Vila Nova de Foz Côa
sergei.gussev · CC BY 2.0
Guarda · RELAXAMENTO

Numão: Pedra, Altitude e Memória no Vale do Côa

Capela, torre medieval e amendoais a 563 metros na serra de Vila Nova de Foz Côa

210 hab.
563 m alt.

O que ver e fazer em Numão

Património classificado

  • MNCastelo de Numão

Produtos com Denominação de Origem

Festas e romarias em Vila Nova de Foz Côa

Agosto
Festa de Nossa Senhora da Veiga Dias 23 e 24 festa popular
ARTIGO

Artigo completo sobre Numão: Pedra, Altitude e Memória no Vale do Côa

Capela, torre medieval e amendoais a 563 metros na serra de Vila Nova de Foz Côa

Ocultar artigo Ler artigo completo

O sol da manhã entra pela porta entreaberta da capela de Nossa Senhora da Veiga e desenha um rectângulo de luz sobre o chão de pedra. Lá fora, o silêncio da serra só é interrompido pelo canto distante de um melro e pelo vento que passa devagar entre os amendoais. Numão estende-se pelos 563 metros de altitude como quem respira sem pressa, num território onde o Vale do Côa esculpiu a paisagem tanto quanto a mão humana esculpiu a história nas rochas há milhares de anos.

O peso da pedra e do tempo

A Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Assunção está onde sempre esteve - mesmo antes de haver estrada alcatroada, mesmo antes de haver luz eléctrica. As paredes de metro e meio de espessura guardam o frescor mesmo quando o calor de Julho aperta lá fora, um truque que as avós explicam como se fosse óbvio: "é a pedra, filho, a pedra é que sabe". Ao lado, a torre medieval que figura no brasão de armas da freguesia lembra que este território foi vigiado, defendido, habitado com propósito. O granito aqui não é apenas material de construção — é a própria memória física do lugar, cada pedra uma testemunha muda de gerações que passaram, plantaram, colheram.

Os peregrinos que seguem o Caminho Interior da Via Lusitana atravessam Numão com os pés já cansados e os olhos ainda atentos. Há qualquer coisa na disposição das casas, na inclinação das ruas, que convida a parar mais tempo do que o planeado. Talvez seja a luz, talvez o facto de aqui viverem apenas 210 pessoas — dezasseis delas crianças, setenta e oito com mais de sessenta e cinco anos — e isso criar um ritmo próprio, uma cadência que não se apressa por ninguém.

Sabores que enraízam

Não há restaurantes. Há é a casa da Dona Aurora que, se lhe baterem à porta à hora certa, serve uma sopa de castanhas que faz esquecer o frio. A amêndoa Douro DOP estala entre os dentes com aquele travo adocicado que só a altitude e o sol transmontano conseguem dar - prova num fim de tarde de Outubro, quando os oleiros estão a secar no terreiro, e percebe. O azeite de Trás-os-Montes DOP escorre denso sobre o pão caseiro, e a azeitona de conserva negrinha de Freixo DOP — pequena, escura, intensa — acompanha o queijo Terrincho DOP, esse disco compacto de sabor a pasto e a sal. O mel da Terra Quente DOP, espesso como âmbar, fecha a refeição com a doçura concentrada de mil flores silvestres. Leva um pote na mochila. Dura o ano todo e em Janeiro, quando estiver em Lisboa a olhar para o trânsito, lembra-o disto.

Entre vales e gravuras

Caminhar pelos trilhos rurais que descem em direcção ao Vale do Côa é entrar numa galeria a céu aberto. Não é preciso ser arqueólogo - basta prestar atenção às pedras xistosas que afloram nos socalcos, as mesmas que os nossos antepassados escolheram para desenhar cavalos e bois há 20.000 anos. O trilho do Carrical, que desce até ao rio, leva uma hora e meia e vale pelo cheiro a esteva sozinha. Leve água. Leve também um pedaço de pão - não para comer, mas para deixar na cumeada como fazem os pastores. Ninguém sabe bem porquê, mas faz-se sempre.

A romaria que ancora o ano

Na Festa de Nossa Senhora da Veiga, que é no segundo domingo de Setembro, a aldeia acorda de outra maneira. Os sinos da capela tocam desde cedo - não os da igreja matriz, esses são mais novos e soam a ferro. Os que se ouvem na romaria são os da capela, fundos, como se viessem debaixo da terra. As mulheres trazem flores frescas, e o cheiro a cera de vela mistura-se com o dos assados que vão saindo das cozinhas. É o momento em que os que partiram regressam, em que as 210 almas residentes se multiplicam por memórias e afectos. O cabrito é do Zé Mário, que mata um todos os anos para a ocasião. O vinho é daquele que fazem ainda nas traseiras de algumas casas - não é DOP, não é DOC, é só vinho. Beba um copo e verá como o tempo muda de velocidade.

Ao cair da tarde, quando o sol roça o topo da serra e tinge de ocre as paredes caiadas, ouve-se o arrastar lento de uma cadeira na soleira de uma porta. Alguém senta-se a ver o dia acabar. O vento traz o cheiro a terra seca e a amendoeira. Nada mais acontece. E é exactamente isso que Numão oferece: a espessura de um presente sem urgências.

Dados de interesse

Distrito
Guarda
DICOFRE
091411
Arquetipo
RELAXAMENTO
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteComboio a 5.1 km
SaúdeHospital no concelho
Educação5 escolas no concelho
Habitação~313 €/m² compra · 2.08 €/m² rendaAcessível
Clima13.6°C média anual · 797 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

65
Romance
40
Familia
55
Fotogenia
70
Gastronomia
50
Natureza
50
Historia

Descubra mais freguesias

Explore todas as freguesias de Vila Nova de Foz Côa, no distrito de Guarda.

Ver Vila Nova de Foz Côa

Perguntas frequentes sobre Numão

Onde fica Numão?

Numão é uma freguesia do concelho de Vila Nova de Foz Côa, distrito de Guarda, Portugal. Coordenadas: 41.0987°N, -7.2846°W.

Quantos habitantes tem Numão?

Numão tem 210 habitantes, segundo os dados dos Censos.

O que ver em Numão?

Em Numão pode visitar Castelo de Numão. A região também é conhecida pelos seus produtos com denominação de origem.

Qual é a altitude de Numão?

Numão situa-se a uma altitude média de 563 metros acima do nível do mar, no distrito de Guarda.

Ver concelho Ler artigo