarda

Descubra mais freguesias perto de Guarda

Escapadas de fim de semana, natureza e patrimonio a menos de 50 km.

Ver todas
Ver concelho Ler artigo