Artigo completo sobre Achadas da Cruz: teleférico vertical e fajãs suspensas
O teleférico mais inclinado de Portugal desce 700 metros até aos terraços agrícolas sobre o Atlântic
Ocultar artigo Ler artigo completo
A cabine do teleférico abana sempre que o vento sopra de norte. São 580 metros de desnível até à fajã — não setecentos, mas o suficiente para os ouvidos estalarem. O cabo tem 1,4 km, o mais inclinado do país, e leva três minutos e meio a chegar ao fim. Lá em baixo, as parcelas medem oito por dez metros, muros de xisto sem cimento, sustentados por mãos que já não existem.
A Fajã da Quebrada Nova tem hoje seis casas habitadas. As outras estão trancadas ou em ruínas. O sr. Zé, 78 anos, sobe às segundas e às sextas para regar batatas e vinha. Leva duas garrafas de 1,5 litros no saco, porque a levada do Moinho secou há três anos. Quem quer água tem de a buscar ao poço, 200 metros abaixo. A descida faz-se em 20 minutos; a subida, em 45.
No planalto, a padaria fechou em 2019. O café da Esmeralda abre às 7h e fecha às 15h, serve bica a 80 cêntimos e sandes de atum caseiro. Não há Wi-Fi. O posto médico abre duas vezes por semana, enfermeira só. Para farmácia, é preciso descer à Ribeira da Cruz — 12 km de estrada com 27 curvas.
O teleférico custa 3 € ida e volta. Funciona das 9h às 17h, menos quando o vento passa dos 60 km/h. Nesse dia, fica tudo em cima. Ou desce a pé pela vereda do Calhau, 2h30 de joelhos em baixo, ou espera que o vento caia.
A festa da Senhora do Livramento é no primeiro domingo de maio. Há missa às 11h, sopa de trigo às 13h, e bailinho com o grupo folklórico da Casa do Povo. Quem quer ir, marca lugar com a D. Lurdes — 291 853 219 — até à sexta-feira anterior. Servem 120 pratos, depois acabou.
Para dormir, há dois alojamentos locais: a Casa da Fajã (T2, 70 €/noite) e o quarto na casa da D. Albertina (30 € com pequeno-almoço). Reservas pelo site do município ou no teleférico, quando o Nélson tem rede.
Quando regressar ao topo, vai sentir as pernas. É normal.