Artigo completo sobre Almendra: onde o xisto guarda memórias do Douro
Freguesia entre dois patrimónios UNESCO, com gravuras rupestres e vinhas em socalcos impossíveis
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O sol da tarre entra rasgado pelas ruas de Almendra. Não há nada aqui que não saiba a xisto e a vento. Trezentos e nove pessoas distribuem-se por 54 km² onde o relógio é a amendoeira: flor em Fevereiro, fruto em Setembro, folha no chão em Dezembro.
Dois patrimónios, uma aldeia
Almendra fica dentro do perímetro do Vale do Côa e do Alto Douro Vinhateiro. Isto traduz-se em regras: não podes plantar vinha nova onde quiseres, precisas de autorização para mexer em muros de xisto e, se cavares um buraco para uma cerca, podes encontrar gravações de 20 000 anos.
O posto de turismo (abre só aos fins-de-semana) vende o mapa dos três castros romanos. São 30 minutos de carro por terra batida até ao mais alto; leva água, não há café.
O que se come (e onde)
– A Toca (Largo do Cruzeiro, tel. 279 764 032): único restaurante. Serve posta mirandesa à sexta e sábado; tens de reservar. A sopa de castanha é de Outubro a Dezembro.
– Adega Cooperativa: venda de vinho em garrafão de 5 L a 3,50 €. Leva garrafa própria ou pagas 0,50 € pela deles.
– Queijo: compra directamente na herdade do Sr. Alfredo (segunda casa depois do cemitério, porta azul). Vende Terrincho curado a 12 €/kg, mas só depois do 15 de Outubro.
Romaria da Veiga
15 de Agosto. Missa às 11h, procissão às 17h. Chega antes das 10h ou estacionas na estrada nacional e caminhas 1 km. A bifana é 2,50 €, a caneca de branco 1 €. Quem não gente de casa dorme na escola primária abandonada – leva saco-cama, não há chuveiro. Às 23h os bombeiros lançam fogo de artifício sobre o Douro; senta-te no muro da igreja, é o melhor lugar.