Vista aerea de Arco de São Jorge
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Ilha da Madeira · CULTURA

Arco de São Jorge: vinho novo e o Santo Bacalhau

Entre vinhedos em socalco e tradições únicas na encosta norte da Madeira

364 hab.
130.5 m alt.

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Artigo completo sobre Arco de São Jorge: vinho novo e o Santo Bacalhau

Entre vinhedos em socalco e tradições únicas na encosta norte da Madeira

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O aroma da cana-da-terra (como aqui se diz à cana-de-açúcar) sobe-nos às narinas logo ao amanhecer, quando o nevoeiro desce das Encostas da Lombada. Arco de São Jorge é apenas quatro quilómetros de terra em socalco, mas basta-lhes isso para produzirem o verdelho que em 1873 levou o cónego António Alfredo Ferreira de Sousa a gabar-se em carta ao Bispo do Funchal: «Não há igual ao nosso, nem em Cães nem em Calheta». Dos 364 habitantes, 128 têm mais de 65 anos; por isso, quando a procissão de São Jorge sobe a Rua da Igreja, são os netos que seguram as velas, porque os pais estão na Suíça ou na Venezuela.

Onde o vinho novo encontra o Santo Bacalhau

A freguesia nasceu por carta régia de D. Pedro II, 28 de dezembro de 1676, mas o povoamento remonta ao começo do século XVI, quando João Gonçalves Zarco deu estas terras a António Teixeira, cavaleiro da sua comitiva. A igreja, levantada entre 1723 e 1737 no lugar da Achada, tem um retábulo-mor talhado por escravos libertos que vieram do Brasil com o ouro do ourives João de Sousa Carvalho. É a 11 de novembro que o padre José Luís Silvestre Alves, natural daqui, abençoa o bacalhau seco que saírá em procissão dentro de uma cesta de vime coberta de flores de invernada. A tradição começou em 1918, quando a peste espanhola dizimou a vila e os sobreviventes prometeram ao santo «levar-lhe o seu jantar» se saíssem vivos. O vinho bebe-se de boca aberta, direto ao pipo, e o Feiticeiro do Norte — que ninguém chama por Manuel Gonçalves — é recitado de cor:

«Ó São Martinho, guarda-nos do fim,
que a morte anda de sola feita em vin.»

O poeta analfabeto que vendia palavras a três réis

Manuel Gonçalves nasceu na Canada do Jordão em 1858 e morreu na mesma cama de madeira de paúl, em 1927. Nunca assinou o nome, mas imprimiu em tipógrafo Gonçalves Dias da Rua da Carreira 12 000 folhas volantes que vendia na feira de Santana por três réis cada. Guardam-se 47 exemplares na Biblioteca Municipal, todas com o carimbo «Proibida a venda fora da ilha». O poema mais pedido era o da «Raposa do Curral», que satirizava o administrador Jerónimo Rodrigues Leitão que, em 1893, mandou plantar eucaliptos onde havia vinha. Hoje, a escola básica do Arco chama-se Feiticeiro do Norte e as crianças aprendem de cor:

«Se o eucalipto é rei, eu sou papa-vento,
que a vinha é rainha e o vinho é o seu lamento.»

Entre rosas e vinhas experimentais

A Quinta do Arco comprou-se em 1954 ao visconde da Ribeira Brava por 1,2 contos de réis. Roseira nenhuma cá existia; trouxeram-se as primeiras 50 mudas do Jardim de Aclimação de Lisboa em 1961. Hoje são 1 847 cultivares, mas quem as trata chama-lhes pelo nome das mulheres da terra: a «Dona Amélia» é a Rosa bourboniana que perfuma o mês de maio; a «Maria da Conceição» é a gallica que resiste ao vento Norte. No museu do vinho, instalado na antiga lagar de 1813, prova-se um verdelho de 1999 que ganhou medalha de ouro em Bordeaux; custa 36 € a garrafa e só há 312, porque o resto foi para a boda do neto do proprietário.

Laurissilva e levadas sob o olhar do Porto Santo

O trilho do PR 7 começa junto ao portão da Quinta e sobe 320 metros em 2,3 km até ao Miradouro das Cabanas. Lá acima, a 560 m de altitude, vê-se o Porto Santo nos dias em que o vento nordeste é superior a 15 nós. A levada do Rei construiu-se entre 1942 e 1946, mão de obra de homens que recebiam 18 escudos por dia e uma garapa ao lanche. A floresta laurissilva ocupa 75 % da freguesia; nos 25 % restantes há 42 km de muros de xisto seco, erguidos entre 1750 e 1850, cujos donais ainda ostentam as marcas de ferro quente: «JG 1798» é João Gomes, o primeiro a plantar vinha na Lombadinha.

O sino da igreja toca às 19h00. São sete badaladas, porque o camponeiro, Joaquim de Sousa, tem 77 anos e não quer pagar ao neto para tocar. O som demora 12 segundos a morrer entre as encostas. Fica o cheiro a esteva queimada, o murmúrio da ribeira do São Jorge e a certeza de que, quando aqui se chega, se fica — nem que seja só na memória das quatro pessoas que, em média, por ano, regressam para nunca mais partir.

Dados de interesse

Distrito
Ilha da Madeira
Concelho
Santana
DICOFRE
310901
Arquetipo
CULTURA
Tier
basic

Habitabilidade e Serviços

Dados-chave para viver ou teletrabalhar

2023
ConectividadeFibra + 5G
TransporteSem serviço ferroviário
SaúdeCentro de saúde
Educação9 escolas no concelho
Habitação~938 €/m² compraAcessível
Clima14.1°C média anual · 921 mm/ano

Fontes: INE, ANACOM, SNS, DGEEC, IPMA

ADN da Aldeia

50
Romance
40
Familia
45
Fotogenia
50
Gastronomia
35
Natureza
35
Historia

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Perguntas frequentes sobre Arco de São Jorge

Onde fica Arco de São Jorge?

Arco de São Jorge é uma freguesia do concelho de Santana, distrito de Ilha da Madeira, Portugal. Coordenadas: 32.8246°N, -16.9529°W.

Quantos habitantes tem Arco de São Jorge?

Arco de São Jorge tem 364 habitantes, segundo os dados dos Censos.

Qual é a altitude de Arco de São Jorge?

Arco de São Jorge situa-se a uma altitude média de 130.5 metros acima do nível do mar, no distrito de Ilha da Madeira.

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